INB conclui operação estratégica de transporte de urânio enriquecido para recarga de Angra 2

Material proveniente da Europa será utilizado na fabricação de combustível nuclear com gadolínio para garantir segurança e continuidade da geração energética da usina da Eletronuclear

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) finalizou, nesta terça-feira (22/07), uma operação logística estratégica envolvendo o recebimento e o transporte de 388 varetas de combustível nuclear enriquecido com urânio e gadolínio. A carga, oriunda da Europa, será empregada na fabricação dos elementos combustíveis destinados à 21ª recarga da usina Angra 2, uma das unidades geradoras de energia nuclear operadas pela Eletronuclear no estado do Rio de Janeiro.

O material, contendo pastilhas enriquecidas a 2,90% e 4,25% de U-235, chegou ao porto do Rio de Janeiro em um contêiner transportado da cidade de Roterdã, na Holanda. As varetas foram produzidas pela Framatome, empresa especializada em tecnologia nuclear, com sede na Alemanha. Após o desembarque, a carga seguiu, sob rigorosa escolta, até a Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) da INB, localizada em Resende (RJ).

Transporte seguro e protocolos rígidos

A operação de transporte foi integralmente conduzida pela própria INB, com observância estrita dos protocolos estabelecidos nos planos previamente aprovados pelos órgãos reguladores e de fiscalização. Todo o procedimento priorizou a segurança da carga, da população e do meio ambiente, considerando a natureza sensível e estratégica do material nuclear envolvido.

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A complexidade da operação demandou articulação entre diversas instituições de segurança e defesa, sob a coordenação do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI-PR). Também participaram da ação a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Ministério da Defesa, a Guarda Portuária e o Centro Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (Cenagen), entre outros órgãos.

Gadolínio: controle da reatividade e aumento da vida útil do combustível

As varetas transportadas são compostas por urânio enriquecido e gadolínio, um elemento absorvedor de nêutrons fundamental para o controle da reação de fissão nuclear dentro dos reatores. Ao serem utilizadas na composição dos elementos combustíveis, essas varetas contribuem para garantir maior estabilidade e segurança operacional das usinas.

A INB emprega o gadolínio como uma solução técnica para gerenciar a reatividade inicial dos reatores, promover a queima progressiva dos elementos e melhorar a distribuição da potência ao longo do núcleo. Além disso, a presença do gadolínio nos combustíveis permite o prolongamento da vida útil dos elementos, favorecendo o desempenho energético das unidades geradoras.

A fábrica de Resende é a responsável pela produção dos elementos combustíveis que abastecem as usinas de Angra 1 e Angra 2. Trata-se de uma estrutura essencial para a soberania do Brasil no ciclo do combustível nuclear, assegurando autossuficiência tecnológica e segurança energética ao país.

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Recarga de Angra 2: parte crítica da operação da usina

O envio das varetas faz parte dos preparativos para a 21ª recarga da usina Angra 2, etapa crítica e planejada do ciclo de operação da unidade. A recarga ocorre a cada 14 meses e consiste na substituição de cerca de um terço dos elementos combustíveis do reator. Cada elemento permanece em operação por três ciclos completos, totalizando aproximadamente três anos de utilização contínua.

Esse processo garante não apenas a continuidade na geração de energia, mas também a manutenção dos elevados padrões de segurança exigidos na operação de instalações nucleares. A energia gerada por Angra 2 é considerada limpa, estável e essencial para a matriz elétrica brasileira, particularmente na Região Sudeste.

A Eletronuclear, estatal vinculada à Eletrobras, é responsável pela operação das usinas nucleares brasileiras e atua em coordenação com a INB para assegurar a disponibilidade e a qualidade dos combustíveis utilizados nas recargas periódicas.

Energia nuclear no Brasil: estabilidade, segurança e tecnologia nacional

O avanço de operações como a realizada pela INB reforça o papel estratégico da energia nuclear no Brasil. Além de prover uma fonte estável de geração energética, com baixos índices de emissão de carbono, o setor nuclear brasileiro destaca-se pelo domínio tecnológico e pelo rigor na condução de processos regulatórios e logísticos.

A parceria com empresas internacionais, como a Framatome, e a capacidade da INB em gerenciar toda a cadeia de produção do combustível — do enriquecimento à fabricação e entrega — posicionam o Brasil entre os poucos países que dominam integralmente esse ciclo com fins pacíficos.

Em um cenário de crescente demanda por fontes de energia seguras e sustentáveis, a energia nuclear se apresenta como um pilar complementar à matriz energética nacional, alinhando segurança operacional, inovação tecnológica e compromisso ambiental.

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