Evento reuniu líderes do setor elétrico para discutir sustentabilidade, competitividade, segurança energética e a integração da agenda ESG no centro da estratégia empresarial
Na sua 10ª edição, o ENGIE Day 2025 consolidou-se como um dos principais fóruns de debate do setor energético nacional. Sob o tema “Desafios da Transição Energética para o Setor de Energia”, o evento reuniu um seleto grupo de stakeholders, incluindo clientes, financiadores, fornecedores, think tanks, reguladores e colaboradores. O objetivo foi promover um diálogo qualificado sobre a atual conjuntura e as perspectivas do setor, em um contexto de acelerada transformação energética.
A abertura ficou por conta de Eduardo Sattamini, Country Manager da ENGIE no Brasil e Diretor-Presidente da ENGIE Brasil Energia, que reforçou o protagonismo do país na estratégia global de descarbonização da companhia. Segundo ele, “a transição energética não pode ser apenas ambientalmente correta — ela precisa ser economicamente sustentável. Subsídios que já não se justificam tornam a energia mais cara para todos e comprometem a competitividade do Brasil.”
Ao lado de Sattamini, Gil Maranhão, diretor de Comunicação, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE Brasil, lembrou que a empresa já trilha o caminho da transição há anos. Ele citou a hidrelétrica de Jirau como símbolo dessa jornada. “A hidrelétrica de Jirau foi a primeira grande usina do mundo a receber certificação global de sustentabilidade no padrão Gold Standard, com endosso de toda a indústria mundial da hidreletricidade, incluindo investidores, fornecedores, governos, financiadores e ONGs. Mas a melhor notícia é que Jirau tem os mesmos 33 a 35 programas sociais e ambientais que todas as outras hidrelétricas construídas no Brasil nos últimos anos. Além disso, tivemos mais uma vez a confirmação da ENGIE Brasil Energia no índice de sustentabilidade da B3, que reúne as empresas com os mais altos padrões de governança e responsabilidade socioambiental.”
Painel 1: O ambiente de negócios e os entraves do setor elétrico
Moderado por Gustavo Labanca, Managing Director para Power Networks da ENGIE Brasil, o primeiro painel contou com a participação de dois importantes nomes do setor: Joísa Dutra, diretora do Centro de Regulação e Infraestrutura da FGV e ex-diretora da ANEEL, e Jerson Kelman, professor da COPPE/UFRJ e ex-presidente das agências ANA e ANEEL.
Joísa Dutra defendeu uma abordagem mais ampla da transição energética e destacou. “Não basta investir em solar e eólica. É preciso integrar as fontes, e isso passa por redes de transmissão e armazenamento. A sociedade exige segurança no suprimento, com tarifas que caibam no bolso do consumidor.”
Kelman criticou os atuais incentivos à geração, sem uma real necessidade de expansão da oferta. “Estamos incentivando a construção de novos ativos sem que haja crescimento da demanda. Isso não é incentivo à geração, mas sim à migração de consumidores. O resultado é um sistema mais caro — e, no fim, quem paga a conta é o consumidor.”
Labanca reforçou a existência de gargalos importantes na infraestrutura de transmissão, com destaque para as dificuldades impostas pelo licenciamento ambiental. “O licenciamento ambiental tem sido um dos principais gargalos, mas já vemos ações do planejador para destravar os projetos e permitir que a infraestrutura avance no ritmo que o país precisa.”
Painel 2: Perspectivas da cadeia produtiva e o impacto da digitalização
O segundo painel, mediado por Gabriel Mann, diretor de Estratégia e Regulação da ENGIE Brasil Energia, trouxe à mesa Fábio Yanaguita, diretor de Energia Latam da Scala Data Centers, e Vittorio Perona, sócio do Banco BTG Pactual.
Yanaguita destacou o potencial do Brasil no setor de data centers devido ao seu diferencial ambiental. “O movimento que fizemos de mostrar o Brasil para o mercado internacional foi super importante. Nós temos um diferencial ambiental, mas ainda temos um desafio tributário. Data center é uma empresa de infraestrutura, e não de tecnologia.”
Já Vittorio Perona comparou o cenário nacional ao dos Estados Unidos, demonstrando otimismo com o posicionamento do Brasil. “Um estudo recente mostrou uma demanda adicional de 134 gigawatts de energia por conta de data centers nos EUA. Mas os Estados Unidos não conseguem organizar isso. O Brasil está muito mais bem posicionado neste sentido.”
Mann trouxe à discussão a relevância da agenda ESG no atual cenário tecnológico e econômico, e reforçou o posicionamento da ENGIE. “A ENGIE tem como uma prioridade os pilares ambiental, social e econômico em seus projetos e na operação no Brasil.”
Painel 3: ESG como ferramenta estratégica de gestão e investimento
Com mediação de Flávia Teixeira, gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE Brasil, o terceiro painel abordou a agenda ESG e seus desdobramentos. Participaram Carla Primavera, superintendente de Transição Energética e Clima do BNDES, e Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental do Pará.
Carla Primavera defendeu a criação de métodos transparentes e articulação institucional para enfrentar os atuais cortes de geração. “O desafio atual do corte de geração a gente não vai ser capaz de conter. Vamos nos dedicar ao debate e à metodologia para endereçar os cortes de geração. Dar conta dos efeitos financeiros não é algo que o BNDES possa fazer sozinho, mas os projetos serão tratados de forma bilateral e oferecemos resiliência, como fizemos na pandemia. Essa está ligada aos investimentos do futuro.”
Zahluth, por sua vez, reforçou a importância da transição energética para a região amazônica. “A transição energética é um ponto principal, mas temos também temas como a triplicação no fornecimento de energia renovável, eficiência energética e o acesso universal e democrático à energia no território amazônico.”
Flávia Teixeira encerrou com um alerta sobre a importância estratégica do ESG. “ESG é muito mais do que ter um selo verde. A gente está falando de gestão de eficiência. São agendas fundamentais e estruturantes para os nossos negócios.”
Encerramento: propósito e visão de futuro
O designer e CEO da Tátil Design, Fred Gelli, encerrou o evento com uma provocação inspiradora sobre o papel das empresas no redesenho do futuro. “Decisões baseadas apenas no curto prazo não são mais viáveis. Precisamos nos reconectar com os ciclos naturais para construir negócios legítimos e sustentáveis.”



