Petrobras define 2035 como marco para expansão em energia solar e eólica

Transição energética terá duas fases: até 2035, foco será nos biocombustíveis; após esse período, estatal priorizará fontes renováveis e hidrogênio, com investimentos de US$ 16,5 bilhões

A Petrobras anunciou um marco estratégico para sua transição energética: a partir de 2035, a estatal passará a concentrar seus investimentos em energia solar, eólica e hidrogênio. A informação foi confirmada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, que reforçou a importância de uma diversificação equilibrada entre combustíveis fósseis, biocombustíveis e renováveis.

Segundo Magda, até 2035, a estatal continuará priorizando os biocombustíveis, como o etanol, biodiesel, biogás e diesel coprocessado — como ponte para uma matriz menos dependente do petróleo. A partir daí, a companhia deve intensificar aportes em energia solar e eólica, refletindo uma tendência global de redução de emissões e de investimentos em fontes sustentáveis.

Histórico e contexto global da transição energética

Desde sua fundação em 1953, a Petrobras consolidou-se como pilar do desenvolvimento nacional com base no petróleo e no gás. No entanto, o avanço das energias limpas e a pressão internacional por redução de carbono colocaram novos desafios à companhia.

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Diversos países já implementaram políticas rígidas de incentivo às renováveis, especialmente Europa e Ásia. Nesse cenário, a aposta em fontes solares e eólicas pela Petrobras não é apenas uma escolha ambiental, mas uma decisão estratégica para manter competitividade no mercado internacional.

Estratégia em duas fases

Magda Chambriard explicou que a Petrobras seguirá um plano dividido em duas etapas:

  • Até 2035 – Biocombustíveis como prioridade: O foco será em etanol, biodiesel, biogás e diesel coprocessado. Essa fase garante a utilização de excedentes agrícolas, como grãos, e promove sinergia entre o setor energético e o agronegócio.
  • Após 2035 – Solar, eólica e hidrogênio: A estatal pretende intensificar investimentos em projetos solares, eólicos e em hidrogênio verde. O Brasil tem vantagens competitivas nesse campo, com radiação solar abundante e regime de ventos favorável, especialmente no Nordeste e no Sul.

Magda destacou ainda que a Petrobras deve investir US$ 16,5 bilhões em renováveis, incluindo a construção de uma refinaria no Rio Grande do Sul com capacidade de processar 15 mil barris diários de produtos 100% renováveis.

Inovação tecnológica e oportunidades econômicas

Além da geração de energia, a Petrobras vislumbra a criação de centros de pesquisa para ampliar a eficiência de turbinas eólicas e painéis solares, adaptando-os às condições brasileiras. Essa frente pode abrir espaço para exportação de tecnologia a países emergentes.

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O investimento em renováveis também gera benefícios sociais e econômicos. Projetos solares e eólicos exigem mão de obra especializada, infraestrutura de transmissão e manutenção, fortalecendo economias locais e criando empregos.

Outro impacto positivo é a redução da vulnerabilidade frente às flutuações internacionais do preço do petróleo, garantindo maior resiliência à matriz energética.

Veículos elétricos e mobilidade futura

No tema mobilidade, Magda avaliou que o Brasil deve avançar de forma gradual. Para ela, híbridos terão mais espaço no país que veículos 100% elétricos, sobretudo no transporte pesado, enquanto a eletrificação total se mostrará mais viável nos veículos leves.

Essa posição reflete uma abordagem pragmática: acompanhar a evolução tecnológica sem comprometer a segurança energética e a realidade socioeconômica brasileira.

Compromissos do Brasil e papel da Petrobras

Atualmente, 52% da matriz energética brasileira já é renovável, e a meta é alcançar 64% nos próximos anos. O planejamento da Petrobras se insere nesse contexto, reforçando compromissos globais do país na redução de gases de efeito estufa e atraindo investimentos estrangeiros.

Com esse direcionamento, a Petrobras equilibra tradição e inovação: mantém os combustíveis fósseis enquanto aposta em novas fronteiras energéticas. Trata-se de uma transição gradual, mas firme, rumo a uma economia de baixo carbono.

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