Nova Nota Técnica da OLADE revela potencial do hidrogênio verde como vetor estratégico da transição energética, com impacto direto em emprego, exportações e descarbonização
A Organização Latino-Americana de Energia (OLADE) lançou uma nova Nota Técnica que traça um panorama robusto sobre as perspectivas do hidrogênio de baixa emissão na América Latina e no Caribe (ALC) até 2050. O documento projeta que o desenvolvimento desse setor poderá gerar aproximadamente 350.000 empregos, demandará mais de 400 GW de capacidade de geração de eletricidade, envolverá investimentos da ordem de US$ 300 bilhões e poderá alcançar exportações superiores a US$ 13 bilhões.
A Nota Técnica, disponível no site da OLADE, analisa as metas e os roteiros de países da região que já se posicionam na vanguarda da transição energética global. A proposta é clara: tornar o hidrogênio de baixa emissão um pilar estratégico na descarbonização, no crescimento sustentável e na segurança energética regional.
Uma indústria em formação com forte impacto econômico
Segundo o documento, o hidrogênio de baixa emissão não é apenas uma alternativa energética — é uma oportunidade de transformação econômica e ambiental. Países como Chile, Brasil, Colômbia, Uruguai e Costa Rica já desenvolveram suas estratégias nacionais para o hidrogênio, com metas ambiciosas de curto, médio e longo prazo.
A estimativa é de que a capacidade instalada de eletrólise na região alcance cerca de 200 GW até 2050, impulsionada por mais de 400 GW de capacidade elétrica instalada, sobretudo de fontes renováveis como solar e eólica. Esse volume é essencial para permitir a produção em larga escala e a consequente exportação de mais de 11 milhões de toneladas de hidrogênio verde.
Exportação: América Latina como fornecedora global
O estudo indica que o potencial de exportação da região pode ultrapassar US$ 13 bilhões em receitas até 2050, com os primeiros contratos comerciais sendo viabilizados ainda na década de 2030.
Esse cenário se fortalece graças à abundância de recursos naturais renováveis, à proximidade com mercados consumidores estratégicos — como Estados Unidos e Europa — e ao avanço de marcos regulatórios nos países da região.
Infraestrutura, eletrólise e necessidade de investimentos
Um dos pontos centrais do relatório diz respeito à necessidade de investimentos massivos em infraestrutura. “Infraestrutura de eletrólise, bem como geração de eletricidade, são essenciais”, afirma o documento. A construção de plantas de eletrólise, expansão de linhas de transmissão, sistemas de armazenamento e rotas logísticas adaptadas ao transporte do hidrogênio exigirão um esforço financeiro estimado entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões até 2050.
Esses investimentos devem ser viabilizados por meio de parcerias público-privadas, bancos multilaterais de desenvolvimento, fundos verdes internacionais e incentivos governamentais que garantam segurança jurídica e atratividade econômica aos projetos.
Geração de empregos e desenvolvimento regional
Além do impacto econômico, o avanço do hidrogênio de baixa emissão terá forte repercussão social. A Nota Técnica estima a criação de cerca de 350 mil empregos diretos e indiretos nas próximas duas décadas. A geração de empregos estará distribuída em diferentes fases da cadeia de valor: desde a construção de usinas e infraestrutura de geração, até a logística de transporte, operação, manutenção e tecnologia.
“Um fato importante, por exemplo, é a projeção de criação de empregos neste novo setor em desenvolvimento. A longo prazo, o setor de hidrogênio de baixa emissão poderá gerar quase 350.000 empregos em toda a região”, afirma o estudo.
A descentralização dos projetos também deve contribuir para desenvolvimento socioeconômico de regiões menos industrializadas, com impacto positivo sobre comunidades locais, universidades, centros de pesquisa e pequenas empresas.
Condições para viabilizar o potencial
Apesar das projeções otimistas, a OLADE alerta para a necessidade de condições técnicas, regulatórias e financeiras claras para que o setor atinja o patamar esperado.
“Para que tudo isso aconteça, diversas condições devem ser atendidas, incluindo os investimentos necessários para o desenvolvimento desta indústria”, aponta a entidade. O documento enfatiza a importância de políticas públicas articuladas entre os países da região, padronização regulatória, formação de mão de obra especializada e criação de mecanismos de certificação internacional para garantir que o hidrogênio produzido seja efetivamente de baixa emissão.
Uma janela de oportunidade estratégica
O hidrogênio de baixa emissão pode se tornar um diferencial competitivo da América Latina na nova geopolítica energética global. Países que conseguirem desenvolver essa cadeia de forma integrada e sustentável estarão em posição de protagonismo na economia de baixo carbono, atraindo investimentos estrangeiros, ampliando sua participação no mercado internacional de energia e contribuindo com as metas climáticas do Acordo de Paris.
A Nota Técnica da OLADE é clara ao apontar que a região tem os recursos, as condições naturais e o conhecimento técnico necessário. O que se exige agora é coordenação política, investimentos e visão de longo prazo.



