Créditos regulatórios podem movimentar até R$ 2,3 bilhões para Auren; Cemig e Copel também registram impactos financeiros relevantes, segundo análise do Santander e dados da Aneel
A disputa por indenizações de ativos não depreciados em usinas hidrelétricas promete movimentar bilhões de reais no setor elétrico brasileiro e pode redefinir a estrutura de lucros de importantes empresas do segmento. Entre as companhias envolvidas, Auren Energia, Cemig e Copel apresentam diferentes níveis de impacto financeiro, com projeções que indicam ganhos significativos, especialmente para a Auren Energia.
Segundo nota técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e análise do Santander, a Auren desponta como a grande beneficiada, com créditos que podem alcançar até R$ 2,3 bilhões, dependendo da metodologia de atualização monetária adotada. A Cemig, que já contabilizou quase R$ 1 bilhão, ainda teria margem para ganhos adicionais, enquanto a Copel apresenta valores menores, mas estratégicos dentro de sua trajetória de modernização corporativa.
Auren lidera com potencial bilionário
A Auren possui créditos a receber desde 2015, totalizando R$ 499 milhões. Se corrigidos pela Selic atual, esses valores poderiam atingir R$ 1,2 bilhão; já pela combinação de inflação mais WACC regulatório, o montante poderia chegar a R$ 2,3 bilhões.
O impacto sobre os resultados da empresa seria expressivo, com ganho líquido potencial de até 12,5%, considerando que tais créditos ainda não estão refletidos nos balanços. Caso a indenização seja confirmada, o reforço de caixa permitirá à companhia aumentar sua capacidade de investimento e consolidar sua posição no mercado de energia.
Cemig: indenização e espaço para crescimento
A Cemig já contabilizou R$ 929 milhões em indenizações, atualizados pela Selic, refletindo parte dos créditos a que tem direito. A adoção da metodologia de inflação mais WACC regulatório poderia gerar uma valorização de até 3,7% sobre os números atuais, enquanto a correção pela Selic manteria o ganho em 1,8%.
Para a elétrica mineira, esses valores representam reforço relevante para a desalavancagem financeira e distribuição de dividendos, além de fortalecer sua posição estratégica entre as grandes empresas do setor elétrico brasileiro.
Copel: ganhos menores, mas consistentes
A Copel, em processo de modernização e aprimoramento de governança desde sua privatização em 2023, apresenta créditos de R$ 77,7 milhões corrigidos pelo IPCA. A atualização pelo critério de inflação mais WACC regulatório resultaria em impacto de apenas 0,4% sobre os resultados, enquanto pela Selic o efeito seria 0,2%.
Embora modesto, o montante reforça o caixa da empresa e oferece previsibilidade financeira, consolidando a estratégia de transição e fortalecendo a confiança do mercado na nova estrutura de governança da companhia.
Fontes de recursos e metodologia de pagamento
O pagamento das indenizações depende da definição da metodologia pelo Ministério de Minas e Energia (MME), atualmente em consulta pública (nº 190/2025). A expectativa é de que os pagamentos iniciem em 2026, distribuídos em até sete parcelas anuais, corrigidas pela Selic.
Duas fontes de recursos estão em análise:
- RAG (Receita Anual de Geração): para usinas ainda em regime de cotas;
- RGR (Reserva Global de Reversão): para operadores sem usinas em cotas.
Estima-se que Cemig e Copel recebam via RAG, enquanto a Auren teria acesso ao RGR, cujo saldo atual de R$ 260 milhões anuais pode estender o pagamento em até oito anos.
Cenário projetado e Impacto
No cenário projetado, a Auren desponta como grande vencedora, com impacto direto sobre lucros e valorização de mercado. A Cemig ocupa posição intermediária, com ganhos robustos que reforçam caixa e capacidade de investimento, enquanto a Copel, mesmo com efeito menor, consolida sua trajetória de modernização e governança.
O desfecho dessa disputa evidenciará o impacto financeiro relevante das indenizações de usinas hidrelétricas, podendo influenciar diretamente o planejamento estratégico e a posição de mercado das elétricas envolvidas.



