Por Diego Bortolucci, responsável pela área de SAP S/4HANA da SPS Group
ESG não é mais uma tendência. É um vetor inegociável de crescimento, competitividade e acesso a mercados. O que antes era uma pauta reputacional, hoje é critério decisório para investidores, clientes, talentos e conselhos. No Brasil, como exemplo, segundo o estudo “A Maturidade ESG nas Empresas Brasileiras: Avanços e Desafios 2024”, conduzido pela Beon ESG e Aberje, 64% das empresas já reconhecem o ESG como prioridade estratégica. Entretanto, uma constatação precisa ser feita: priorizar na estratégia não significa, necessariamente, executar na prática.
O desafio real não está mais em entender a importância do ESG, e sim em operacionalizar esse compromisso dentro dos processos, da governança e do modelo de negócios, e é aqui que Inteligência Artificial (IA) deixa de ser tendência tecnológica e passa a ser infraestrutura crítica para destravar, acelerar e sustentar essa transformação.
Empresas que dominam a convergência, “ESG + IA” não apenas cumprem sua agenda de sustentabilidade. Elas se tornam mais eficientes, mais rentáveis e mais resilientes, isso porque o ESG, apoiado por IA, não é sobre compliance. É sobre construir empresas que crescem, se perpetuam e geram valor no longo prazo.
Embora não seja uma tecnologia nova, a IA, cada vez mais, tem se mostrado uma importante aliada nas operações. A partir do seu uso, as organizações passam a obter ganhos desde maior eficiência, automatização de tarefas, redução de custos, previsibilidade, análises em tempo real, e controle, entre tantas outras vantagens que podem ser comprovadas através dos resultados conquistados. E, em se tratando do ESG, o recurso ganha ainda mais relevância, visto que pode apoiar a organização nos três pilares que formam o conceito.
O pilar Environmental (ambiental) deixou de ser apenas uma pauta de sustentabilidade e passou a ser uma agenda de sobrevivência empresarial, competitividade e expansão de mercados. Líderes que entendem isso sabem que não se trata apenas de reduzir emissões de carbono, mas de operar modelos produtivos mais eficientes, inteligentes e responsáveis e a Inteligência Artificial entra como protagonista nesse cenário.
Por meio da coleta, processamento e análise massiva de dados ambientais, a IA permite identificar padrões de consumo, prever impactos, otimizar recursos e gerar insights acionáveis que transformam operações de ponta a ponta, em sistemas mais sustentáveis e eficientes e com o aprendizado de máquina se adequar e se corrigir a cada etapa, mas sempre lembrando que onde há impacto ambiental, há, inevitavelmente, impacto social.
As empresas que reduzem desperdícios, controlam emissões e operam com eficiência não apenas cuidam do planeta, cuidam das pessoas, promovem ambientes de trabalho mais seguros, mais éticos e mais alinhados às demandas sociais contemporâneas e fortalecem a relação com colaboradores, comunidades e consumidores, que cada vez mais valorizam empresas comprometidas não só com o meio ambiente, mas com o coletivo.
Já o pilar social não pode mais ser tratado de forma isolada. Ele está diretamente conectado às práticas ambientais (E) e de governança (G), formando uma rede interdependente que define a resiliência, a reputação e a sustentabilidade das empresas, hoje, promover inclusão, saúde, segurança e bem-estar não é apenas uma responsabilidade ética, é uma estratégia de crescimento, retenção de talentos e fortalecimento da cultura organizacional e a Inteligência Artificial se torna uma aliada indispensável nessa construção.
A IA aplicada ao Social significa transformar dados em ações concretas para pessoas, permitindo desde a análise preditiva de segurança no ambiente de trabalho até a construção de programas de desenvolvimento personalizados, que se adaptam às competências, desafios e realidades de cada time, unidade ou operação, indo além, a IA conecta o Social ao Environmental, quando promove ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e eficientes, alinhados com práticas de redução de impacto ambiental e conecta à Governança, assegurando que políticas de diversidade, inclusão, segurança e desenvolvimento humano não fiquem no papel, mas sejam monitoradas, mensuradas e continuamente aprimoradas por meio de dados e inteligência em tempo real.
A governança, que visa garantir transparência, ética, compliance e responsabilidade com a gestão de riscos, é mais um ponto que a IA pode ajudar. Isso porque o recurso tem a capacidade de monitorar e garantir que as operações estejam ocorrendo em conformidade com leis e regulamentos, além de, através da automatização, conseguir analisar dados financeiro e identificar padrões suspeitos de fraudes e/ou atividades ilícitas.
Os exemplos aplicados em cada um dos itens que formam o conceito da agenda ESG são um demonstrativo da flexibilidade e adaptação que a IA possui. Sua atuação em diversos campos tem levado organizações no mundo todo a darem um salto importante na sua gestão. No entanto, para que sua aplicação seja efetiva, é primordial que haja o envolvimento de toda equipe, incluindo a alta gestão.
Isso é, de nada adianta ter um recurso altamente eficaz em mãos, sem que o time esteja preparado para utilizá-lo. Ademais, a liderança tem como um grande desafio desmistificar a ideia equivocada de que a tecnologia irá eliminar a mão de obra, quando, na verdade, ela vem para apoiar e simplificar a jornada de trabalho.
Esse direcionamento que deve ser adotado pelos líderes vem ao encontro do conceito da agenda ESG que visa unir os pilares que precisam ser tratados com prioridades pelas empresas. Afinal, é preciso cuidar do meio ambiente, das pessoas e, sobretudo, ter boas práticas de governança para assegurar resultados.
Contudo, junto com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. Embora a IA seja uma ferramenta eficaz, sua utilização requer cuidados desde a real compreensão do objetivo do seu uso até aspectos éticos, os quais envolvem o controle das informações compartilhadas e obtidas até a capacitação dos profissionais, orientando a extração e análise dos dados.
A Inteligência Artificial tem o potencial de deixar a agenda ESG ainda mais eficiente, assertiva e sustentável. Com o seu uso, sem dúvidas, as empresas podem melhorar o seu desempenho e, consequentemente, obter vantagem competitiva no mercado, bem como atrair investimentos, considerando que a organização passa a ser melhor posicionada frente às demais.
Não há como negar que estamos vivendo uma nova era, e a IA segue como protagonista. Deste modo, o quanto antes as organizações integrarem essa tecnologia no dia a dia, melhores serão seus resultados e preparação para cumprir seus deveres, incluindo os três pilares do ESG.



