ONS projeta reservatórios acima de 50% em todos os subsistemas do SIN em agosto

Norte lidera com previsão de 89,3% de energia armazenada; afluências seguem abaixo da média histórica em todo o país

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, nesta sexta-feira (8), as projeções do Programa Mensal da Operação (PMO) para a semana operativa de 9 a 15 de agosto de 2025, indicando um cenário confortável de armazenamento de água nos principais reservatórios brasileiros.

De acordo com o boletim, todos os subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN) devem encerrar o mês com níveis de Energia Armazenada (EAR) superiores a 50%, um patamar considerado positivo para garantir segurança energética no país.

A Região Norte apresenta a melhor projeção, com expectativa de fechar agosto em 89,3%. No Sul, a previsão é de 73,7%; no Nordeste, 60,4%; e no Sudeste/Centro-Oeste, 58,7%.

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“Os níveis dos reservatórios acima de 50% mostram a efetividade das diretrizes para garantir uma operação segura. Mantemos o monitoramento constante e estamos preparados para agir sempre que necessário, garantindo o equilíbrio do SIN e o atendimento à sociedade brasileira”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.

Afluências abaixo da média histórica

Apesar do cenário favorável nos reservatórios, as estimativas de Energia Natural Afluente (ENA) para agosto seguem abaixo da Média de Longo Termo (MLT) em todos os subsistemas.

As projeções indicam:

  • Sul: 76% da MLT
  • Sudeste/Centro-Oeste: 71% da MLT
  • Norte: 65% da MLT
  • Nordeste: 49% da MLT

O comportamento confirma a tendência verificada nos últimos meses, de afluências reduzidas em boa parte do território nacional, mesmo durante o período úmido de algumas regiões.

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Demanda de carga apresenta retração nacional

O ONS também estima uma queda de 1,6% na demanda de carga do SIN em agosto, totalizando 76.023 MW médios.

O recuo é puxado principalmente pelo Sudeste/Centro-Oeste, com retração de 3,4% (41.901 MW médios), seguido pelo Sul, com 0,7% (13.003 MW médios).

Em contrapartida, o Norte deve registrar crescimento de 2,9% (8.312 MW médios), enquanto o Nordeste terá alta de 0,5% (12.806 MW médios).

As variações são comparadas aos resultados de agosto de 2024 e refletem um cenário misto: de um lado, a redução de consumo industrial e comercial em algumas áreas; de outro, o crescimento econômico regional e a expansão da rede elétrica em locais antes não atendidos.

Impacto e CMO uniforme em todos os subsistemas

Outro dado relevante do boletim é o Custo Marginal de Operação (CMO), que será de R$ 325,15 por MWh na próxima semana operativa. O valor é uniforme em todos os subsistemas, o que indica equilíbrio entre as condições de geração e a necessidade de despacho de diferentes fontes de energia.

A combinação de níveis elevados nos reservatórios e afluências abaixo da média impõe desafios e oportunidades ao setor elétrico. Por um lado, o armazenamento robusto garante margem de segurança para enfrentar períodos secos e reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas mais caras e poluentes. Por outro, a persistência de chuvas abaixo do esperado pode exigir ajustes no planejamento, especialmente para manter o equilíbrio no médio e longo prazo.

O resultado também reforça a importância de estratégias de gestão hídrica e diversificação da matriz elétrica, com maior participação de fontes renováveis como solar e eólica, que têm ajudado a reduzir a pressão sobre os reservatórios.

Panorama e perspectivas

Para o restante de 2025, analistas do setor acreditam que a manutenção de reservatórios em patamares elevados deve contribuir para estabilidade tarifária e menor volatilidade no mercado de curto prazo. No entanto, alertam para a necessidade de manter o foco no monitoramento climático e na modernização da infraestrutura de transmissão, especialmente em regiões com forte crescimento de carga, como o Norte e o Nordeste.

A gestão eficiente desses recursos será determinante para o equilíbrio entre segurança energética, modicidade tarifária e sustentabilidade ambiental — pilares que orientam a operação do SIN e o planejamento do setor elétrico brasileiro.

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