Webinar promovido pelo Ministério de Minas e Energia destaca avanços em pesquisas para edificações de baixo consumo e baixa emissão, com foco em políticas públicas sustentáveis e integração internacional via IEA
O Brasil reforça seu compromisso com a eficiência energética e a sustentabilidade no setor de edificações por meio de sua participação no Programa de Colaboração Tecnológica em Energia em Edificações e Comunidades (EBC), coordenado pela Agência Internacional de Energia (IEA). Em webinar realizado nesta quarta-feira (6/08), o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou os resultados de pesquisas voltadas à redução do consumo de energia e das emissões de gases de efeito estufa em edificações residenciais, comerciais e públicas.
A iniciativa, que marca a consolidação do Brasil no cenário internacional de cooperação energética, evidencia o papel das edificações na transição energética e na construção de uma economia de baixo carbono. O evento reuniu representantes do MME e pesquisadores de universidades brasileiras que integram grupos de trabalho vinculados ao EBC, abordando desde o desenvolvimento tecnológico até a formulação de políticas públicas de conservação energética.
Tecnologia, inovação e políticas públicas conectadas
De acordo com Alexandra Maciel, coordenadora de Projetos de Eficiência Energética do MME, os dados e resultados obtidos nas pesquisas são estratégicos para embasar decisões governamentais.
“Os resultados nesse tipo de programa são muito importantes para serem absorvidos dentro do contexto de formulação de políticas públicas e para o desenvolvimento de padrões internacionais e nacionais de conservação de energia”, destacou.
Os estudos associados ao EBC têm como foco a inovação tecnológica aplicada, com ênfase na interação entre universidades, centros de pesquisa, indústria e profissionais do setor da construção civil. Essa abordagem colaborativa fortalece a aplicação prática das soluções desenvolvidas, indo além da academia e promovendo resultados efetivos em larga escala.
Colaboração internacional acelera progresso técnico e científico
Criado em 1977, o EBC/TCP (Energy in Buildings and Communities Technology Collaboration Programme) é um dos principais programas da IEA voltado à eficiência energética em edificações. Com 26 países-membros, a iniciativa promove o intercâmbio técnico e científico entre nações interessadas em avançar na construção sustentável.
O Brasil formalizou sua entrada no programa em maio de 2020, por meio de acordo firmado entre o MME e a IEA. Desde então, pesquisadores e instituições brasileiras vêm atuando em diversos “Anexos” — frentes temáticas específicas dentro do programa, como modelagem de edificações, integração de sistemas fotovoltaicos, controle térmico, e neutralidade de carbono nos edifícios.
Essa participação proporciona ao país acesso às melhores práticas e tecnologias em desenvolvimento nos países mais avançados, além de inserir o Brasil no debate global sobre sustentabilidade no ambiente construído.
Rumo à neutralidade de carbono nas edificações
A agenda de descarbonização das edificações vem ganhando cada vez mais importância no contexto brasileiro. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor de edificações é responsável por cerca de 50% do consumo de eletricidade no país. Esse dado reforça a necessidade de políticas públicas específicas para o segmento, considerando o impacto positivo que a redução do consumo pode gerar em termos de eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN) e de metas climáticas.
Os estudos apresentados durante o webinar abordaram soluções voltadas a construções quase zero energia (nZEB – nearly Zero Energy Buildings), tecnologias de automação e climatização eficientes, além de estratégias de retrofit para prédios antigos. O foco é desenvolver soluções que possam ser replicadas em larga escala, com custos viáveis e aplicação prática nos diversos contextos urbanos e climáticos do Brasil.
Integração entre academia, indústria e governo
A estrutura do EBC/TCP permite que os projetos brasileiros sejam construídos a partir de uma visão sistêmica e colaborativa. Universidades federais, centros tecnológicos, empresas de engenharia e consultorias energéticas compõem os consórcios responsáveis pela execução dos estudos. Ao integrar essas expertises, o país consolida uma base técnica robusta, alinhada aos compromissos climáticos assumidos internacionalmente.
Além disso, os resultados das pesquisas têm sido incorporados pelo MME em estratégias de longo prazo, como o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), e nas atualizações do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE Edificações), coordenado pelo Inmetro.
Próximos passos: escala e implementação
O desafio agora é ampliar a escala de aplicação das soluções desenvolvidas, tornando-as acessíveis ao setor público e à iniciativa privada. Isso inclui ações como capacitação de profissionais da construção civil, incentivo à inovação nas empresas e articulação entre governos locais e o setor de energia.
O MME sinalizou que pretende continuar fortalecendo a participação brasileira no EBC, ampliando o número de grupos de pesquisa envolvidos e alinhando os resultados às políticas nacionais. A colaboração internacional se mantém como um dos pilares da estratégia brasileira para garantir uma matriz mais eficiente, diversificada e sustentável.



