ONS aponta afluências abaixo da média histórica em agosto, mas garante pleno atendimento da demanda de energia

Boletim do Programa Mensal da Operação mostra que subsistema Sul deve alcançar 83% da MLT; projeções indicam estabilidade, apesar de níveis inferiores à média de longo prazo.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, em seu boletim do Programa Mensal da Operação (PMO) referente à semana operativa de 23 a 29 de agosto, que as projeções de Energia Natural Afluente (ENA) continuam estáveis em todo o país, embora permaneçam abaixo da média histórica para o período.

O destaque positivo está no subsistema Sul, que deve atingir 83% da Média de Longo Termo (MLT) até o final do mês. Já os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Norte devem registrar 71% da MLT, enquanto o Nordeste aparece com o menor índice, de 42% da MLT.

“O cenário geral é de pleno atendimento das demandas de energia e potência da sociedade. As projeções de afluências estão dentro do que é esperado para o período seco, e seguimos monitorando atentamente os desdobramentos para definirmos os próximos passos da nossa política operativa”, destacou Marcio Rea, diretor-geral do ONS.

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Reservatórios seguem em níveis confortáveis

Outro ponto importante do boletim é o desempenho da Energia Armazenada (EAR) nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN). Dois subsistemas devem superar os 70%, Norte, com 86,7% e Sul, com 78,7%, já no Nordeste, o índice deve alcançar 59,7%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste — responsável por aproximadamente 70% da capacidade de armazenamento do país — deve fechar agosto com 58,1%.

Esse número é relevante porque supera o resultado do mesmo período do ano passado, quando o submercado havia registrado 55,7% de EAR. Para especialistas, esse patamar traz maior segurança operativa e reduz riscos de acionamento mais intenso de usinas térmicas.

Demanda de carga apresenta retração em parte do país

O ONS também apresentou as perspectivas para a demanda de carga até 31 de agosto, em comparação ao mesmo período de 2024. A projeção para o Sistema Interligado Nacional é de uma redução de 1,9%, totalizando 75.841 MWmed.

A queda é mais significativa nos subsistemas:

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  • Sudeste/Centro-Oeste, com recuo de 3,7% (41.780 MWmed);
  • Sul, com retração de 1,5% (12.890 MWmed).

Segundo o Operador, os percentuais refletem as temperaturas mais amenas registradas neste mês em grande parte do país, o que reduz o consumo de energia elétrica, principalmente em sistemas de refrigeração.

Já o Norte deve registrar expansão de 4,3% (8.427 MWmed), e o Nordeste mantém estabilidade, sem variação em relação ao mesmo período do ano passado, com 12.744 MWmed.

Custo Marginal de Operação (CMO) permanece uniforme

O boletim também apontou que o Custo Marginal de Operação (CMO), indicador que representa o custo econômico para atender a demanda de energia no país, está em R$ 332,02 para todos os subsistemas na próxima semana operativa.

A manutenção do valor em patamares uniformes é considerada positiva para a previsibilidade do mercado e para a definição de estratégias tanto de agentes geradores quanto de consumidores livres.

Perspectivas e implicações para o setor elétrico

Apesar das afluências abaixo da média histórica, o cenário apresentado pelo ONS é de estabilidade e segurança no atendimento elétrico, com níveis de reservatórios confortáveis e projeções que reforçam a resiliência do sistema.

O comportamento mais moderado da carga em agosto, influenciado pelas temperaturas, também contribui para aliviar pressões sobre a operação. Além disso, a perspectiva de manutenção de um CMO uniforme ajuda a trazer equilíbrio econômico para os agentes do setor.

Para os próximos meses, o ONS deve seguir monitorando o regime hidrológico, especialmente com a aproximação do período úmido em algumas regiões. A expectativa é que a estabilidade observada em agosto contribua para a manutenção de boas condições operativas do Sistema Interligado Nacional.

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