Neoenergia e Ambev firmam parceria em contrato de autoprodução eólica para suprir 55 MW médios de energia renovável

Companhia de bebidas terá participação em três usinas do Complexo Oitis, em operação no Piauí e na Bahia; acordo reforça tendência de industrialização verde via autoprodução por equiparação

A Neoenergia e a Ambev anunciaram, na última sexta-feira (18), uma nova parceria estratégica no campo da energia renovável. Por meio de um contrato de autoprodução por equiparação, a Ambev passará a ter participação em três usinas do Complexo Eólico Neoenergia Oitis — unidades Oitis 3, Oitis 5 e Oitis 7 — localizadas entre os estados do Piauí e da Bahia. O acordo prevê o suprimento de 55 megawatts médios (MWm) de energia até o ano de 2033.

A operação, que já recebeu aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em junho deste ano, ainda está sujeita a outras condições precedentes usuais para esse tipo de contrato. O modelo de autoprodução por equiparação permite que empresas se tornem sócias de projetos de geração para acessar energia limpa a preços mais competitivos no ambiente de contratação livre (ACL).

Energia renovável como vetor da competitividade

A Neoenergia, uma das maiores companhias de energia do país e controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, reforça com este contrato seu papel como habilitadora da transição energética brasileira, ao viabilizar o uso industrial de fontes limpas e competitivas. “Temos uma estratégia sólida em que o cliente está no centro dos nossos negócios. Por isso, esta é mais uma parceria que reflete nossa capacidade de oferecer no longo prazo soluções energéticas personalizadas que ampliam a competitividade industrial”, afirmou Eduardo Capelastegui, CEO da Neoenergia.

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Do lado da Ambev, o contrato está alinhado à meta da companhia de operar com energia 100% renovável em todas as suas fábricas. Ao assegurar uma fonte própria de suprimento de longo prazo por meio da autoprodução, a empresa avança na estratégia de descarbonização da cadeia produtiva e na previsibilidade de seus custos energéticos, um dos principais componentes da estrutura de despesas industriais.

Complexo Oitis: infraestrutura para a transição energética

O Complexo Eólico Neoenergia Oitis é composto por 12 parques eólicos, equipados com 103 aerogeradores de 5,5 MW cada. Com uma capacidade instalada total de 566,5 MW, o empreendimento é capaz de gerar energia suficiente para abastecer uma cidade com aproximadamente 2,7 milhões de habitantes. As usinas operam em áreas de alto potencial eólico entre os municípios do Piauí e da Bahia, duas das regiões mais atrativas para projetos do tipo no Brasil.

O parque representa um marco da Neoenergia no segmento de geração renovável centralizada, sendo um dos maiores ativos da companhia nessa modalidade. Com a entrada da Ambev como autoprodutora por equiparação, a estrutura do complexo ganha ainda mais relevância como solução energética para clientes corporativos, especialmente aqueles comprometidos com metas ESG e descarbonização.

Tendência de industrialização verde acelera no mercado livre

A parceria entre a Neoenergia e a Ambev reforça uma das principais tendências do setor energético brasileiro: a industrialização verde por meio da autoprodução no mercado livre. A modalidade tem ganhado força entre grandes consumidores, sobretudo diante do avanço regulatório que permite a migração de unidades para o ACL e da necessidade crescente de reduzir emissões.

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Além de viabilizar energia mais barata e limpa, contratos desse tipo permitem estabilidade contratual em horizontes de longo prazo — algo estratégico em tempos de alta volatilidade tarifária no mercado regulado.

Segundo dados da CCEE, o modelo de autoprodução por equiparação já movimenta dezenas de TWh ao ano, e a expectativa é que esse número cresça com a abertura do mercado a novos perfis de consumidores e com o amadurecimento das políticas públicas voltadas à energia renovável e competitividade industrial.

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