Feira de Bioenergia 2025 destaca soluções digitais que reduzem riscos operacionais e aumentam a produtividade em um setor estratégico para a transição energética
A bioenergia já responde por quase 30% da matriz energética brasileira, com destaque para a biomassa da cana-de-açúcar, que sozinha contribui com 16,8% desse total, segundo o Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse protagonismo deve se intensificar ao longo da década. Projeções da consultoria internacional Mobility Foresights indicam que o mercado nacional do setor crescerá a uma taxa composta de 9% a 13% ao ano, podendo alcançar entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões até 2030.
O avanço, no entanto, não depende apenas de investimentos em usinas e equipamentos. A expansão segura do setor exige a aplicação de tecnologias que aumentem a produtividade e, ao mesmo tempo, preservem a vida dos trabalhadores em ambientes industriais de alto risco. Essa foi uma das principais mensagens da Feira de Bioenergia 2025, realizada em Sertãozinho (SP), onde a empresa baiana Trackfy chamou atenção ao apresentar soluções digitais para monitoramento e proteção em tempo real de equipes que atuam em ambientes como silos, caldeiras e colheitas mecanizadas.
Tecnologia como pilar da transição energética
Para o CEO da Trackfy, Túlio Cerviño, a digitalização e a inovação são elementos estratégicos para que o Brasil avance em sua transição energética. “A transição energética é um movimento inevitável e estratégico para o Brasil, representando investimentos em fontes limpas, como a bioenergia, e assegurando a sustentabilidade do país”, destacou o executivo durante o evento.
Segundo Cerviño, a bioenergia só conseguirá atingir todo o seu potencial se conseguir conciliar expansão com segurança operacional. “Garantir segurança em um ambiente tão complexo e estratégico como esse é de extrema importância. Estamos falando de operações industriais de alto risco, onde qualquer falha pode significar não apenas prejuízos operacionais, mas perigo direto à vida dos trabalhadores.”
Monitoramento em tempo real reduz riscos e aumenta eficiência
A tecnologia apresentada pela Trackfy utiliza sensores integrados a crachás, capacetes e outros EPIs. Os dispositivos coletam dados sobre presença em áreas restritas, tempo de exposição a riscos, interações com máquinas e até sinais de fadiga, transmitindo essas informações para sistemas de análise em tempo real.
“Mostramos que a aplicação da solução no setor bioenergético permite o monitoramento da localização, jornada e exposição dos operadores a riscos. A identificação antecipada dessas condições dá maior visibilidade às operações e protege o trabalhador”, explicou Cerviño.
Esse tipo de monitoramento traz impactos concretos. Clientes da empresa já relataram redução de até 40% em incidentes de segurança em áreas monitoradas e ganhos médios de 20% em produtividade, principalmente em rotinas de manutenção e operação. Além disso, houve diminuição de 1,5% em custos com seguro, redução de 50% no tempo médio de evacuações de emergência e encurtamento de até 25% em cronogramas de projetos.
“O retorno sobre o investimento pode chegar a ser até 50 vezes superior ao valor aplicado. Ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade em até 67%, a tecnologia melhora de forma consistente a experiência e a segurança dos trabalhadores”, complementou o executivo.
Um setor promissor, mas ainda desafiador
Apesar de não haver estatísticas específicas de acidentes em bioenergia, dados do setor sucroalcooleiro — que integra atividades agrícolas e industriais — mostram a relevância do tema. Entre 2012 e 2020, foram registrados 130 mil acidentes de trabalho, o que corresponde a 2,7% do total nacional no período. Embora o número anual de casos tenha caído de 25 mil em 2012 para cerca de 7.800 em 2020, os riscos permanecem expressivos, especialmente no campo, que responde por quase 40% dos incidentes.
Esse cenário reforça a necessidade de estratégias preventivas. “Estamos diante de um mercado em forte expansão, mas que só será sustentável se conseguir proteger seus profissionais e aumentar a eficiência das operações”, ressaltou Cerviño.
Expansão global da bioenergia
De acordo com a International Energy Agency (IEA), a bioenergia moderna — que engloba biocombustíveis, biogás e biomassas avançadas — representa hoje cerca de 6% da oferta total de energia no mundo e responde por quase 55% da energia renovável moderna consumida globalmente. Apesar disso, a participação da biomassa na geração elétrica ainda é pequena, variando de 2% a 5%, com países como Dinamarca, Suécia e Finlândia se destacando ao ultrapassar 15% por meio de sistemas de cogeração altamente eficientes.
Para Cerviño, a tecnologia é o elo que permitirá ao Brasil aproveitar de forma plena esse movimento global. “A Feira de Bioenergia foi essencial para discutir os desafios reais da indústria. A tecnologia não é um luxo, mas uma peça-chave para acompanhar o crescimento da bioenergia, tornando as operações mais seguras, produtivas e eficientes, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.”



