Petrobras acelera transição energética com investimentos bilionários e foco em inclusão social

Relatório de Sustentabilidade 2024 mostra avanço nas metas de descarbonização, geração de empregos, investimentos em biocombustíveis e qualificação profissional, consolidando a atuação da estatal rumo ao Net Zero até 2050

A Petrobras divulgou, nesta segunda-feira (16), o seu Relatório de Sustentabilidade 2024, documento que consolida os principais resultados da companhia na agenda de transição energética justa. O relatório detalha a aplicação de US$ 16,3 bilhões em projetos de baixo carbono nos próximos cinco anos, além de registrar uma redução de 40% nas emissões absolutas de CO₂e desde 2015, um marco significativo na estratégia de descarbonização da empresa.

O documento também revela impactos expressivos na economia e na sociedade: R$ 379,4 bilhões foram distribuídos à sociedade em 2024 por meio de tributos, royalties, salários, dividendos e pagamentos a fornecedores. A companhia estima que suas iniciativas previstas no Plano Estratégico 2025-2029 gerarão cerca de 315 mil empregos diretos e indiretos, reforçando seu papel como catalisadora do desenvolvimento sustentável no país.

Biocombustíveis e descarbonização: pilares do novo ciclo de investimentos

Entre os destaques, estão os projetos em andamento para produção de combustíveis de baixo carbono, como o querosene de aviação sustentável (SAF) e o diesel renovável. A Petrobras está construindo duas plantas dedicadas: uma na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), com capacidade de 15 mil barris por dia (bpd), e outra no Complexo de Energias Boaventura (19 mil bpd), ambas com previsão de início após 2029. Está também em avaliação uma planta na Refinaria de Paulínia (REPLAN), que utilizará a rota Alcohol-to-Jet (ATJ), a partir do etanol, para a produção de SAF.

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A Petrobras também realizou três testes de campo com combustíveis marítimos de menor intensidade carbônica, demonstrando reduções entre 17% e 20% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Um desses produtos, o VLS B24, obteve certificação da International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) e poderá ser comercializado em 2025.

Além disso, a companhia já está vendendo gasóleo marítimo com baixo teor de enxofre (LSMGO) no porto de Santos, com 1.000 mg/kg — um quinto do limite regulatório vigente.

Neutralidade de carbono: compromisso com o futuro

A companhia reforçou sua meta de atingir Net Zero até 2050 e Near Zero Methane até 2030. Em 2024, investiu na compensação voluntária de emissões ao adquirir 270 mil créditos de carbono do projeto REDD+ Envira Amazônia. Esses créditos, certificados segundo os padrões internacionais VCS e CCB Gold, foram usados para compensar emissões da gasolina Podium Carbono Neutro, produto lançado no ano anterior.

A estatal também integra a Oil and Gas Climate Initiative (OGCI), junto a gigantes globais como BP, Shell e Saudi Aramco. A aliança já conseguiu reduzir em 55% as emissões de metano e em 21% a intensidade de carbono operacional desde 2017.

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Florestas e biodiversidade: ações diretas de mitigação

No campo da conservação ambiental, o Programa Petrobras Socioambiental apoiou em 2024 25 projetos de proteção florestal, com atuação direta em mais de 535 mil hectares em biomas como a Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado.

A estimativa é de um benefício líquido de 3 milhões de tCO₂e, entre remoções e emissões evitadas. A empresa ainda destinou R$ 49,1 milhões à iniciativa Floresta Viva, ampliando sua frente de investimentos voluntários em restauração ecológica.

Impacto social: protagonismo na qualificação e inclusão

Outro destaque do relatório é o Programa Petrobras Autonomia e Renda, que iniciou, em 2024, a qualificação profissional de mais de mil alunos em sete estados. Dos matriculados, 72% são pessoas pretas ou pardas, 60% são mulheres e 4% são pessoas com deficiência. O programa busca não apenas capacitar, mas também conectar esses profissionais à cadeia produtiva da Petrobras, com o apoio de mecanismos como o SINE e o PAT.

O programa integra uma estratégia mais ampla de fomento à inclusão produtiva e fortalecimento das economias locais. Ao mesmo tempo, a estatal incentiva fornecedores a disponibilizarem vagas em canais públicos, ampliando as chances de empregabilidade para a mão de obra formada.

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