Novo relatório da Agência Internacional de Energia detalha emissões globais do GNL e aponta caminhos economicamente viáveis para mitigar impactos ambientais da cadeia de fornecimento
Um novo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA) nesta segunda-feira (16/06) lança luz sobre as emissões de gases de efeito estufa ao longo de toda a cadeia global de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL), e mapeia oportunidades viáveis de mitigação. Segundo o estudo, é possível reduzir essas emissões em mais de 60% com o uso de tecnologias já disponíveis comercialmente, muitas delas com custos baixos ou moderados.
Intitulado Avaliação de Emissões do Fornecimento e Opções de Redução de GNL, o relatório reúne os dados mais recentes para estimar, de forma abrangente, as emissões associadas às etapas de produção, processamento, transporte e regaseificação do GNL. A estimativa atual é de que o fornecimento global do combustível emita cerca de 350 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (Mt CO₂-eq) por ano.
Do total, 70% correspondem a dióxido de carbono (CO₂) proveniente da queima ou liberação direta, enquanto 30% são metano não queimado que escapa para a atmosfera — gás com potencial de aquecimento global muito superior ao CO₂ em curto prazo.
A análise aponta que a intensidade média global de emissões do GNL é de cerca de 20 g CO₂-eq/MJ, consideravelmente superior à média de 12 g CO₂-eq/MJ registrada no fornecimento convencional de gás natural. Apesar disso, mais de 99% do GNL consumido em 2024 ainda apresenta emissões ao longo do ciclo de vida menores do que as do carvão, segundo o relatório.
Contudo, a IEA alerta: a comparação direta com o carvão, o combustível fóssil mais intensivo em carbono, estabelece um padrão de referência baixo demais, especialmente frente às amplas oportunidades de redução de emissões existentes na cadeia do GNL.
Tecnologias e medidas de mitigação
O relatório da IEA afirma que reduzir vazamentos de metano é a medida mais eficaz e imediata para cortar emissões na cadeia do GNL. Apenas essa estratégia poderia evitar a liberação de cerca de 90 Mt CO₂-eq por ano, o equivalente a 25% do total de emissões atuais. Aproximadamente metade dessa redução poderia ser obtida sem custo líquido adicional, devido à recuperação de gás comercializável.
A queima de gás natural nas próprias instalações de liquefação e nos campos fornecedores também representa uma parcela relevante das emissões. A mitigação dessa prática evitaria cerca de 5 Mt CO₂-eq por ano.
Outras soluções viáveis destacadas incluem:
- Aprimoramento da eficiência operacional em todos os elos da cadeia de fornecimento;
- Eletrificação de instalações upstream e terminais de regaseificação, utilizando fontes de energia de baixa emissão;
- Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS), especialmente nos processos de liquefação, para reter o CO₂ presente no gás de alimentação.
Segundo o estudo, somente a eletrificação poderia representar uma redução adicional de até 110 Mt CO₂-eq, contribuindo de forma decisiva para uma transição energética menos intensiva em carbono.
Perspectiva global e segurança energética
O documento integra o esforço da IEA para monitorar e orientar o desenvolvimento sustentável do mercado global de GNL, combustível que tem desempenhado papel estratégico na diversificação de fontes, segurança energética e descarbonização de curto e médio prazo, sobretudo em países que buscam substituir o carvão.
A apresentação oficial do relatório ocorre nesta segunda-feira, durante a Conferência Produtor-Consumidor de GNL de 2025, realizada no Japão. O evento é organizado conjuntamente pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) e pela própria IEA. A exposição dos dados ficou a cargo de Keisuke Sadamori, diretor de Mercados de Energia e Segurança da Agência.
Sadamori destacou que “o GNL continuará sendo uma peça importante na matriz energética global nos próximos anos, mas será cada vez mais cobrado em relação à sua pegada ambiental. As oportunidades de redução de emissões existem, e o momento de agir é agora.”



