Plano prevê instalação de sistemas fotovoltaicos individuais para moradores em área de proteção integral; reuniões com comunidade definem próximos passos para licenciamento e implantação
A Copel apresentou nesta quinta-feira, 31 de julho, um projeto inédito de fornecimento de energia elétrica a partir de fonte solar para a comunidade da Ponta Oeste da Ilha do Mel, no litoral do Paraná. Localizada em uma região cercada pela Estação Ecológica da Ilha do Mel — unidade de conservação de proteção integral — a área tem características ambientais e legais que restringem intervenções convencionais de infraestrutura. Diante desse contexto, a proposta da Copel busca uma solução inovadora, sustentável e participativa, por meio da instalação de sistemas fotovoltaicos individuais para as moradias da região.
A reunião, realizada com representantes da Copel, do Ministério Público do Paraná e do Instituto Água e Terra (IAT), reuniu moradores locais para uma escuta ativa e detalhamento técnico do projeto. O encontro marcou o início das tratativas que visam compatibilizar a chegada da energia com a preservação ambiental e o modo de vida da comunidade tradicional.
Energia limpa e autonomia garantida
Segundo o projeto, cada residência receberá um sistema solar fotovoltaico independente, com estrutura de suporte em fibra de vidro ou alumínio — materiais resistentes à salinidade típica de áreas litorâneas. As estruturas foram dimensionadas para garantir um fornecimento mínimo de 80 kWh/mês, podendo alcançar até 128 kWh/mês nos períodos de maior insolação. Os sistemas terão potência de 1.250 watts, tensão de 127 volts e baterias com autonomia de até 48 horas.
“A companhia está considerando 48 horas, prazo superior ao que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece”, explicou Charles Ijaille, engenheiro de normas e procedimentos da Copel.
As instalações devem respeitar uma faixa de segurança de três metros no entorno de cada sistema, que precisa permanecer livre de construções ou vegetação alta para permitir o acesso técnico da concessionária para vistorias e manutenções. A previsão é atender cerca de 20 residências, com possibilidade de contemplar espaços comunitários se necessário.
Segurança, responsabilidade e papel da comunidade
Durante a reunião, foram reforçadas orientações de segurança e diretrizes de uso. Os moradores não poderão compartilhar a energia com outras moradias nem realizar qualquer intervenção no sistema. As manutenções e inspeções só poderão ser feitas pela Copel ou empresas por ela autorizadas.
Cabe à Copel assegurar o fornecimento contínuo dentro dos parâmetros estabelecidos, além de realizar manutenções preventivas e atendimentos emergenciais. À comunidade, caberá zelar pelas estruturas, manter acesso livre às instalações, atualizar seus dados cadastrais e comunicar qualquer ocorrência à empresa.
Próximos passos: diálogo, licenciamento e implantação
O processo de implantação do projeto será conduzido em três fases principais. A primeira delas ocorrerá em 14 de agosto, com nova reunião para escuta das propostas da comunidade e levantamento de campo. Em 21 de agosto, está prevista uma segunda reunião, desta vez com a devolutiva formal e a assinatura dos acordos.
Após essa etapa, a Copel iniciará o trâmite para obtenção de licenças ambientais junto ao Instituto Água e Terra e autorização da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), uma vez que a Ilha do Mel é tombada como patrimônio cultural. A liberação pode ser acelerada se a documentação estiver completa.
“Avalio que essa reunião foi muito boa e o IAT entendeu onde consegue, de forma mais efetiva, apoiar na agilidade da implantação deste sistema”, avaliou Altamir Hacke, chefe regional do IAT Litoral.
A previsão para contratação das obras e aquisição dos materiais é de três a cinco meses. A execução e energização das unidades deverá ocorrer entre três e nove meses após essa fase, dependendo de fatores externos como clima e prazos regulatórios.
Repercussão positiva entre os moradores
A presidente da Associação dos Nativos e Pescadores da Ponta Oeste da Ilha do Mel (ANAPPOIM), Dirceia Gomes Pereira de Souza, demonstrou entusiasmo com o projeto.
“Foi muito bem explicado, tiramos nossas dúvidas. Agora, vamos continuar para chegar às conclusões do projeto. A luz faz muita falta. Estamos esperando que a energia venha ajudar tanto nós, nativos, quanto os turistas”, declarou.
Para o promotor Olympio de Sá Sotto Maior Neto, do Ministério Público do Paraná, o diálogo iniciado com a comunidade já representa avanço:
“A reunião realizada começa a atender à expectativa da comunidade. A Copel demonstrou que há uma evolução no sistema fotovoltaico, com baterias e placas melhores”.
Energia sustentável em área protegida: um desafio viável
A proposta apresentada pela Copel para a Ponta Oeste da Ilha do Mel representa mais do que uma solução técnica de energia: é um modelo de diálogo e integração entre desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e protagonismo comunitário.
O respeito às especificidades ambientais da região, a escuta ativa dos moradores e a busca por uma infraestrutura resiliente e eficiente reforçam o compromisso da Copel com a inclusão energética em territórios sensíveis.



