Veículo pioneiro desembarca em São Paulo para inspeções, validações e testes em parceria com universidades brasileiras e governos estaduais
A GWM Hydrogen powered by FTXT, subsidiária global da Great Wall Motors (GWM) dedicada a tecnologias de célula a combustível, inicia no Brasil uma nova etapa em sua estratégia de mobilidade sustentável. O primeiro caminhão pesado movido a hidrogênio da empresa chegou ao país em agosto de 2025 para inspeções, validações técnicas e testes que irão avaliar o desempenho da tecnologia no contexto brasileiro, marcado por desafios climáticos e topográficos distintos.
O caminhão, que será apresentado oficialmente em 15 de agosto na cerimônia de inauguração da fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), simboliza um marco na construção do ecossistema de hidrogênio no Brasil.
“A chegada deste caminhão representa mais do que um marco tecnológico: é o início da construção de um ecossistema de hidrogênio no Brasil, com parcerias estratégicas e soluções adaptadas à nossa realidade”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil.
Tecnologia avançada com foco na sustentabilidade e desempenho
O veículo combina uma bateria de 105 kWh com um conjunto de cilindros que armazenam até 40 kg de hidrogênio, que alimentam as células a combustível para gerar eletricidade. Este sistema inovador oferece autonomia e desempenho superiores, aproveitando ainda a recuperação de energia em desacelerações e frenagens.
“Veículos com célula a combustível são, na essência, elétricos. Eles trabalham em conjunto com a bateria para garantir mais desempenho, segurança e autonomia. Por isso, antes de entrar em operação, passam por validações específicas da bateria e, na sequência, pelos testes da célula a combustível — que utiliza hidrogênio como vetor energético. A reação com o oxigênio gera eletricidade e, como subproduto, apenas água (H₂O)”, explica Lopes.
O sistema proporciona recargas rápidas e zero emissões durante o uso, consolidando o caminhão como uma solução sustentável para o transporte pesado, setor tradicionalmente responsável por alta emissão de gases poluentes.
Parcerias estratégicas e fase de testes no Brasil
Os testes iniciais, programados para setembro de 2025, serão conduzidos em colaboração com instituições acadêmicas brasileiras, entre elas a Universidade de São Paulo (USP), que possui infraestrutura para abastecimento de hidrogênio proveniente do etanol, uma tecnologia nacional de baixo carbono.
“Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde, com um processo de abastecimento rápido e zero emissões do tanque a roda”, destaca Lopes.
Antes da circulação em vias públicas, o caminhão será submetido a rigorosas avaliações em pistas de prova, verificando aspectos como suspensão, desempenho e segurança. Inicialmente operando sem carga, os testes evoluirão para condições reais de transporte, com coleta de dados que permitirão entender a influência de variáveis como temperatura, altitude e tipo de pavimento na eficiência do sistema.
Com mais de 30 mil unidades semelhantes em operação na China, a novidade para o Brasil é justamente adaptar e validar a tecnologia para diferentes climas e topografias nacionais, identificando oportunidades de aprimoramento.
Infraestrutura, política e compromisso com a neutralidade de carbono
A iniciativa faz parte do Programa MOVER, do Governo Federal, que visa impulsionar tecnologias limpas no transporte. Em 2024, a GWM firmou memorando de entendimento com o Governo do Estado de São Paulo para estudar a viabilidade do hidrogênio no país e identificou cinco projetos avançados para infraestrutura de abastecimento.
Além disso, um acordo recente com o Governo de Minas Gerais e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) prevê o desenvolvimento conjunto de caminhões a hidrogênio, fornecimento de combustível verde pela universidade e expansão da rede de abastecimento no estado.
“Este projeto é a prova de que a transição energética no transporte pesado é possível, desde que haja cooperação entre indústria, academia e governo. E é exatamente isso que estamos fazendo”, completa Lopes.
A meta global da GWM é neutralizar suas emissões de carbono até 2045, e a introdução dessa tecnologia pioneira no Brasil reforça o compromisso da companhia com soluções sustentáveis e inovadoras.
O futuro do transporte pesado no Brasil
A chegada do caminhão a hidrogênio da GWM ao Brasil representa um passo decisivo para consolidar o país como um polo emergente na mobilidade limpa e sustentável. A adaptação da tecnologia às condições brasileiras, combinada com o fortalecimento da infraestrutura e parcerias estratégicas, poderá acelerar a adoção do hidrogênio verde no setor logístico nacional.
Além dos benefícios ambientais, o desenvolvimento dessa cadeia produtiva pode gerar empregos qualificados, impulsionar a inovação tecnológica e aumentar a competitividade da indústria brasileira no cenário global.



