Recuperações extrajudiciais somam R$ 789,5 milhões em julho, puxadas por empresa de infraestrutura energética

Levantamento do OBRE revela que grupo indiano TS Transmissions responde pela maior parte do valor; no acumulado do ano, dívidas renegociadas por meio da modalidade já somam R$ 8,71 bilhões no Brasil

O mês de julho registrou um novo avanço no número de empresas que recorreram à recuperação extrajudicial no Brasil. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE), três companhias apresentaram pedidos no período, totalizando R$ 789,5 milhões em dívidas renegociadas junto a seus credores. O destaque do mês foi o pedido protocolado pelo grupo indiano TS Transmissions, que atua no setor de infraestrutura energética e responde pela maior parte do montante.

Com os novos casos, o acumulado de 2025 chega a 27 pedidos de recuperação extrajudicial, envolvendo R$ 8,71 bilhões em dívidas renegociadas com 1.719 credores. A modalidade, que permite às empresas negociar diretamente com seus credores sem a necessidade de intervenção judicial, tem ganhado espaço como alternativa para companhias em dificuldades financeiras que buscam preservar a continuidade operacional.

TS Transmissions concentra mais de R$ 770 milhões em dívidas

Maior responsável pelo volume registrado em julho, o grupo indiano TS Transmissions — anteriormente conhecido como Sterlite — está negociando mais de R$ 770 milhões em débitos com credores como BTG Pactual e Santander. A companhia atua na área de transmissão de energia elétrica no Brasil e, desde sua chegada ao país em 2017, vinha ampliando sua presença em projetos de infraestrutura.

- Advertisement -

Segundo informações do OBRE, a empresa afirma que enfrenta dificuldades financeiras desde 2018, agravadas por uma combinação de fatores econômicos globais, alta nas taxas de juros no Brasil e os impactos da pandemia de Covid-19. Em seu pedido, a empresa justificou: “enfrenta dificuldades financeiras desde 2018, em decorrência de fatores macroeconômicos de ordem global, que se agravaram em razão do aumento das taxas de juros praticadas no Brasil e das dificuldades causadas pela pandemia do Covid-19.”

A renegociação proposta pela TS Transmissions busca preservar sua atuação no setor elétrico nacional, em um momento em que a infraestrutura de transmissão se mostra cada vez mais estratégica para o escoamento da energia gerada em novas fontes renováveis.

Outros pedidos envolvem construtoras e empresa de energia renovável

Além do caso da TS Transmissions, outras duas empresas apresentaram pedidos de recuperação extrajudicial em julho: a Akron, com sede em São Paulo, e a Opere Construtora, localizada no estado do Mato Grosso. O pedido da Opere foi realizado na modalidade facultativa, quando todos os credores concordam com o plano de recuperação apresentado. Segundo o levantamento, a proposta obteve 100% de adesão dos créditos abrangidos.

Outro movimento relevante registrado no período foi o pedido definitivo de recuperação extrajudicial feito pela empresa de energia renovável Rio Alto, que havia protocolado um pedido de tutela de urgência em fevereiro. A companhia, que atua na geração solar, conseguiu adesão de mais de 65% dos créditos abrangidos pela proposta.

- Advertisement -

Crescimento da modalidade reflete busca por soluções menos litigiosas

O crescimento das recuperações extrajudiciais reflete a busca de empresas por soluções mais rápidas e menos litigiosas para reestruturar dívidas, especialmente em setores intensivos em capital, como o de energia e construção civil. A modalidade permite maior agilidade na negociação, especialmente quando já há consenso entre a empresa devedora e seus credores.

Apesar do menor número de pedidos em relação à recuperação judicial, os casos de recuperação extrajudicial têm se concentrado em empresas de médio e grande porte, com dívidas relevantes e impacto significativo em cadeias produtivas. O levantamento do OBRE evidencia o papel crescente da ferramenta como mecanismo de recomposição da saúde financeira em setores estratégicos.

Setor elétrico sob atenção com impacto financeiro de novos entrantes

O caso da TS Transmissions reacende a atenção para os desafios enfrentados por empresas estrangeiras que ingressam no mercado brasileiro de infraestrutura energética. Apesar do potencial de crescimento do setor de transmissão, projetos de longo prazo exigem planejamento robusto, capacidade de execução e estrutura de capital adequada para suportar adversidades macroeconômicas.

A continuidade das operações da empresa indiana — ainda dependente do sucesso nas negociações com credores — será acompanhada com atenção por reguladores e investidores, dado seu envolvimento em importantes empreendimentos de transmissão.

Destaques da Semana

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Eficiência e Consolidação: O Novo Horizonte do Financiamento de Renováveis na América Latina

Em entrevista exclusiva, José Prado, sócio do Machado Meyer,...

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Artigos

Últimas Notícias