Estudantes de 12 anos impulsionam adesão da Escola Americana do Rio de Janeiro ao Mercado Livre de Energia

Projeto acadêmico sobre energias renováveis, desenvolvido por alunos do Ensino Fundamental, resulta na contratação da Prime Energy e prevê economia de até 30% na conta de luz da instituição

A transição para o Mercado Livre de Energia, estratégia já consolidada entre grandes consumidores industriais e comerciais, começa a ganhar protagonismo também no setor educacional. E, desta vez, não por decisão exclusiva da diretoria administrativa, mas por iniciativa de três alunos de apenas 12 anos. O projeto desenvolvido por Patricia P., Beny C. e Leonardo M., estudantes da Escola Americana do Rio de Janeiro (EARJ), foi o estopim para a migração da instituição para o ambiente livre de contratação de energia, com previsão de economia de até 30% nos custos com eletricidade.

O movimento teve início na Exposição do Primary Years Programme (PYP), equivalente aos anos iniciais do Ensino Fundamental, etapa final do currículo do International Baccalaureate (IB). O evento marca a conclusão do ciclo formativo e é desenhado para permitir que os alunos apliquem conhecimentos teóricos em projetos práticos com impacto real. Foi nesse contexto que o grupo de estudantes apresentou uma proposta concreta de transição para energia renovável — não apenas como exercício acadêmico, mas como solução viável para a realidade da escola.

Com apoio da equipe pedagógica e administrativa da EARJ, os estudantes analisaram os dados de consumo de energia da instituição, estudaram o funcionamento do Mercado Livre e visitaram algumas empresas do setor. A apresentação do projeto à gestão escolar marcou o início da integração da proposta estudantil ao planejamento institucional da escola. A partir desse ponto, o departamento de Facilities conduziu o processo formal de concorrência, incluindo entre os fornecedores convidados algumas das empresas mapeadas pelos alunos. Ao final do processo, a Prime Energy foi selecionada como a comercializadora vencedora.

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Segundo Luiz Sigiliano, Diretor Comercial da Prime Energy, a adesão da EARJ representa um marco relevante no setor. “Essa escolha reflete uma tendência crescente no setor educacional, que busca eficiência, economia e compromisso com a sustentabilidade.”

Formação cidadã aliada à transição energética

A proposta pedagógica do IB, aplicada na EARJ, tem como um de seus pilares o desenvolvimento de competências voltadas à solução de problemas reais. Neste projeto específico, os alunos demonstraram não apenas conhecimento técnico, mas também capacidade de articulação, visão ambiental e engajamento com a agenda ESG (Environmental, Social and Governance).

“A iniciativa mostra o quanto nossos alunos estão conectados a questões globais com forte relevância local, um dos aspectos mais fortes do perfil do aluno IB. Ao investigarem um tema complexo como as energias renováveis, eles precisam explorar conceitos-chave e desenvolver uma compreensão mais profunda de como esses conceitos se aplicam ao mundo real”, afirma Steve Desroches, Diretor Geral da EARJ.

A escolha por energia de fonte renovável também foi destacada pelos próprios estudantes, que agora veem seus esforços refletidos em uma mudança concreta na gestão de energia da escola.

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“Foi incrível ver que um projeto acadêmico pode sair do papel e ter um impacto real. A escola nos ouviu, nos deu suporte e conseguimos transformar essa ideia em algo concreto. Nós percebemos que tínhamos um grande problema, impactando não apenas a nossa escola, mas o planeta”, destaca Patricia.

Na mesma linha, Beny aponta os ganhos na gestão do projeto: “Esse é um mercado que não precisa de mediadores como a Light (concessionária) para prover energia para a escola. Então, você apenas fala diretamente com um fornecedor e isso pode sair 30% mais barato”, complementa.

Além dos benefícios econômicos, Leonardo ressalta a dimensão ambiental da iniciativa: “Neste momento, a escola fechou com uma companhia liderada pela Shell e isso vai salvar 30% da nossa energia. Além disso, ela é renovável, o que significa que não produz gás carbônico e é boa para o meio ambiente”.

A escola como agente de transformação energética

A adesão ao Mercado Livre de Energia, antes considerada estratégia restrita ao setor industrial, tem se ampliado com a modernização regulatória e o avanço da digitalização no setor elétrico. Escolas, universidades e demais instituições educacionais, com elevado consumo mensal de energia, têm encontrado no ambiente de contratação livre uma oportunidade de redução de custos e alinhamento com políticas ambientais.

Neste caso específico, a previsão é que a migração ocorra nos próximos meses, respeitando o prazo legal de notificação à distribuidora local e as adaptações técnicas necessárias. Com a contratação da Prime Energy, a EARJ passará a consumir energia com rastreabilidade de origem renovável, promovendo educação ambiental na prática e fortalecendo a cultura institucional de sustentabilidade.

O exemplo da EARJ ilustra como educação, inovação e gestão energética podem caminhar juntas, sobretudo quando aliadas à participação ativa dos alunos. Mais do que um case de sucesso, trata-se de um modelo replicável que demonstra o potencial de transformação existente dentro das instituições de ensino.

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