Instalação de mais 80 postes solares beneficia 175 famílias em regiões isoladas da Amazônia e reforça compromisso com a transição energética justa e inclusiva
Energia limpa, cidadania e pertencimento. Esses foram os pilares que guiaram mais uma ação conjunta entre a Copa Energia e a organização Litro de Luz Brasil, que promoveu o acesso à iluminação sustentável em duas comunidades quilombolas da Ilha do Marajó, no Pará. Entre os dias 12 e 15 de junho, foram instalados 80 postes solares nas comunidades de Tartarugueiro e Santana do Arari, beneficiando diretamente cerca de 175 famílias em uma das regiões mais isoladas do país.
A ação representa não apenas a chegada de luz onde antes havia escuridão, mas também o fortalecimento do compromisso das duas instituições com a transição energética justa, descentralizada e inclusiva, principalmente em territórios historicamente marginalizados da Amazônia.
A montagem dos postes solares foi realizada de forma colaborativa, envolvendo mais de 20 voluntários, entre integrantes do Litro de Luz e colaboradores da Copa Energia, além da participação ativa dos próprios moradores locais. O trabalho foi marcado por desafios logísticos significativos, como o acesso por barco, estradas precárias e falta de conectividade. Ainda assim, o esforço coletivo transformou a realidade de comunidades até então sem acesso à iluminação pública regular.
Inclusão energética como direito fundamental
“Acreditamos que o acesso à energia é um direito fundamental e um ponto de partida para outros avanços sociais. Contribuir com iniciativas como essa, em regiões ainda sem total acesso à rede elétrica, é parte do nosso compromisso com uma transição energética mais justa e inclusiva”, afirma Lavinia Hollanda, Diretora de Sustentabilidade, Comunicação Externa e Relações Institucionais da Copa Energia.
A fala traduz o objetivo maior do projeto: levar energia limpa a quem mais precisa, promovendo qualidade de vida, segurança e desenvolvimento local. A iluminação noturna permite o deslocamento mais seguro pelas ruas, atividades comunitárias à noite e até mais autonomia para pequenos empreendimentos.
A energia como símbolo de esperança
Para muitos moradores, a chegada da luz foi a concretização de um sonho há muito tempo esperado. Carmen, moradora de Tartarugueiro, emocionou-se ao compartilhar seu relato. “Para muitas pessoas, pode parecer pouco, mas para nós é muito importante. Só temos a agradecer por todo o carinho. Vimos minha mãe e minha avó partirem sem terem a chance de ver tudo isso acontecer. E o mais importante: vocês chegaram e fizeram. Não ficou só na promessa.”
Em Santana do Arari, a emoção também foi intensa. Elita, presidente da associação de moradores, descreveu o impacto da instalação do primeiro poste. “Quando colocaram o primeiro poste, já foi uma alegria imensa. Ele foi comemorado por muitas noites com aquele Litro de Luz iluminando nossa rua. Muitas vezes, era só promessa. As pessoas vinham, faziam abaixo-assinado, levavam e depois nada acontecia. Agora é real. Agora temos energia nas ruas da nossa comunidade. A palavra que resume tudo é gratidão.”
Parceria consolidada e expansão nacional
Essa é a quarta edição da parceria entre a Copa Energia e o Litro de Luz Brasil, iniciada em 2023. O projeto já percorreu comunidades urbanas e rurais com o mesmo foco: ampliar o acesso à energia solar como ferramenta de transformação social. Com a chegada ao Pará em 2025, a iniciativa se consolida como referência nacional no uso da energia renovável com impacto social direto.
Para Rodrigo Eidy, presidente do Litro de Luz Brasil, a entrega vai além da instalação de postes solares. “Essa entrega simboliza mais do que o acesso à energia. É sobre garantir dignidade, segurança e qualidade de vida para populações historicamente invisibilizadas.”
O Litro de Luz Brasil é reconhecido por seu trabalho em regiões vulneráveis, utilizando tecnologias acessíveis e envolvimento comunitário para criar soluções locais e sustentáveis.
Energia renovável como instrumento de justiça social
A ação também dialoga com a crescente demanda por transição energética inclusiva no Brasil, que vai além de grandes empreendimentos e busca soluções para os desafios energéticos em comunidades tradicionais, indígenas, ribeirinhas e quilombolas. A adoção de energia solar descentralizada, como neste caso, é um exemplo de como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU podem ser materializados de forma concreta e eficaz.
O avanço dessa iniciativa em plena Amazônia, um dos biomas mais estratégicos e vulneráveis do planeta, ganha ainda mais relevância em um contexto de emergência climática global e debate sobre o papel da região nos compromissos internacionais de mitigação de carbono.



