Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) será voltado a setores estratégicos como biogás, terras raras e linhas de transmissão. Medida inclui estímulo a exportadores afetados por tarifas dos EUA e atrai capital privado sem uso de recursos públicos
O Governo de Goiás deu um passo relevante na atração de investimentos ao lançar, nesta terça-feira (5), na B3, um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com capacidade de ofertar até R$ 800 milhões em crédito para empresas que pretendem investir no Estado. O foco está em setores estratégicos, como energia renovável (biogás e biometano), data centers, mineração de terras raras e linhas de transmissão de energia.
Além de impulsionar o desenvolvimento econômico regional, o fundo também tem como objetivo mitigar impactos sobre segmentos exportadores afetados pela recente tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — com destaque para o setor agroindustrial, que será contemplado na nova política de crédito.
Modelo inovador de financiamento atrai capital privado
O novo FIDC será estruturado com metade de seus recursos lastreados em créditos de ICMS de empresas exportadoras sediadas em Goiás, enquanto os outros 50% virão do mercado financeiro. Essa modelagem busca aliar segurança jurídica a atratividade para investidores, mantendo juros fixos de 10% ao ano para os tomadores.
Segundo o governador Ronaldo Caiado, o projeto representa “a proposta mais criativa já lançada por Goiás para garantir condições reais de investimento nos setores com maior potencial de crescimento econômico e tecnológico.”
Para Caiado, o fundo vai atrair um perfil de investidor mais sofisticado e preparado para atuar em áreas de alto valor agregado. “Estamos criando instrumentos eficientes para garantir segurança ao empresário e fomentar inovação com responsabilidade fiscal”, afirmou.
Gestão privada e agilidade no crédito
De acordo com Erik Figueiredo, diretor-executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), o FIDC será inteiramente gerido pelo setor privado, dispensando o uso de recursos públicos e a necessidade de licitação. “É uma solução de mercado. Os projetos passarão por avaliação técnica tanto do governo quanto do agente financeiro, garantindo critérios sólidos de viabilidade e capacidade de pagamento”, destacou.
O modelo proposto por Goiás oferece agilidade ao processo de concessão de crédito e tem potencial para acelerar a implantação de empreendimentos com alto impacto econômico e ambiental positivo.
Inspiração em experiências recentes de sucesso
A proposta goiana segue tendência de estados brasileiros que vêm utilizando FIDCs como instrumento de desenvolvimento. Em abril, o governo do Paraná lançou o FIDC Agro Paraná, com R$ 350 milhões voltados ao agronegócio. Pouco depois, a Desenvolve SP, agência paulista de fomento, estruturou um FIDC de R$ 120 milhões a R$ 150 milhões, focado em biocombustíveis, com o apoio da BTG Asset.
O diferencial do fundo goiano está na diversificação dos setores atendidos, incluindo segmentos de infraestrutura energética e digital, além da integração com cadeias exportadoras. Trata-se de uma estratégia combinada de reindustrialização, transição energética e resiliência comercial frente ao protecionismo internacional.
Perspectivas para a transição energética e infraestrutura digital
O incentivo a projetos de biogás e biometano, por exemplo, posiciona o Estado de Goiás em linha com as metas de descarbonização da economia. Já o apoio a data centers e mineração de terras raras contribui para o fortalecimento de cadeias críticas no setor tecnológico e energético — ambos prioritários na nova economia verde e digital.
Com a disponibilização dos recursos prevista para os próximos dias, o FIDC de Goiás pode se tornar um marco na política de financiamento subnacional, unindo inovação financeira, sustentabilidade fiscal e estratégia de desenvolvimento com foco na infraestrutura e na competitividade.



