Estudo inédito da Eletrobras avalia impacto do solo na eficiência de usinas solares bifaciais

Pesquisadores concluem que tipo de solo pode influenciar a produtividade e a sustentabilidade de projetos fotovoltaicos; áreas rochosas apresentam melhor custo-benefício

A Eletrobras concluiu um estudo inédito sobre a influência de diferentes tipos de solo na produtividade de usinas solares equipadas com placas bifaciais. A pesquisa foi conduzida na Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (RO), e avaliou, ao longo de sete meses, seis tipos distintos de solo em um parque fotovoltaico de 14 mil m². O objetivo foi mensurar a geração de energia em módulos solares que produzem eletricidade em ambos os lados, utilizando também a radiação refletida no solo.

O projeto, desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e a empresa Volt Max Engenharia, instalou 1.440 módulos com capacidade total de 735 kWp (quilowatt-pico). Esse arranjo representa cerca de 10% do porte de uma usina fotovoltaica comercial, mas, no contexto de pesquisa, é o primeiro estudo em larga escala no Brasil a explorar a relação entre cobertura do solo e desempenho de placas bifaciais.

“A energia solar é um modelo de fonte limpa e renovável, mas para fins comerciais é necessário destinar áreas extensas. Além das placas bifaciais gerarem mais energia que as monofaciais, a pesquisa demonstrou que escolher o solo pedregoso diminui custos de investimento, pode contribuir para reduzir o impacto ambiental e tornar projetos de energia solar mais sustentáveis”, avalia André Schiante, gerente de Engenharia e Planejamento na Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (RO), onde a pesquisa foi realizada.

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Resultados e implicações para o setor solar

Entre os seis tipos de cobertura avaliados — ráfia, polietileno, grama sintética verde e branca, bidim e o solo pedregoso natural —, os dados mostraram que o polietileno apresentou a maior eficiência em geração energética. No entanto, seu custo de implementação é até 300% maior do que o solo pedregoso, que apresentou desempenho técnico muito próximo e com custo significativamente menor.

“A curto prazo o solo pedregoso se mostrou mais vantajoso nessa pesquisa do ponto de vista de investimento. Porém, a decisão de qual solo usar deve levar em consideração as estratégias do investidor, comparando as características do ambiente onde a planta será instalada, as especificidades do projeto e seus objetivos de curto e longo prazo”, detalha Schiante.

O estudo reforça que o tipo de solo não deve ser apenas avaliado pela eficiência de geração, mas também por critérios econômicos, ambientais e operacionais. O solo pedregoso, por exemplo, já é um tipo de terreno com baixa aptidão agrícola, o que reduz os impactos ambientais quando utilizado para projetos de geração solar.

“A energia solar é um modelo de fonte limpa e renovável, mas para fins comerciais é necessário destinar áreas extensas. E o estudo demonstrou que escolher áreas rochosas, além de otimizar custos de produção, também pode reduzir o impacto ambiental e tornar o projeto mais sustentável”, explicou Schiante.

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Produção energética e potencial de replicação

Durante o período de um ano, a usina gerou 680,953 MWh, energia suficiente para abastecer cerca de 446 residências médias no Brasil. Toda a eletricidade produzida foi utilizada nas instalações da hidrelétrica e no abastecimento de veículos elétricos da Eletrobras, uma vez que a planta funcionou como laboratório experimental.

“A pesquisa trouxe, com dados reais, a relação entre o tipo de cobertura do solo e a energia gerada, um elemento importantíssimo para o projeto e previsibilidade de resultados de geração fotovoltaica com módulos bifaciais. Os números também permitem planejar o aumento da produção em usinas já existentes”, complementa André Gimenes, coordenador do Grupo de Energia do Departamento de Energia e Automação Elétricas da USP.

Dados anuais por tipo de solo:

Tipo de SoloGeração (MWh)N° de Residências
Polietileno120,33680
Pedregoso (solo natural)117,29778
Grama sintética branca115,86177
Bidim115,80777
Ráfia107,44972
Grama sintética verde104,20369

Contribuição para a inovação no setor elétrico

A iniciativa integra o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em conformidade com a Lei nº 9.991/2000, que obriga empresas de geração hidrelétrica a destinar pelo menos 1% da sua receita operacional líquida para ações de pesquisa, desenvolvimento e eficiência energética.

O relatório completo será disponibilizado para consulta pública no site da ANEEL, contribuindo com a evolução de projetos solares em todo o país.

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