Relatório da OLADE destaca aumento de 4% na produção total de eletricidade em 2025, com forte protagonismo da energia hidrelétrica e avanço sustentável na matriz elétrica regional
A América Latina e o Caribe seguem demonstrando seu protagonismo na transição energética global. Em fevereiro de 2025, a geração elétrica na região alcançou 152 terawatts-hora (TWh), com 68% desse total proveniente de fontes renováveis, segundo o relatório mensal da Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).
O dado reforça a posição da região como uma das líderes globais em renovabilidade do setor elétrico, evidenciando os esforços crescentes para ampliar a presença de fontes limpas na matriz energética. A performance representa ainda um crescimento de 4% em relação ao mesmo mês de 2024, que havia registrado 146 TWh, resultado atribuído majoritariamente ao desempenho expressivo das usinas hidrelétricas, responsáveis por um incremento de 8,5 TWh.
Hidrelétrica em destaque e matriz diversificada
A energia hidrelétrica segue como a espinha dorsal da geração renovável na região, mas o relatório da OLADE também evidencia uma matriz elétrica diversificada e em processo contínuo de modernização. Após a hidreletricidade, o gás natural respondeu por 22,7% da geração, seguido pela energia eólica (8,5%), solar (4,5%) e nuclear (2,4%).
Essa distribuição demonstra que, mesmo com forte dependência das hidrelétricas, a América Latina e o Caribe vêm incorporando novas fontes de forma estruturada, o que reforça a resiliência do sistema e reduz a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
Destaque para os líderes em renovabilidade
O relatório da OLADE também chamou atenção para sete países da região que superaram a marca de 75% de geração elétrica a partir de fontes renováveis. Entre os destaques estão o Paraguai, Costa Rica, Brasil e Uruguai
Esses países, em particular, ultrapassaram 92% de renovabilidade, comprovando a viabilidade técnica e econômica de uma matriz predominantemente limpa. O caso paraguaio é emblemático, com quase 100% da geração baseada em energia hidrelétrica, especialmente a partir da usina de Itaipu, uma das maiores do mundo.
O Brasil, por sua vez, combina grandes usinas hídricas com o crescimento acelerado de energia solar e eólica, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste, o que tem ajudado a consolidar o país como potência renovável global.
Transição energética como vetor de desenvolvimento
Além de contribuir para a redução de emissões de gases de efeito estufa, o avanço da energia renovável na América Latina e no Caribe também representa uma alavanca para o desenvolvimento econômico sustentável, ao atrair investimentos, criar empregos e promover segurança energética.
A OLADE enfatiza que a trajetória da região está em consonância com os objetivos climáticos internacionais, especialmente os compromissos assumidos no Acordo de Paris e nas metas definidas para a triplicação da capacidade renovável até 2030.
“O contínuo crescimento da energia limpa reforça o papel estratégico da América Latina e do Caribe na construção de um futuro energético mais seguro, acessível e sustentável. A diversidade de fontes e o compromisso com políticas públicas estruturadas colocam a região na vanguarda da transição energética global”, destaca o relatório.
Perspectivas e desafios
Apesar do desempenho positivo, o documento alerta que ainda há desafios para manter e acelerar essa trajetória. A necessidade de modernizar redes de transmissão, ampliar o armazenamento energético, desburocratizar processos regulatórios e garantir financiamento acessível são temas centrais para a próxima etapa da transição energética.
O papel das instituições financeiras multilaterais, como o BID e o CAF, será fundamental para viabilizar novos empreendimentos, sobretudo em países que ainda apresentam participação tímida das fontes limpas.



