Região alcança 158 TWh de eletricidade em abril de 2025, com forte recuperação da hidrelétrica e crescimento expressivo da eólica, segundo dados da OLADE
A América Latina e o Caribe (ALC) consolidaram sua posição como uma das regiões mais avançadas do mundo em transição energética. Em abril de 2025, 70% de toda a eletricidade gerada na região teve origem em fontes renováveis, segundo o Relatório Mensal de Geração de Eletricidade da Organização Latino-Americana de Energia (OLADE). O volume total chegou a 158 TWh, um crescimento de 5% em relação ao mesmo mês de 2024, superando a taxa de renovabilidade de 69% registrada no ano anterior.
Esse avanço foi impulsionado principalmente pela recuperação da energia hidrelétrica, que voltou a apresentar resultados expressivos após períodos de instabilidade relacionados a secas prolongadas, e pelo crescimento acelerado da geração eólica, que registrou aumento de 42% em relação ao mês anterior.
Hidrelétrica recupera espaço e mantém protagonismo
A energia hidrelétrica, historicamente predominante na matriz da América Latina, teve desempenho positivo em abril de 2025, graças a condições climáticas mais favoráveis em comparação com os últimos anos. Chuvas acima da média em bacias estratégicas permitiram maior despacho das usinas, aumentando sua participação no fornecimento regional.
Essa recuperação é significativa porque demonstra a resiliência da fonte hidrelétrica diante das oscilações climáticas, ao mesmo tempo em que reforça sua relevância como elemento de estabilidade no sistema elétrico. Especialistas da OLADE destacam que, mesmo em meio a discussões sobre diversificação da matriz, a hidreletricidade continua sendo um pilar estratégico para a segurança energética da região.
Eólica cresce de forma exponencial e reforça diversidade da matriz
O destaque do relatório, entretanto, foi o crescimento da energia eólica, que avançou 42% em relação a março. Esse salto é reflexo direto da entrada em operação de novos parques na Argentina, no Brasil, no Chile e no México, além do aumento da eficiência operacional em projetos já consolidados.
A fonte eólica, junto da hidrelétrica, respondeu por mais de 80% da geração renovável da região em abril. Isso demonstra que a ALC vem aproveitando seu vasto potencial natural — ventos constantes, disponibilidade territorial e linhas de transmissão em expansão — para consolidar-se como referência mundial em energia limpa.
Energia solar registra recuo, mas mantém papel estratégico
Apesar do avanço hidrelétrico e eólico, a energia solar apresentou leve retração, caindo de 6,3% em março para 4,7% em abril na matriz elétrica da região. Ainda assim, o percentual manteve-se equivalente à participação do petróleo e seus derivados, o que evidencia a crescente competitividade da fonte mesmo diante de variações sazonais.
De acordo com a OLADE, a tendência é que a energia solar volte a ganhar espaço nos próximos meses, acompanhando a entrada de novos projetos fotovoltaicos em países como Brasil, Chile e Colômbia. Além disso, a contínua redução dos custos de tecnologia deve ampliar ainda mais o papel da fonte no equilíbrio da matriz regional.
América Latina e Caribe: liderança global em transição energética
Atingir 70% de geração renovável coloca a América Latina e o Caribe em posição de liderança global no debate sobre descarbonização e segurança energética. Para efeito de comparação, a média mundial de eletricidade proveniente de fontes renováveis gira em torno de 30%, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
Esse resultado não apenas reforça a credibilidade da região como laboratório natural de transição energética, mas também abre caminho para atrair investimentos internacionais em infraestrutura, armazenamento e digitalização de redes.
A COP30, que será realizada em novembro deste ano em Belém (PA), deve dar ainda mais visibilidade a esses avanços, consolidando a América Latina e o Caribe como protagonistas globais na agenda climática.
Desafios ainda persistem
Apesar dos resultados positivos, a região enfrenta desafios importantes para garantir a continuidade da expansão renovável. Entre eles estão a necessidade de maior integração regional, investimentos em sistemas de armazenamento de energia para compensar a intermitência das fontes eólicas e solares, e políticas públicas consistentes para ampliar a eletrificação em áreas remotas e populações vulneráveis.
Outro ponto de atenção é a adaptação das matrizes nacionais às mudanças climáticas, sobretudo no caso da energia hidrelétrica, que ainda responde por parcela majoritária da geração e sofre forte influência de períodos de seca.



