Por Carla Taíssa, Jornalista, escritora e designer de interiores, com pós-graduação em Gestão, Inovação e Marketing
A Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 já conquistou os fãs de futebol com grandes jogos. Mas, além do espetáculo dentro de campo, um outro destaque vem chamando atenção fora das quatro linhas: a energia solar. Isso porque, seis dos doze estádios que sediam os jogos do torneio operam com sistemas fotovoltaicos. De Atlanta a Seattle, essas arenas representam não só o que há de mais moderno em infraestrutura esportiva, como também apontam para um novo modelo de gestão: mais verde, mais eficiente e alinhado às urgências climáticas do nosso tempo.
A presença de painéis solares em estádios de futebol não é apenas um detalhe técnico, é uma escolha estratégica que une economia, inovação e responsabilidade ambiental. Esses sistemas são capazes de gerar megawatts de energia limpa, reduzindo significativamente os custos operacionais e a emissão de gases poluentes. Em tempos em que o esporte precisa se reinventar frente às demandas do século XXI, os palcos da Copa mostram que é possível fazer diferente: promover o entretenimento global sem abrir mão da sustentabilidade.
Infraestrutura solar em destaque nos estádios-sede da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025
Entre as arenas escolhidas para sediar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025, seis já operam com sistemas de geração solar fotovoltaica. A seguir, confira os principais dados e iniciativas de cada um desses estádios, que hoje se consolidam como exemplos de eficiência energética no esporte:
MetLife Stadium (East Rutherford, Nova Jersey)
O estádio é a casa dos times de futebol americano New York Giants e New York Jets, da NFL, com capacidade para 82.500 pessoas, e será palco da grande final da competição. O MetLife Stadium tem uma “coroa solar” composta por 1.350 painéis fotovoltaicos que auxiliam em suas operações diárias, sendo integrados ao sistema de iluminação e mídia do local. Isso mostra que é possível combinar performance e espetáculo com eficiência energética.
Bank of America Stadium (Charlotte, Carolina do Norte)
Com cerca de 5.800 módulos solares instalados, o estádio onde o Charlotte FC manda seus jogos, evita a emissão de mais de 600 toneladas de CO₂ por ano. A produção excedente em dias sem jogos abastece parte da infraestrutura urbana ao redor.
MercedesBenz Stadium (Atlanta, Georgia)
Com mais de 4 mil painéis solares, o estádio do Atlanta United e do Atlanta Falcons gera cerca de 1,6 MWh por ano. Isso cobre boa parte do consumo em dias de jogos e eventos, e ainda garante a certificação LEED Platinum, um dos selos verdes mais exigentes do mundo. Assim, o estádio com capacidade de 75 mil torcedores tem as placas solares distribuídas por estacionamentos e acessos, garantindo sombra para os carros e economia para os cofres.
Lumen Field (Seattle, Washington)
Com 3.750 painéis solares instalados no telhado, o estádio do Seattle Sounders e do time da NFL Seattle Seahawks economiza cerca de 20% em sua conta de luz anual. Além disso, iniciativas de coleta de água da chuva e compostagem reforçam o pacote verde da arena, que tem capacidade para 69.000 torcedores.
Lincoln Financial Field (Filadélfia, Pensilvânia)
O estádio do Philadelphia Eagles, com capacidade para 69.000 pessoas, é um exemplo ousado de energia limpa: são mais de 11 mil painéis solares e ainda 14 turbinas eólicas, produzindo até 4 megawatts de energia limpa. Em determinados fins de semana, o local gera mais eletricidade do que consome. Além disso, boa parte da iluminação e da operação básica já usam exclusivamente o sistema solar para abastecimento.
Audi Field (Washington, D.C.)
O menor dos estádios com energia renovável, com capacidade para apenas 20.000 pessoas, e casa do D.C. United, conta com 1.700 painéis solares, capazes de suprir até 30% do consumo do local. Uma parceria com a companhia elétrica local tornou viável a instalação sem custo inicial para o clube, reforçando o modelo de negócios sustentável.
O impacto positivo além das arquibancadas
O uso de energia solar em grandes estádios esportivos não é apenas uma ação simbólica. Trata-se de uma estratégia real para reduzir custos operacionais, atrair patrocinadores comprometidos com o ESG e melhorar a experiência dos torcedores com soluções mais inteligentes e sustentáveis
Assim, para o futebol, são diversos os benefícios:
- Economia de longo prazo: menos dependência de energia vinda das concessionárias, com mais previsibilidade orçamentária.
- Redução de emissões de carbono: um estádio solar pode evitar a liberação de milhares de toneladas de CO₂ ao longo dos anos.
- Imagem institucional fortalecida: clubes e federações passam a ser vistos como líderes em responsabilidade ambiental e exemplos para toda
a comunidade onde estão inseridos. - Conscientização pública: o futebol influencia os torcedores, logo eles também aprendem com o exemplo e se engajam em práticas mais sustentáveis no dia a dia.
Exemplos de energia renovável no futebol
Não são apenas os estádios da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 que utilizam energia solar. A maioria dos clubes participantes contam com soluções renováveis em seus estádios sede. Alguns destaques são o estádio do Borussia Dortmund, Signal Iduna Park, que recentemente anunciou um projeto de ampliação do seu sistema solar, que contará com 11 mil módulos fotovoltaicos em sua cobertura e será um dos maiores em estádios da Alemanha. Outro destaque é o Atlético de Madrid, com o Estádio Cívitas Metropolitano que, além de energia solar, também tem iluminação LED, otimização do sistema de ar condicionado e o uso de energia solar para aquecimento de água, demonstrando o compromisso do clube com a sustentabilidade.
Na Inglaterra, o Manchester City tem 2.878 painéis solares no Joie Stadium. E o clube já projeta instalar mais de 10 mil módulos até 2030 em suas instalações de treinamento e jogos. Já o Real Madrid, incluiu diversas soluções mais sustentáveis em seu estádio na mais recente reforma do local, concluída em 2024, que incluem produção de energia solar, sistemas de reaproveitamento de água, e tecnologias de iluminação e climatização de alta eficiência.
Entre os times brasileiros, todos jogam em estádios com soluções solares (Maracanã, Allianz Parque e Nilton Santos), mostrando o protagonismo do Brasil quando o assunto é energia renovável. Outros times que também contam com energia solar em seus estádios são o Porto, Bayern de Munique, Inter Miami, Ulsan, Juventus, Wydad Casablanca, Al Ain, RB Salzburg, Al-Hilal, Pachuca, Urawa Reds, Monterrey, Internazionale, Los Angeles FC, Espérance e Chelsea. Enquanto isso, Boca Juniors e Benfica contam com sistemas solares em seus centros de treinamento, não em seus estádios mandantes.
O sol como protagonista do jogo
A Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 promete ser um marco não apenas esportivo, mas também ambiental. Ao utilizar estádios equipados com sistemas de energia solar em larga escala, o torneio sinaliza uma mudança de rota no modelo de grandes eventos esportivos, que historicamente foram associados a altos custos energéticos e impactos ambientais significativos. Além de influenciar positivamente milhões de torcedores ao redor do mundo.
É um passo concreto na direção de um futebol mais sustentável, eficiente e comprometido com o futuro do planeta. Afinal, com cada watt gerado a partir do sol, ganha-se também consciência, economia e legado ambiental. O futebol mostra que, além de paixão, também pode ser ferramenta de transformação.



