Companhia arremata mais de R$ 950 milhões em títulos no leilão promovido pela CCEE para mitigar riscos hidrológicos e estender prazo das usinas
A Rio Paranapanema Energia S.A. anunciou nesta quinta-feira (1º) a aquisição de 46.800 títulos no valor total de R$ 952,8 milhões durante a primeira rodada do Mecanismo Concorrencial para Negociação de Títulos de Valores não Pagos no Mercado de Curto Prazo (MCP), promovido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A iniciativa integra o processo de isenção e mitigação dos riscos hidrológicos no Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), com respaldo na Medida Provisória nº 1.300/2025 e na Portaria Normativa MME nº 112/2025.
A operação marca um passo estratégico da companhia rumo à prorrogação das concessões de suas principais usinas hidrelétricas – Capivara e Chavantes –, consolidando sua posição no setor de geração renovável com base hídrica.
Leilão MCP mobiliza ativos de grandes geradores
A participação da Rio Paranapanema no Edital MCP nº 01/2025 resultou na aquisição de 30.848 títulos pela UHE Capivara, totalizando R$ 657,7 milhões, e outros 15.952 títulos pela UHE Chavantes, no valor de R$ 295,1 milhões. Os ativos adquiridos serão utilizados para viabilizar a prorrogação das concessões dessas duas usinas, conforme os critérios estabelecidos pela nova legislação setorial.
Com a entrada em vigor da MP nº 1.300/2025, o governo federal estabeleceu mecanismos financeiros que permitem aos geradores mitigar os impactos dos riscos hidrológicos acumulados no MRE, ao mesmo tempo em que se oferecem instrumentos para a prorrogação de concessões sem necessidade de nova licitação. A modelagem considera o abatimento de valores devidos ao mercado de curto prazo mediante aquisição desses títulos.
Capivara e Chavantes: renovação do legado
As usinas hidrelétricas de Capivara e Chavantes, ambas situadas no Rio Paranapanema, são ativos estratégicos da companhia, com relevância tanto no portfólio de geração da empresa quanto na estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A possibilidade de prorrogação das concessões representa um movimento de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e continuidade de operação eficiente para os ativos.
Com o leilão do MCP, a Rio Paranapanema Energia avança em um cenário de transição energética e modernização do parque gerador nacional, assegurando a operação de longo prazo de empreendimentos que contribuem para a estabilidade e renovabilidade da matriz elétrica brasileira.
Governança e transparência no processo
A companhia informou que manterá seus acionistas e o mercado atualizados sobre os desdobramentos relacionados à operação, respeitando os dispositivos legais previstos na Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) e na Resolução CVM nº 44/2021, que trata da divulgação de atos ou fatos relevantes pelas companhias abertas.
Ao consolidar uma posição relevante no leilão MCP, a Rio Paranapanema Energia também reforça sua atuação responsável perante o setor, alinhada aos objetivos de sustentabilidade, previsibilidade operacional e competitividade econômica.
Prorrogação de concessões como tendência
O movimento da Rio Paranapanema acompanha uma tendência observada entre outros agentes do setor hidrelétrico que buscam aproveitar os instrumentos da nova legislação para estender o prazo de concessões relevantes. Essa possibilidade passou a ganhar tração com a consolidação dos marcos regulatórios pós-2020, em que o governo e os agentes estruturaram modelos de compensação baseados na quitação de valores pendentes no MCP.
A flexibilidade introduzida com os títulos vinculados ao risco hidrológico possibilita às empresas a gestão eficiente de seus ativos e investimentos em modernização, digitalização e ampliação da performance operacional.
Próximos passos e expectativa do mercado
Com a conclusão da operação junto à CCEE, a expectativa do mercado é que a Rio Paranapanema dê sequência aos trâmites de formalização da prorrogação das concessões junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e demais órgãos competentes. O mercado observa com atenção os efeitos do edital MCP sobre a liquidez do setor e os movimentos estratégicos de outros players que podem aderir às próximas rodadas.
A atuação da companhia reflete a importância dos mecanismos criados para enfrentar os desequilíbrios do passado, mas também aponta para um futuro com maior robustez regulatória e investimentos sustentáveis na geração hidrelétrica brasileira.



