MME recebe executivo da S&P Global para debater como o país pode consolidar sua matriz limpa e garantir resiliência energética diante das tensões internacionais
Em um momento em que a geopolítica global redefine os fluxos de energia, o Ministério de Minas e Energia (MME) promoveu nesta terça-feira (16) um encontro estratégico com o vice-presidente sênior da S&P Global e chefe de Geopolítica e Assuntos Internacionais, Carlos Pascual. A pauta principal foi a interseção entre os desafios geopolíticos e a necessidade de garantir segurança energética em paralelo ao avanço da transição para fontes mais limpas.
Representando o ministro Alexandre Silveira, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes, destacou a importância da modernização regulatória, da diversificação da matriz e da ampliação dos investimentos em infraestrutura como pilares da estratégia brasileira. Segundo ele, o cenário internacional em transformação exige respostas rápidas, mas ancoradas em planejamento técnico e visão de longo prazo.
“Nosso compromisso no MME é criar as condições necessárias para que o Brasil continue ampliando sua oferta de energia limpa e fortalecendo a segurança energética diante de um cenário global cada vez mais complexo. Precisamos transformar nossos recursos e reafirmar nossa matriz, que é uma das mais limpas do mundo, em uma vantagem estratégica para o desenvolvimento nacional”, afirmou Mendes.
Brasil em posição estratégica, mas com desafios internos
Durante a apresentação, Carlos Pascual reforçou o posicionamento do Brasil como um dos países mais bem preparados para liderar a transição energética mundial, graças à sua matriz elétrica majoritariamente renovável. No entanto, alertou que, apesar dessa vantagem comparativa, o país ainda enfrenta obstáculos estruturais para consolidar sua liderança global no setor.
Entre os principais desafios apontados estão a necessidade de investimentos robustos em flexibilidade do sistema elétrico — com destaque para o papel do gás natural como fonte de segurança em momentos de baixa disponibilidade de renováveis — e o avanço das tecnologias de armazenamento, como baterias em larga escala.
Segundo Pascual, a tensão crescente em mercados produtores de energia fóssil, os riscos à logística global e as disrupções no fornecimento de insumos estratégicos tornam imperativa a busca por autossuficiência e resiliência nos sistemas energéticos nacionais. Nesse contexto, o Brasil, ao combinar abundância de recursos com estabilidade institucional, pode assumir um papel de “hub energético” regional e global.
Segurança energética e transição não são antagônicas
O debate também trouxe à tona um ponto central nas políticas energéticas contemporâneas: a reconciliação entre segurança energética e transição para fontes renováveis. De acordo com Pietro Mendes, essa não é uma escolha excludente, mas sim uma equação que exige coordenação institucional, investimento privado e evolução regulatória.
“O uso do gás natural como energia de transição, a ampliação de redes de transmissão e a digitalização da operação do sistema são elementos essenciais para assegurar uma transição segura. A combinação de fontes, a descentralização e a flexibilidade vão definir o sucesso das novas políticas energéticas”, reforçou o secretário.
Além disso, destacou-se o papel do Brasil em plataformas multilaterais como G20, BRICS e OMC, onde o país vem defendendo regras comerciais e financeiras que incentivem tecnologias limpas, viabilizem financiamento climático e protejam países em desenvolvimento de choques externos.
Caminho adiante: investimentos, regulação e inovação
O encontro também enfatizou a necessidade de ações coordenadas para que o Brasil avance na descarbonização com segurança. O MME reafirmou seu compromisso com uma agenda que promova:
- Planejamento energético de longo prazo;
- Modernização do marco regulatório para renováveis e hidrogênio verde;
- Incentivo à indústria nacional de equipamentos para energia limpa;
- Fortalecimento de mecanismos de financiamento verde;
- Expansão de redes e digitalização da infraestrutura elétrica.
A apresentação de Carlos Pascual encerrou com uma mensagem otimista: “O Brasil tem uma janela de oportunidade única. O mundo está olhando para soluções. Vocês já têm boa parte delas — agora é hora de escalar.”



