Ataques a transformadores da Light durante operações policiais elevam número de interrupções; concessionária cobra segurança para garantir atendimento
A escalada da violência urbana na capital fluminense atingiu mais uma vez um serviço essencial: o fornecimento de energia elétrica. Segundo informações divulgadas pela Light, concessionária responsável pela distribuição de energia em grande parte do estado do Rio de Janeiro, a rede elétrica foi atingida por disparos de arma de fogo durante uma operação policial realizada na manhã desta terça-feira (10), nos bairros de Parada de Lucas e Vigário Geral, na Zona Norte da cidade.
O episódio comprometeu o funcionamento de transformadores e resultou na interrupção do fornecimento de energia para milhares de clientes. Embora o serviço tenha sido restabelecido em Vigário Geral, Parada de Lucas ainda segue sem luz. As equipes técnicas da empresa estão mobilizadas para atuar na recomposição do sistema, mas aguardam a liberação da área por órgãos de segurança para iniciar os reparos com segurança.
De acordo com a Light, mais de 38 mil clientes já foram afetados por ataques semelhantes em 2025, o que representa um agravamento da situação em comparação ao ano anterior, quando 33 mil usuários sofreram com interrupções causadas por violência armada.
Atingidos pela violência: um problema sistêmico
Somente nos seis primeiros meses de 2025, a Light registrou 68 ocorrências envolvendo danos à rede elétrica provocados por tiros, com destaque para 29 transformadores diretamente atingidos. Essas unidades são essenciais para o fornecimento estável de energia em áreas residenciais e comerciais. Os impactos acumulados desses episódios afetaram cerca de 2.300 clientes em cada ocorrência, somando dezenas de milhares de consumidores privados de um serviço essencial.
Além do transtorno imediato à população, as ocorrências trazem consequências operacionais e econômicas relevantes para a concessionária e o sistema elétrico como um todo. A média de tempo para restabelecimento do serviço, nesses casos, é de 18 horas, dado que a substituição dos equipamentos exige logística complexa e, acima de tudo, condições de segurança no local.
Escalada preocupante
Comparando-se os dados de 2024 e os registros de 2025, observa-se uma tendência preocupante de agravamento dos ataques à infraestrutura elétrica no Rio de Janeiro. Em todo o ano de 2024, a Light contabilizou 184 ocorrências desse tipo, incluindo 80 transformadores danificados, afetando aproximadamente 33 mil clientes. Já em 2025, apenas até junho, os números já ultrapassam os do ano anterior, tanto em volume quanto em gravidade dos impactos.
Especialistas em segurança e infraestrutura alertam que esses ataques não apenas prejudicam a distribuição de energia, como também representam um risco direto à integridade de trabalhadores e moradores das regiões afetadas. Além disso, dificultam o planejamento operacional da empresa e aumentam os custos do sistema, o que pode, a longo prazo, impactar os consumidores com tarifas mais altas.
Segurança energética e urbana: agendas que se cruzam
A situação reforça a necessidade de ações integradas entre empresas, poder público e forças de segurança. O setor elétrico depende diretamente da estabilidade e da integridade física das estruturas instaladas nos centros urbanos. Em regiões marcadas por disputas territoriais e presença constante de grupos armados, como algumas áreas do Rio de Janeiro, garantir o funcionamento adequado desses serviços torna-se um desafio cada vez mais complexo.
Embora a Light não tenha atribuído responsabilidades diretas pelos disparos, a empresa enfatizou que a segurança das equipes e da população é prioridade absoluta. Em nota, reiterou que só realiza intervenções técnicas em locais onde há garantias de segurança operacional.
Caminhos para o futuro
A crise revela a urgência de discutir políticas públicas para proteção da infraestrutura crítica urbana, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social e risco de conflito. Além disso, aponta para a necessidade de estratégias tecnológicas mais resilientes, que reduzam a exposição de equipamentos a ações externas, como blindagens para transformadores e realocação estratégica de ativos.
Enquanto soluções de longo prazo não são implementadas, moradores seguem enfrentando interrupções recorrentes e incertezas sobre a continuidade de um serviço básico. A energia elétrica, cada vez mais essencial para comunicação, segurança, saúde e atividades econômicas, não pode ser refém da violência.



