Rosatom reforça parceria com o Brasil e mira expansão no setor nuclear com fornecimento de combustível para Angra

Estatal russa destaca cooperação estratégica durante fórum empresarial no Rio de Janeiro e amplia atuação no Brasil com foco em energia nuclear e saúde

A estatal russa Rosatom, uma das maiores corporações do mundo no setor nuclear, reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil durante o Fórum Empresarial Rússia-Brasil, realizado no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes governamentais, empresários e especialistas de ambos os países com o objetivo de impulsionar o comércio bilateral e firmar novas parcerias estratégicas em áreas-chave — com destaque para a energia.

Durante o encontro, o diretor do Centro Regional da Rosatom para a América Latina, Ivan Dybov, ressaltou as frentes de atuação da empresa no Brasil, com ênfase em dois pilares: o fornecimento de produtos do ciclo do combustível nuclear para a Usina de Angra dos Reis e a exportação de isótopos para aplicações médicas, ambos por meio de contratos de longo prazo.

“A Rosatom coopera com o Brasil há muitos anos em áreas estratégicas como medicina e energia. Fornecemos produtos isotópicos para a medicina nuclear brasileira, contribuindo para o diagnóstico e o tratamento do câncer. E após vencer licitações públicas, conquistamos o direito de fornecer produtos do ciclo do combustível nuclear para Angra”, afirmou Dybov.

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Energia nuclear como eixo da transição energética

A participação da Rosatom ocorre em um momento em que o Brasil busca consolidar uma matriz energética mais limpa, segura e estável, especialmente diante dos desafios impostos pela variabilidade das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Nesse contexto, a energia nuclear ressurge como uma alternativa estratégica para assegurar abastecimento constante e de base, além de contribuir para os compromissos de descarbonização assumidos pelo país no Acordo de Paris.

O fornecimento de combustível para a Usina Nuclear de Angra, a única em operação no Brasil, é um dos exemplos da cooperação consolidada entre Brasil e Rússia. A usina representa atualmente cerca de 2% da matriz elétrica nacional, mas há potencial para expansão com o avanço do projeto Angra 3 e a inclusão de novos reatores modulares e tecnologias avançadas no plano de longo prazo.

Para especialistas do setor, a experiência da Rosatom em projetos internacionais de geração nuclear — com atuação em mais de 50 países — pode contribuir decisivamente para a ampliação do parque nuclear brasileiro, inclusive com transferência de tecnologia, financiamento e capacitação técnica.

Cooperação energética e diplomacia estratégica

O Fórum Empresarial Rússia-Brasil, organizado pelo Conselho Empresarial Rússia-Brasil com apoio da Fundação Roscongress, decorre dos compromissos firmados durante a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin, realizada em maio de 2025 em Moscou. O encontro buscou fortalecer os laços bilaterais e identificar áreas prioritárias para investimento conjunto.

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A pauta energética foi destaque nos diálogos, especialmente com foco em segurança energética, investimentos cruzados e expansão da capacidade instalada. A Rosatom surge nesse cenário como ator-chave, tanto pelo know-how tecnológico quanto pela disposição de ampliar sua presença na América Latina por meio de projetos estruturantes.

Além do campo energético, a empresa também coopera com o Brasil no setor da medicina nuclear, por meio do fornecimento de isótopos para hospitais e centros de diagnóstico. O uso desses insumos é essencial para a realização de exames por imagem e tratamentos oncológicos, sobretudo no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa atuação contribui diretamente para a ampliação do acesso à saúde de qualidade no país.

Próximos passos: novas tecnologias e oportunidades

O avanço dessa parceria pode se desdobrar em novos acordos para fornecimento de reatores modulares pequenos (SMRs), tecnologias de fusão nuclear, gerenciamento de resíduos radioativos e cooperação científica entre universidades e centros de pesquisa dos dois países.

Em tempos de aumento da demanda energética, mudanças climáticas e pressão por fontes livres de carbono, o papel da energia nuclear no Brasil tende a crescer, e a Rosatom se posiciona como um dos principais parceiros internacionais para essa jornada.

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