Sergipe avança na transição energética e elabora plano que deve orientar investimentos e consolidar liderança no setor

Documento, desenvolvido em parceria com a FGV Energia, mapeia vocações regionais, aponta oportunidades e fortalece a posição do estado como referência nacional em energia limpa

Conhecido nacionalmente como “a estrela do gás”, Sergipe amplia sua atuação estratégica no cenário energético brasileiro com a elaboração do Plano Estadual de Transição Energética. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec) em parceria com o Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vargas (FGV Energia), tem como objetivo diagnosticar a matriz energética atual, identificar potencialidades regionais e orientar políticas públicas e investimentos alinhados à agenda global de sustentabilidade.

O secretário da Sedetec, Valmor Barbosa, destaca que o plano funcionará como uma base técnica para atrair indústrias, garantir segurança energética e acelerar a substituição de fontes fósseis por alternativas mais limpas. “Estamos construindo um diagnóstico profundo sobre a vocação energética do nosso estado. Isso significa entender onde há mais incidência de sol, onde o vento sopra com mais força, e quais áreas são favoráveis à geração de energia solar, eólica e ao uso do gás natural como vetor de transição”, explicou.

Matriz limpa e potencial diversificado

Sergipe acompanha a média nacional, onde mais de 90% da energia é proveniente de fontes renováveis como hidrelétricas, eólicas e solares. Esse perfil garante maior flexibilidade no uso de termoelétricas, que hoje, em sua maioria, já são movidas a gás natural — substituindo usinas a carvão ou óleo diesel, mais caras e poluentes.

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Segundo Barbosa, o plano irá identificar áreas específicas para diferentes modalidades de geração. “Na região do São Francisco, já temos forte potencial solar mapeado. Em locais como Barra dos Coqueiros, aguardamos o leilão para construção de nova térmica a gás. Esse direcionamento é essencial para investimentos certeiros e sustentáveis”, afirmou.

Etapas e metodologia

O desenvolvimento do plano inclui diagnóstico técnico, levantamento de dados, escuta ativa da sociedade e articulação institucional. Já foram realizados seminários, encontros com universidades, especialistas e setor privado, além de coleta de informações em campo. A última fase será a consulta pública, prevista antes da consolidação do documento.

A consultoria da FGV colabora na análise de aspectos como regulação tributária, segurança jurídica, infraestrutura de transmissão e mapeamento de áreas aptas para implantação de projetos.

Fontes estratégicas: gás, renováveis e hidrogênio verde

O documento também se dedica a apontar as fontes de energia estratégicas para o futuro de Sergipe. O gás natural, abundante no subsolo estadual, continuará sendo vetor de transição, substituindo fontes mais poluentes. Já o Hidrogênio Verde (H2V) desponta como aposta de longo prazo: pesquisas conduzidas pelo SergipeTec e pelo Núcleo de Energias Renováveis e Eficiência Energética de Sergipe (Nerees) investigam sua produção a partir de macrófitas da Bacia do Rio São Francisco.

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O Complexo Industrial Portuário, que abrigará a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), está sendo estruturado para receber indústrias e centros de inovação ligados a essa nova cadeia produtiva. Entre os projetos em curso, destaca-se o da Optimus, que implantará um data center e um centro de pesquisa com investimento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões).

ZPE como polo logístico e industrial

A ZPE será instalada nas proximidades do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB) e funcionará como área de livre comércio voltada à exportação, com incentivos fiscais, cambiais e administrativos. A gestão ficará a cargo da Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Sergipe (Cazpe), com participação da Sedetec e da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise).

A meta é transformar o espaço em eixo logístico-industrial para produtos e tecnologias de baixo carbono, integrando o hub de hidrogênio verde e outros empreendimentos energéticos.

Previsão de conclusão e impacto esperado

Com previsão de conclusão até novembro, o Plano Estadual de Transição Energética posiciona Sergipe como protagonista da nova economia sustentável, combinando vocações naturais com planejamento estratégico.

“O plano será a base para orientar investimentos, atrair indústrias e garantir energia limpa, acessível e contínua para todos os sergipanos”, concluiu Valmor Barbosa.

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