Iniciativa pioneira vai levar eletricidade limpa e renovável à Ponta Oeste, preservando patrimônio ambiental e fortalecendo o turismo local
A Copel (Companhia Paranaense de Energia) avançou em um projeto histórico que promete transformar a realidade da Ponta Oeste da Ilha do Mel, no litoral do Paraná. Em reunião realizada em 21 de agosto, a comunidade local aprovou a implantação de sistemas individuais de geração solar, assinando coletivamente o Termo de Concordância e Autorização da iniciativa. O encontro contou com representantes da Associação dos Nativos e Pescadores da Ponta Oeste da Ilha do Mel (ANAPPOIM), Ministério Público do Estado, Casa Civil do governo estadual e Instituto Água e Terra (IAT).
Para os moradores, a chegada da energia elétrica é mais do que um avanço técnico: é a concretização de um sonho. “A vinda da energia vai alavancar a renda para a comunidade e melhorar o turismo. Vamos ter meios de armazenar os produtos e tudo o mais”, afirma a presidente da ANAPPOIM, Dirceia Gomes Pereira de Souza.
Energia limpa, inclusão social e desenvolvimento local
O projeto prevê a instalação de sistemas fotovoltaicos individuais para cada residência, garantindo consumo mínimo de 80 kWh/mês, com capacidade de atingir até 128 kWh/mês no verão. Os equipamentos terão potência de 1.250 watts, tensão de 127 volts e baterias com autonomia de 48 horas em caso de falta de sol.
A escolha da energia solar atende não apenas à necessidade de fornecimento confiável, mas também ao compromisso ambiental. As estruturas em fibra de vidro ou alumínio foram projetadas para resistir à corrosão típica de regiões litorâneas, garantindo durabilidade e eficiência.
Além da dimensão técnica, a iniciativa fortalece a inclusão social. A energia permitirá melhores condições para o turismo sustentável — principal fonte de renda da comunidade —, além de favorecer atividades econômicas como pesca e comércio local.
Consulta prévia e participação popular
O processo de aprovação do projeto seguiu o protocolo da Consulta Livre, Prévia e Informada, previsto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), fundamental em comunidades tradicionais.
“Encerramos esse ciclo com a comunidade esclarecida, com todas as dúvidas eliminadas e dando continuidade a um projeto que está compactuado com os moradores”, destaca a socióloga da Copel, Fabiane Baran.
Segundo a empresa, cada morador ainda assinará individualmente a Autorização de Passagem, documento que define o local exato de instalação do sistema fotovoltaico em sua residência. “Na Autorização de Passagem é apresentado um croqui nominal a cada morador e ele informa que está de acordo com o local sugerido pela Copel para a instalação do sistema fotovoltaico próximo à residência”, explica o engenheiro da Copel, Charles Ijaille.
Próximos passos: licenciamento e obras
Após a assinatura do termo coletivo, o projeto segue para a etapa de obtenção de licenças ambientais e autorizações dos órgãos estaduais. Em seguida, haverá a contratação de materiais e da empresa executora.
A expectativa é de que, após a liberação das licenças, as obras sejam concluídas em até seis meses, permitindo que as unidades consumidoras passem a contar com energia solar limpa e confiável.
Preservação ambiental e marco legal
A Copel reforça que todo o processo está em conformidade com a legislação vigente. A Lei Estadual nº 22.315 define a Ilha do Mel como região de especial interesse ambiental e turístico e estabelece que qualquer ação deve estar alinhada à Agenda 2030 da ONU, aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Convenção sobre Diversidade Biológica.
Essa diretriz garante que o projeto não apenas atenda às necessidades da comunidade, mas também respeite o patrimônio ambiental e cultural da região, considerada uma das áreas mais preservadas do litoral brasileiro.
Um modelo para o futuro da energia no Brasil
O projeto da Copel na Ilha do Mel representa um exemplo de inovação e sustentabilidade, alinhando tecnologia renovável, participação social e preservação ambiental. Mais do que eletricidade, a iniciativa leva dignidade, desenvolvimento e novas perspectivas econômicas para uma comunidade que há décadas convive com limitações de infraestrutura.
Se bem-sucedida, a experiência poderá servir como modelo replicável para outras comunidades isoladas do Brasil, reforçando o papel estratégico da energia solar na transição energética do país.



