Reservatórios do SE/CO devem fechar julho com 64,6% da capacidade, aponta ONS

ONS ajusta projeções de afluência e carga elétrica para o mês; cenário mantém estabilidade e reforça importância da gestão hídrica e energética

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, em boletim recente, novas projeções para os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste — o mais relevante para o suprimento energético do país. Segundo o órgão, a estimativa atualizada é de que os reservatórios encerrem o mês de julho com 64,6% de sua capacidade, ligeiramente abaixo dos 65,1% previstos na semana anterior e dos 66,2% registrados nesta sexta-feira (4).

A leve revisão para baixo na estimativa ocorre em meio à atualização também das expectativas de energia natural afluente (ENA), ou seja, a quantidade de água que chega aos reservatórios e que pode ser convertida em energia elétrica. Para o Sudeste/Centro-Oeste, a previsão passou de 82% para 83% da média histórica, indicando uma melhora marginal nas afluências esperadas para o período.

Apesar do recuo na projeção de armazenamento, os percentuais ainda se mantêm dentro de um patamar considerado confortável para o período seco do ano, reforçando a resiliência do sistema após anos de crise hídrica e de forte dependência da geração térmica.

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Afluências regionais mostram estabilidade e leve crescimento

O boletim semanal do ONS também atualizou as previsões para as demais regiões do país:

  • Sul: afluências esperadas em 115% da média histórica, frente aos 113% da semana anterior — um aumento modesto, mas relevante em um subsistema altamente volátil.
  • Nordeste: manutenção do índice em 41%, sinalizando um comportamento típico do período seco para a região.
  • Norte: ajuste para baixo, de 66% para 64% da média histórica.

Esses números apontam para um cenário hidrológico que, embora heterogêneo, tende a manter estabilidade no despacho das fontes renováveis, sobretudo das hidrelétricas, sem a necessidade imediata de acionar termelétricas mais caras ou poluentes.

Demanda de energia segue em ritmo moderado

Outro dado relevante do boletim é a carga total do Sistema Interligado Nacional (SIN). A previsão do ONS é de que o consumo médio de energia elétrica no país atinja 76.009 megawatts médios (MWm) ao longo de julho de 2025 — o que representa um crescimento de 0,3% em relação ao mesmo mês de 2024.

Na semana anterior, a estimativa era de alta de 0,2%, o que demonstra uma ligeira aceleração, compatível com a retomada gradual de atividades industriais e o comportamento de sazonalidade do consumo em regiões urbanas.

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Apesar de tímido, o crescimento da carga reflete uma tendência de retomada econômica e demanda sustentada por parte de setores como comércio e serviços, além da maior utilização de equipamentos de climatização em algumas regiões do país.

Perspectivas para o sistema elétrico brasileiro

As atualizações do ONS, embora sutis, são essenciais para a gestão segura e eficiente do sistema interligado, especialmente em um contexto de crescente diversificação da matriz energética nacional.

Com o avanço de fontes como a solar e a eólica, a função das hidrelétricas como reguladoras do sistema torna-se ainda mais estratégica. Manter os reservatórios em níveis satisfatórios permite flexibilidade no despacho de energia e maior segurança no atendimento à demanda.

Além disso, os dados ajudam a embasar decisões de curto prazo por parte dos agentes do setor elétrico, incluindo geradoras, distribuidoras e comercializadoras, que monitoram de perto a evolução dos reservatórios e da carga para definir estratégias operacionais e comerciais.

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