Estimativa de julho recua para 63,7% da capacidade; cenário segue de pleno atendimento, mas exige medidas preventivas e reforço térmico durante horários de pico
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu nesta sexta-feira (19) a projeção para os níveis de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos das regiões Sudeste e Centro-Oeste ao final de julho. A nova estimativa aponta volume útil de 63,7% da capacidade, abaixo dos 64,3% previstos na semana anterior e dos 64,8% registrados atualmente.
A revisão, embora discreta, reforça o alerta para o comportamento das vazões no período seco, que se estende até outubro. O ONS também atualizou as previsões de afluências — volume de água que chega às usinas — indicando redução para 80% da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste, frente aos 82% estimados anteriormente.
Chuvas e afluências têm ajustes pontuais
O boletim semanal do ONS apresentou pequenos ajustes nas estimativas de Energia Natural Afluente (ENA), indicador que mede o potencial de geração hidrelétrica a partir das chuvas. Para o Sul do país, a previsão subiu de 113% para 115% da média de longo termo, enquanto as estimativas para o Nordeste e o Norte foram mantidas em 47% e 66%, respectivamente.
Apesar da leve deterioração no Sudeste/Centro-Oeste — principal região de armazenamento e geração do país — o cenário hidrológico atual não representa risco imediato ao suprimento, segundo o operador. Ainda assim, exige monitoramento constante, sobretudo em um ano de temperaturas elevadas e aumento do uso de energia para refrigeração.
Demanda de energia recua em julho
O ONS também manteve a previsão de queda da carga elétrica nacional para o mês de julho. A expectativa é de uma redução de 1,3% na comparação com julho de 2024, totalizando 74.839 megawatts médios (MWm). O recuo é atribuído a temperaturas mais amenas e menor atividade industrial em algumas regiões.
Em nota, o operador destacou que, embora a demanda esteja controlada, o sistema requer ações preventivas para o atendimento nos horários de ponta, quando o consumo atinge os maiores níveis diários, geralmente entre o fim da tarde e o início da noite.
Termelétricas da Eneva ganham papel estratégico
Durante a reunião desta semana do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), foram definidas medidas para reforçar a segurança operativa do sistema, especialmente nos momentos críticos do período seco.
Entre as ações aprovadas está a viabilização do uso de usinas termelétricas com maior flexibilidade, como as plantas Luiz Oscar Rodrigues de Melo e Porto do Sergipe I, ambas da Eneva. Movidas a gás natural liquefeito (GNL), as unidades estão aptas a operar sob despacho excepcional em caso de necessidade de suporte à rede.
Segundo o ONS, “o cenário geral para o restante do ano permanece de ‘pleno atendimento’, mas requer constante monitoramento ao longo do período seco”. A recomendação é de que o despacho dessas térmicas ocorra sem a antecedência usual de 60 dias, conferindo maior agilidade ao operador no enfrentamento de situações pontuais de estresse no sistema.
Geração térmica e planejamento antecipado
A estratégia do governo e do ONS para 2025 segue a linha de planejamento antecipado e uso criterioso da geração térmica, buscando preservar os níveis dos reservatórios sem comprometer a confiabilidade do fornecimento. O despacho preventivo de térmicas, sobretudo as movidas a GNL, é uma alternativa viável e rápida para atender picos de carga em momentos críticos, como durante ondas de calor ou seca prolongada.
Com o volume de chuvas abaixo da média em partes do Sudeste e do Norte, a combinação de fontes térmicas e renováveis intermitentes (como solar e eólica) deve continuar sendo essencial para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN) nos próximos meses.
Alerta permanece ligado no setor elétrico
O boletim do ONS reforça que, embora não haja risco imediato de racionamento ou falta de energia, o período seco exige atenção redobrada e coordenação entre os agentes do setor.
O bom desempenho dos reservatórios no primeiro semestre, aliado a uma matriz cada vez mais diversificada, dá ao Brasil margem operacional para suportar variações hidrológicas moderadas, mas eventos extremos não podem ser descartados, especialmente com o histórico recente de crises energéticas e mudanças climáticas em curso.



