Lançamento da EPE aponta caminhos para reduzir emissões na exploração e produção de óleo e gás, reforçando o protagonismo brasileiro em um mercado global mais exigente em carbono
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou, no dia 18 de junho de 2025, um conjunto de estudos técnicos que consolidam o papel do Brasil como líder na transição energética com foco na descarbonização das atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural. A iniciativa atende à Resolução nº 8/2024 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que estabelece diretrizes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor.
O lançamento oficial ocorreu na sede do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), no Rio de Janeiro, e contou com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA). As análises foram desenvolvidas por equipes técnicas das superintendências de Petróleo e Gás Natural (SPG) e de Meio Ambiente (SMA) da EPE.
Estudos apontam caminhos viáveis e estratégicos
A publicação tem como objetivo principal reduzir a assimetria de informações sobre alternativas tecnológicas e econômicas para mitigar emissões de GEE nas atividades de E&P, auxiliando empresas e reguladores na formulação de estratégias eficientes de curto, médio e longo prazos.
Os produtos resultantes foram organizados para atender a diferentes públicos:
- Relatório Final “Cenários de Descarbonização do E&P”: análise ampla e consolidada dos cenários possíveis e seus impactos;
- Caderno de Propostas para Incentivo à Descarbonização: detalhamento metodológico e recomendações técnicas;
- Fact Sheet Tecnológico: material visual que relaciona fontes emissoras às principais soluções de mitigação;
- Sumário Executivo: síntese dos principais resultados, facilitando a comunicação com decisores e investidores.
Todo o conteúdo está disponível publicamente no portal da EPE (clique aqui).
Potencial de redução de emissões mesmo com crescimento da produção
Segundo dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), o setor de petróleo e gás foi responsável, em 2023, por cerca de 12% das emissões do setor energético nacional e aproximadamente 2% do total do país. Dentro desse total, as atividades de E&P representaram 47%.
Apesar dessa participação relativamente modesta nas emissões globais brasileiras, os analistas da EPE destacam que a descarbonização do segmento adquire caráter estratégico, considerando o avanço de mecanismos internacionais de precificação de carbono, como o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) da União Europeia.
Os estudos mostram que, mesmo com um crescimento de 90% na produção nacional, é possível reduzir entre 4% e 19% das emissões acumuladas do setor, o que equivale a uma média de 6,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Entre as medidas mais eficazes estão a eletrificação das unidades via grid, que desponta como a de maior impacto nas projeções de redução de emissões.
EPE reforça protagonismo técnico na transição energética
Com esse novo conjunto de estudos, a EPE reafirma seu papel como órgão de planejamento e assessoramento estratégico do Ministério de Minas e Energia (MME) no desenho de políticas energéticas alinhadas com as metas climáticas nacionais.
A iniciativa também contribui para o fortalecimento de uma agenda regulatória que impulsione a competitividade brasileira no mercado internacional de energia, em um momento em que o mundo caminha para exigir maior transparência ambiental, baixo carbono na origem dos produtos e comprometimento com metas de longo prazo.
Ao mesmo tempo, os estudos oferecem ferramentas concretas para investidores e operadores do setor, servindo como base técnica para a adoção de tecnologias já disponíveis e economicamente viáveis.



