Associação Brasileira Mulheres da Energia reforça importância da geração distribuída, ressalta benefícios econômicos e ambientais, e alerta para retrocessos em políticas públicas
Em um posicionamento público de grande relevância para o setor elétrico, a Associação Brasileira Mulheres da Energia (ABME) reafirmou seu compromisso com a transição energética justa, inclusiva e sustentável, destacando a importância da Geração Distribuída (GD) no Brasil. A manifestação ocorre em apoio à Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) e reforça o direito do consumidor de produzir sua própria energia.
A carta aberta da ABME surge em resposta à recente campanha do chamado Movimento Energia Justa, cujas teses, segundo a associação, carecem de equilíbrio técnico e de visão estratégica para o futuro energético do país. “Reconhecemos a legitimidade do debate e a pluralidade de vozes no setor elétrico; entretanto, não podemos deixar de apresentar os devidos esclarecimentos”, afirma a ABME.
Benefícios econômicos e ambientais da geração distribuída
Segundo estudos independentes da Aneel, da Universidade Federal de Santa Catarina e de organismos internacionais, a GD oferece benefícios que superam significativamente seus custos. Entre eles estão a redução de perdas elétricas, o adiamento de investimentos em expansão da rede e o aumento da resiliência do sistema elétrico.
Cada instalação de geração distribuída representa investimento privado, com impactos positivos que vão além do aspecto econômico. Entre as externalidades destacadas pela ABME estão a redução das emissões de carbono, menor acionamento de usinas térmicas fósseis, geração de empregos locais e a democratização do acesso à energia limpa.
O argumento de que subsídios à GD transferem custos para outros consumidores ignora, segundo a associação, que subsídios para fontes fósseis e para o modelo centralizado tradicional ainda persistem, representando ônus bilionário à sociedade.
Desafios técnicos e soluções inovadoras
A ABME observa que desafios técnicos, como problemas de tensão, sobrecarga e cortes, são comuns em processos de modernização de sistemas elétricos globalmente. Países como Alemanha, Espanha, Austrália e Estados Unidos enfrentaram situações semelhantes, superadas por meio de regulação adequada, inovação tecnológica e digitalização das redes.
Para o Brasil, a associação aponta o investimento em redes inteligentes, sistemas de armazenamento, digitalização e gestão ativa da demanda como caminho para consolidar a GD. Instituições como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e universidades nacionais desempenham papel central nesse processo. “O argumento técnico não deve ser utilizado como justificativa para retrocessos em políticas públicas, mas sim como motor de evolução regulatória e de investimentos em inovação”, afirma o comunicado.
Equidade, sustentabilidade e modernização
A ABME reforça seu compromisso, por meio do Congresso Brasileiro Mulheres da Energia, de defender a modernização do setor, a integração de novas tecnologias e a expansão da geração distribuída como instrumento de democratização energética. Além disso, a associação enfatiza a importância de políticas energéticas que contemplem equidade de gênero, justiça social e sustentabilidade.
A carta conclama o setor elétrico, instituições acadêmicas, órgãos reguladores e a sociedade civil a unir esforços na construção de soluções equilibradas, capazes de garantir ao Brasil um futuro energético mais limpo, competitivo e democrático.



