Copel lança projeto-piloto com tarifa diferenciada para recarga de veículos elétricos na madrugada

Iniciativa busca incentivar mobilidade elétrica, reduzir custos para consumidores e otimizar a rede elétrica com carregamento fora dos horários de pico

A Copel (Companhia Paranaense de Energia) deu início a um projeto-piloto que pode inaugurar uma nova modalidade tarifária para os consumidores que possuem veículos elétricos. Batizada de Tarifa Mobiflex Copel, a iniciativa foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e prevê descontos de até 12% na conta de luz para os clientes que realizarem a recarga de seus automóveis no período da meia-noite às 6h da manhã.

O objetivo é estimular a recarga domiciliar em horários de menor demanda, promovendo tanto a economia financeira para o consumidor quanto maior eficiência e estabilidade no sistema elétrico.

Incentivo à inovação e sustentabilidade

Segundo Rodrigo Braun dos Santos, engenheiro da Copel que liderou o projeto, essa medida representa um avanço significativo para o setor e, ao mesmo tempo, gera economia para os consumidores.

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“O estudo permite que os consumidores tenham uma tarifa diferenciada capaz de recompensar o uso da energia em horários de menor demanda. Além da economia direta, queremos contribuir para a sustentabilidade e a otimização da rede elétrica, promovendo um uso mais consciente e eficiente da energia”, afirma.

Com previsão inicial de duração de um ano, o projeto abre espaço para que o modelo seja replicado futuramente em escala mais ampla, caso os resultados confirmem ganhos em eficiência energética e adesão dos consumidores.

Como participar do projeto-piloto

A iniciativa é voltada para consumidores de baixa tensão, categoria que engloba casas, pequenos comércios e propriedades rurais, em padrões de 127 V ou 220 V. Para participar, é necessário atender aos seguintes requisitos:

  • Possuir veículo elétrico plug-in;
  • Realizar o carregamento na residência;
  • Ter carregador portátil ou Wallbox disponível;
  • Estar adimplente com a Copel.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas por meio do formulário disponível no site da companhia. A seleção será realizada de acordo com o perfil da unidade consumidora e critérios técnicos estabelecidos pela concessionária.

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Consumidores já beneficiados por tarifas subsidiadas, como a Tarifa Social de Energia Elétrica, não poderão participar. Além disso, situações como mudança de titularidade da unidade, irregularidades técnicas ou inadimplência durante o período do projeto resultam em exclusão da iniciativa.

Transparência e flexibilidade

Durante o período de testes, os clientes continuarão recebendo suas faturas normalmente, com comparativos entre a tarifa convencional e a Mobiflex. Caso desejem, poderão solicitar a saída do programa a qualquer momento, retornando à tarifa padrão no prazo de até 30 dias.

Esse formato, segundo a Copel, garante maior transparência, liberdade de escolha e confiança dos participantes na experiência.

Amparo regulatório e sandboxes tarifários

O projeto da Copel tem respaldo em dois instrumentos da ANEEL: a Resolução Normativa nº 966/2021, que regulamenta projetos-piloto de faturamento diferenciado, e a Resolução Autorizativa nº 15.400/2024, que autoriza diretamente a empresa a aplicar a Tarifa Mobiflex.

A proposta integra os chamados “sandboxes tarifários”, ambientes regulatórios temporários e controlados que permitem às distribuidoras testarem inovações em tarifas e modelos de cobrança. O mecanismo permite às empresas ensaiarem soluções inovadoras sem os riscos de aplicar regras permanentes antes de uma análise detalhada.

Mobilidade elétrica e futuro do setor

A expansão da mobilidade elétrica no Brasil ainda enfrenta desafios como infraestrutura de recarga, custo inicial dos veículos e necessidade de integração inteligente com a rede elétrica. Nesse contexto, a Tarifa Mobiflex pode desempenhar papel relevante ao estimular hábitos de consumo mais eficientes, reduzir impactos na rede durante horários de pico e tornar o carregamento residencial mais atrativo para os proprietários de veículos elétricos.

Se bem-sucedido, o projeto pode abrir caminho para novos modelos de tarifação que conciliem inovação tecnológica, sustentabilidade e equilíbrio entre oferta e demanda de energia.

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