Projetos instalados em quatro estados somam 59 milhões de kWh por ano, evitam 74 mil toneladas de CO₂ e geram mais de mil empregos na construção civil com foco em desenvolvimento sustentável
O setor de energia solar no Brasil continua a crescer em ritmo acelerado, impulsionado por parcerias estratégicas entre grandes empresas do setor elétrico. Um exemplo recente é o projeto conjunto da BYD Brasil, multinacional de origem chinesa com forte presença no país, e da JV Gera + Raízen (RGD), que culminou na entrega de nove usinas solares fotovoltaicas distribuídas pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Pará.
As novas instalações adicionam à matriz energética brasileira uma capacidade de geração combinada superior a 59 milhões de kWh por ano, volume suficiente para abastecer cerca de 48 mil pessoas mensalmente. Em um cenário de intensas discussões sobre a descarbonização da economia, o impacto ambiental positivo da iniciativa também chama atenção: ao longo de 30 anos, os projetos evitarão a emissão de mais de 74 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) — o principal gás causador do aquecimento global. Esse volume é equivalente ao plantio estimado de mais de 528 mil árvores.
Energia limpa e desenvolvimento regional
A parceria não se resume à geração de energia. O projeto também promove benefícios socioeconômicos diretos nas comunidades locais. Durante a fase de construção das usinas, foram criados mais de mil empregos temporários, com prioridade para a contratação de mão de obra local. Além disso, todas as unidades foram equipadas com sistemas de reaproveitamento da água da chuva, refletindo uma preocupação concreta com a gestão sustentável de recursos naturais.
“O Brasil tem enorme potencial solar, e estamos comprometidos em ajudar a acelerar essa transição energética. Este projeto simboliza o nosso papel na construção de uma matriz mais limpa, moderna e acessível”, afirma Sócrates Rodrigues, Diretor de Projetos da BYD Brasil. Segundo ele, todas as usinas foram entregues no modelo “turn-key” (chave na mão), prontas para operação e integradas à rede elétrica.
A Raízen, por meio da joint venture com a Gera, também reforça sua aposta em projetos renováveis. Para o CEO da RGD, André Castro, a iniciativa abre portas para futuras colaborações nas áreas de armazenamento de energia, eletrificação e expansão solar: “Estamos muito satisfeitos com os resultados e com as possibilidades que essa parceria nos proporciona”, destacou.
Infraestrutura moderna e operação remota
As usinas seguem padrões técnicos rigorosos, incorporando tecnologias de última geração como rastreadores solares (trackers), bancos de baterias para monitoramento contínuo, centros elétricos construídos em alvenaria com ventilação otimizada, além de operação totalmente remota. Os módulos solares utilizados possuem garantia de performance de 25 anos, assegurando confiabilidade e eficiência a longo prazo.
Além disso, todas as unidades foram planejadas com atenção à padronização construtiva, o que facilita o suporte técnico e a manutenção. As equipes locais também recebem treinamento especializado e manuais de operação, promovendo autonomia e qualificação técnica nas regiões onde os projetos foram implantados.
Raio-X das usinas
Confira a distribuição e o desempenho das usinas:
- Amontada (CE): 6,6 hectares, 5.712 módulos, 6,8 milhões de kWh/ano, 178 empregos
- Itapipoca – Betânia (CE): 5,5 hectares, 5.264 módulos, 6,5 milhões de kWh/ano, 125 empregos
- Boa Viagem (CE): 7,7 hectares, 5.712 módulos, 6,6 milhões de kWh/ano, 103 empregos
- Ceará-Mirim 1A e 1B (RN): 4,8 hectares, 4.592 módulos, 5,3 milhões de kWh/ano, 193 empregos
- Campos dos Goytacazes – Santa Luzia (RJ): 5,5 hectares, 5.488 módulos, 5,8 milhões de kWh/ano, 130 empregos
- Campos dos Goytacazes – Fazenda São João (RJ): 9,5 hectares, 8.232 módulos, 8,6 milhões de kWh/ano, 134 empregos
- Santarém 1A e 1B (PA): 13,6 hectares, 11.424 módulos, 13,2 milhões de kWh/ano, 193 empregos
Com foco em sustentabilidade, inovação e impacto social, o projeto marca uma nova etapa para o setor elétrico nacional. Ele reforça a tendência de investimentos em infraestrutura verde, capazes de gerar benefícios ambientais enquanto promovem inclusão econômica, geração de emprego e interiorização tecnológica.
Um caminho irreversível
A eletricidade de origem solar já representa uma parcela crescente da matriz energética brasileira. Projetos como o da BYD e da Gera + Raízen mostram que é possível aliar rentabilidade, escala e responsabilidade socioambiental, colocando o Brasil em posição de destaque no cenário mundial da energia limpa.



