MME reforça papel estratégico do gás natural para reduzir custos, estimular investimentos e impulsionar transição energética no país
O gás natural voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento industrial e segurança energética no Brasil. Durante o seminário Energia 360 Alagoas, realizado nesta quarta-feira (16), o Ministério de Minas e Energia (MME) reiterou o papel estratégico do programa Gás Para Empregar como alavanca para impulsionar a reindustrialização nacional, fortalecer a segurança energética e viabilizar a transição para uma matriz mais limpa.
No painel “Gás Natural em Expansão – Desafios & Oportunidades”, representantes do governo federal e especialistas do setor discutiram os entraves à expansão do gás no país, as oportunidades criadas pelo novo marco legal e a urgência de medidas estruturantes que assegurem previsibilidade e redução de custos para consumidores industriais.
Oferta maior, custo menor
Representando o ministro Alexandre Silveira, o secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes, defendeu a ampliação da oferta e da infraestrutura logística do energético como condição essencial para garantir competitividade à indústria brasileira. Segundo ele, o gás natural não só é chave para a retomada econômica, como também desempenha papel relevante no processo de descarbonização.
“O Governo Federal trabalha para promover um aumento expressivo da oferta de gás natural, com o fortalecimento da produção nacional e a ampliação da infraestrutura de escoamento, processamento e transporte. Isso é fundamental para reduzir o custo do gás e estimular a demanda em todos os segmentos da economia”, afirmou Mendes.
A fala reforça uma diretriz estratégica do MME: tornar o gás natural um insumo acessível, previsível e competitivo para setores industriais intensivos em energia, como siderurgia, cerâmica, papel e celulose, além de transporte e geração elétrica.
Expansão depende de articulação com estados e agentes reguladores
Durante os debates, foi consenso que o crescimento do uso do gás natural exigirá coordenação entre União, governos estaduais, iniciativa privada e reguladores. Embora o marco legal do gás tenha avançado, ainda há entraves regulatórios e tarifários que limitam a entrada de novos ofertantes e o livre acesso às infraestruturas essenciais, como gasodutos e unidades de processamento.
Além disso, o ambiente de negócios ainda carece de estabilidade regulatória, especialmente para novos projetos de escoamento e distribuição. O Brasil conta com vastas reservas, mas esbarra na limitação da malha de transporte e na concentração da produção no Sudeste e Nordeste. Levar o gás até os polos industriais com eficiência e custos viáveis é hoje o principal desafio logístico.
Potencial para apoiar a transição energética
Outro ponto levantado por Mendes foi o papel do gás natural como combustível de transição, ao lado das renováveis. O energético pode atuar como fonte de base para o sistema elétrico, compensando a intermitência de fontes como solar e eólica, além de viabilizar o uso de gás veicular e GNL (gás natural liquefeito) no transporte de cargas.
“O gás natural tem papel estratégico na transição energética nacional, ao estimular a descarbonização da indústria e do transporte de carga, além de garantir flexibilidade ao setor elétrico diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes”, destacou o secretário.
O programa Gás Para Empregar, lançado em 2023, tem como premissa central ampliar o acesso ao energético por meio de parcerias público-privadas, destravar investimentos em infraestrutura e incentivar contratos de longo prazo que deem previsibilidade de preços aos consumidores.
Energia como vetor de desenvolvimento regional
O seminário Energia 360 Alagoas também teve como foco o papel da energia na promoção do desenvolvimento regional. Alagoas é um dos estados com maior potencial para se beneficiar da interiorização do gás, seja por meio de novos gasodutos ou do uso de GNL em regiões não conectadas à malha atual.
A ampliação do acesso ao gás pode contribuir para desconcentrar o crescimento industrial e estimular polos produtivos em regiões hoje marginalizadas, além de atrair novos investimentos em setores como fertilizantes, refino, alimentos e bebidas.
Perspectivas para os próximos anos
Com a demanda global por energia em transformação e a necessidade de reindustrialização do país, o gás natural assume um protagonismo inédito. Mas, para cumprir esse papel, será necessário enfrentar entraves históricos — como alta carga tributária, burocracia regulatória e gargalos de infraestrutura.
O MME sinalizou que o Gás Para Empregar será fortalecido nos próximos meses, com novos projetos-piloto, incentivos à competitividade na oferta e parcerias com estados para expansão das redes de distribuição. O programa é parte de uma agenda maior do governo federal, que busca aliar segurança energética, sustentabilidade e desenvolvimento econômico com geração de emprego e renda.



