Demanda de energia no Sistema Interligado Nacional recua 0,4% em maio, aponta ONS

Apesar da desaceleração pontual, carga acumulada dos últimos 12 meses cresceu 3,5%, com destaque para o avanço nas regiões Norte e Sul

A carga de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou uma leve retração de 0,4% em maio de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 78.687 megawatts médios (MWmed). Os dados são do Boletim Mensal de Carga, divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo o documento, fatores climáticos e o impacto do feriado prolongado do Dia do Trabalho contribuíram para essa variação negativa.

Embora o desempenho mensal tenha sido tímido, o acumulado dos últimos 12 meses revela uma trajetória oposta, com crescimento de 3,5% na carga do SIN em relação ao mesmo período anterior. O dado reafirma a tendência estrutural de expansão do consumo de energia elétrica no Brasil, especialmente em regiões que vêm apresentando maior atividade econômica e elevação de demanda residencial e industrial.

Análise por subsistemas: Sudeste desacelera, Norte lidera expansão

Entre os subsistemas, o destaque negativo ficou por conta do Sudeste/Centro-Oeste, que apresentou queda de 2,8%, somando 44.066 MWmed em maio. A região, responsável por boa parte da carga nacional, foi diretamente afetada pelas temperaturas mais amenas do que a média histórica, sobretudo nas capitais, o que reduziu o uso de aparelhos de climatização, um dos grandes vetores de consumo neste período do ano.

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Nas demais regiões, observou-se crescimento da carga, com destaque para o Norte, que registrou alta de 5,6% (8.099 MWmed), seguido pelo Nordeste, com 2,2% (13.324 MWmed), e pelo Sul, com incremento de 1,8% (13.198 MWmed). Esses resultados refletem o dinamismo econômico dessas regiões, além de características climáticas mais favoráveis ao aumento do consumo.

Quando se observa o desempenho acumulado dos últimos 12 meses, o cenário é ainda mais favorável. Todos os subsistemas apresentaram expansão: Norte (7,3%), Sul (4,7%), Sudeste/Centro-Oeste (2,8%) e Nordeste (2,7%).

Fatores conjunturais e estruturais influenciam demanda

Segundo o ONS, o comportamento da carga no mês de maio foi impactado por uma conjuntura específica de temperaturas mais baixas e efeitos do feriado prolongado de 1º de maio, que reduziu a atividade industrial e comercial em várias regiões. Essa combinação de fatores costuma impactar negativamente a demanda, especialmente em grandes centros urbanos.

No entanto, o crescimento sustentado ao longo de 12 meses indica uma tendência robusta de expansão da carga, compatível com a retomada gradual da atividade econômica, o avanço da digitalização e da eletrificação de setores como mobilidade urbana e infraestrutura de telecomunicações, além do uso crescente de equipamentos elétricos de maior eficiência e conforto nas residências.

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Implicações para o setor elétrico

Para os agentes do setor elétrico, os dados do ONS são fundamentais para a gestão da operação do sistema, o planejamento da expansão da oferta e o equilíbrio entre geração e demanda. A oscilação regional da carga também reforça a importância de investimentos em transmissão de energia, permitindo o escoamento eficiente de excedentes e evitando gargalos nas regiões de maior crescimento.

Além disso, o acompanhamento do comportamento da carga é essencial para a formulação de políticas públicas voltadas à eficiência energética, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável do setor elétrico brasileiro.

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