Brasil atinge recorde histórico na produção de gás natural com destaque para o pré-sal

Volume diário chega a 181 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 20,9% em um ano. Pré-sal representa 78,8% da produção total e lidera com campo de Tupi e plataforma Guanabara

O Brasil registrou em junho de 2025 o maior volume já produzido de gás natural em sua história. A marca foi revelada pelo Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), e contabiliza a produção realizada nas áreas do pré-sal, pós-sal e em terra.

Segundo os dados da ANP, a produção nacional alcançou 181 milhões de metros cúbicos por dia (Mm³/d), volume que representa um aumento expressivo de 20,9% em comparação com o mesmo mês de 2024. Este resultado consolida a tendência de crescimento contínuo da produção brasileira, alavancada principalmente pelo desempenho do pré-sal, que respondeu por 78,8% do total nacional.

Predominância do pré-sal reforça papel estratégico da Bacia de Santos

O pré-sal segue como principal vetor da expansão da produção de gás natural no Brasil. A camada geológica, que se estende principalmente sob o litoral sudeste do país, foi responsável pela maior parte do volume registrado em junho. Somente o campo de Tupi, situado no pré-sal da Bacia de Santos, produziu 40 milhões de metros cúbicos por dia, sendo o maior produtor individual do país.

- Advertisement -

Essa performance reforça a importância da Bacia de Santos como centro nevrálgico da cadeia de gás e petróleo brasileira. A estrutura técnica e operacional instalada na região, somada ao avanço de tecnologias de extração em águas ultraprofundas, tem permitido ganhos de escala que se traduzem em recordes consecutivos.

Outro destaque da produção foi a unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) Guanabara, instalada na jazida compartilhada de Mero, também na Bacia de Santos. A plataforma foi a instalação com maior volume individual de produção no mês, com 12 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

Produção marítima representa 85% do total nacional

A expressiva contribuição das plataformas offshore se reflete no percentual da produção proveniente do mar. Em junho, 85,3% do gás natural produzido no país teve origem em campos marítimos, enquanto a produção em terra, embora relevante, teve participação proporcionalmente menor no resultado consolidado.

Esse domínio do ambiente offshore no mix de produção de gás natural do Brasil aponta para a importância estratégica da infraestrutura de exploração e escoamento instalada em alto-mar, além de exigir políticas públicas e investimentos contínuos para viabilizar a monetização desse gás, seja por meio da reinjeção, do processamento ou da ampliação da malha de gasodutos.

- Advertisement -

Sustentabilidade, transição energética e competitividade

O recorde de produção de gás natural ocorre em um momento no qual o país avança em sua agenda de transição energética, com crescente demanda por fontes mais limpas e estratégias para descarbonizar a matriz energética. Embora o gás natural seja um combustível fóssil, ele desempenha papel relevante como fonte de transição, por emitir menos CO₂ em comparação ao carvão e ao óleo combustível.

A elevação da produção também tem impacto direto na competitividade industrial e na expansão do mercado de gás no país. A partir do Novo Mercado de Gás, implementado para promover a abertura do setor, observa-se o surgimento de novos agentes, ampliação da malha de transporte e maior oferta para consumidores livres e distribuidoras.

Perspectivas para o segundo semestre de 2025

Com base no desempenho do primeiro semestre, as expectativas para o segundo semestre de 2025 permanecem otimistas. A entrada de novos sistemas de produção no pré-sal, a retomada de investimentos em exploração e o avanço de projetos de escoamento e processamento devem impulsionar ainda mais os volumes extraídos. Além disso, o crescimento da demanda por gás natural, tanto para uso industrial quanto para geração de energia, pode estimular uma integração mais eficiente entre produção, transporte e consumo.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias