Litigância climática ganha protagonismo na Rio Climate Action Week e coloca Direito no centro da agenda da transição energética

Evento no Rio debate como ações judiciais se tornam ferramenta de pressão política após decisão histórica da Corte Internacional de Justiça; Brasil já é o quarto país com mais processos climáticos no mundo

O Direito como instrumento de enfrentamento à crise climática será um dos grandes destaques da Rio Climate Action Week, que acontece nesta semana na capital fluminense. A litigância climática, expressão usada para definir processos judiciais voltados à responsabilização de Estados e empresas por seus impactos ambientais, ganhará centralidade nos debates após a decisão histórica da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que reconheceu a responsabilidade legal dos países pelo aquecimento global.

No dia 26 de agosto, especialistas de diferentes setores participam do Encontro sobre Litigância Climática para a Transição Energética Justa, organizado pelo Instituto LACLIMA, em parceria com a AIDA, o grupo de pesquisa JUMA/PUC-Rio e a Plataforma de Litígio Climático para América Latina e Caribe (PLC). O evento reunirá cerca de 30 especialistas, entre advogados, pesquisadores e representantes de organizações da sociedade civil.

O Direito como ferramenta de pressão política

O encontro pretende discutir como ações judiciais têm se consolidado como ferramenta estratégica de pressão sobre governos e empresas, acelerando compromissos de descarbonização e combatendo retrocessos legais.

- Advertisement -

“Estamos diante de um momento crucial”, avalia Marcella Torres, advogada sênior da AIDA. “No direito internacional, há um reconhecimento cada vez mais forte das obrigações dos Estados frente à crise climática. Mas, no Brasil, vemos retrocessos, como a proposta da Lei Geral de Licenciamento. Esse choque mostra a urgência de espaços de reflexão sobre como o Direito pode ser usado para proteger o futuro e garantir uma transição verdadeiramente justa.”

A decisão da CIJ é considerada um divisor de águas: determina que os Estados têm responsabilidade direta por cortar emissões de gases de efeito estufa, encerrar subsídios a combustíveis fósseis e reparar danos climáticos em países e comunidades vulneráveis. O parecer deve desencadear uma nova onda de litígios climáticos em todo o mundo.

“O litígio climático é uma ferramenta cada vez mais central para acelerar a transição energética justa na região. Esta é uma oportunidade de trazer o direito para o centro da agenda climática. A AIDA atua em toda a América Latina, a PUC-Rio é referência acadêmica no país e a LACLIMA reúne especialistas reconhecidos no tema. Juntos, conseguimos criar um espaço de diálogo de alto nível sobre um dos assuntos mais urgentes da atualidade: como usar a lei para acelerar uma transição energética justa”, afirma Flávia Bellaguarda, diretora presidente do Instituto LACLIMA.

Brasil: epicentro regional da litigância climática

O Brasil ocupa hoje a quarta posição mundial em número de processos climáticos, segundo levantamento da London School of Economics, com 131 ações registradas até o fim de 2024. Esses processos envolvem tanto governos quanto empresas privadas, cobrando medidas mais rigorosas para o enfrentamento da crise climática.

- Advertisement -

“A litigância climática tem se tornado uma das ferramentas mais importantes para pressionar governos e empresas a assumirem de fato suas responsabilidades”, afirma Délcio Rodrigues, diretor do Instituto ClimaInfo. “O Brasil já é o quarto país com mais processos climáticos do mundo, e esse número só deve crescer diante da urgência da crise e das recentes decisões da Corte Internacional de Justiça. Estamos diante de um novo capítulo em que o Direito pode acelerar transformações que a política ainda demora a entregar.”

Sessão aberta ao público: “O Clima tá Tenso!”

Além do encontro fechado entre especialistas, a programação da Rio Climate Action Week inclui uma sessão aberta ao público no formato de talk show: “O Clima tá Tenso! Um retrato legal do Brasil na COP30”. O evento, que acontecerá no dia 26 de agosto na PUC-Rio, pretende discutir sob uma ótica jurídica os principais desafios da agenda climática rumo à COP30, que será sediada em Belém (PA).

Serão abordados temas como licenciamento ambiental, desinformação climática, marcos legais internacionais e o papel do Direito na transição energética justa.

Serviço

Sessão aberta talk show:

  • O Clima tá Tenso! – Um retrato legal do Brasil na COP30
    • Auditório B6, Edifício da Amizade, Ala Frings, 6º andar, PUC-Rio
  • Painel: COP30, Brasil e o papel da sociedade civil organizada
    • Auditório B8, Edifício da Amizade, Ala Frings, 8º andar
  • Debate: Desafios e Oportunidades da Litigância Climática no Brasil
    • Auditório B8, Edifício da Amizade, Ala Frings, 8º andar

O Direito na linha de frente da transição climática

O protagonismo da litigância climática na Rio Climate Action Week evidencia que o Direito se tornou peça-chave na governança climática global. Com a pressão da sociedade civil organizada, o aumento de ações judiciais e o peso de decisões internacionais, cresce a expectativa de que tribunais possam acelerar transformações estruturais que a política ainda posterga.

Para o Brasil, que terá papel central na COP30, a agenda jurídica pode ser um dos principais vetores para garantir que a transição energética seja justa, inclusiva e juridicamente vinculante.

Destaques da Semana

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Conflito entre EUA e Irã eleva riscos para o mercado global de energia, avalia FGV Energia

Escalada militar no Golfo Pérsico reacende temor de choque...

Artigos

Últimas Notícias