MPTCU solicita suspensão imediata do Leilão de Reserva de Capacidade 2026

Subprocurador-geral Lucas Furtado pede cautelar de 30 dias para interromper certame e travar homologação de resultados; alegação aponta fragilidades e concentração em termelétricas.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) protocolou, nesta quinta-feira (19/03), um pedido de medida cautelar para suspender a realização do Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) 2026. A iniciativa, de autoria do subprocurador-geral Lucas Furtado, visa paralisar o certame por um período de 30 dias, impactando diretamente o cronograma que previa a continuidade da disputa para amanhã (20/03).

Além de tentar impedir a nova etapa da licitação, o pedido do MPTCU requer a suspensão da homologação dos resultados referentes ao primeiro leilão, concluído na última quarta-feira. O movimento do órgão de controle introduz um novo componente de incerteza jurídica para os agentes e investidores que participam das rodadas de contratação de potência para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Alegações de concentração e fragilidade estrutural

A fundamentação apresentada pelo subprocurador-geral sustenta que o desenho atual do processo licitatório não garante a competitividade necessária e apresenta riscos à modicidade tarifária. Segundo a peça enviada ao TCU, o acompanhamento das primeiras etapas do certame revelou distorções que favorecem grupos específicos e limitam a diversificação de fornecedores de energia firme.

- Advertisement -

Ao expor as deficiências observadas na rodada inicial de contratação, Lucas Furtado destacou que o modelo adotado resultou em um mercado restrito: “O leilão inicial evidenciou fragilidades estruturais, com concentração excessiva em termelétricas e grupos econômicos específicos.”

Impactos no cronograma setorial

Caso o Tribunal de Contas da União acate a solicitação de suspensão cautelar, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a ANEEL ficarão impedidos de dar continuidade aos atos do leilão marcado para esta sexta-feira. O prazo de 30 dias solicitado pelo MPTCU serviria para uma análise detalhada das regras do edital e dos resultados já obtidos, buscando sanar as falhas apontadas pela subprocuradoria.

Até o momento, os órgãos reguladores e o ministério não se manifestaram sobre o pedido de paralisação. O mercado aguarda agora a decisão do ministro-relator do caso no TCU, que definirá se o certame seguirá conforme o planejado ou se será interrompido para revisão de suas diretrizes estruturais.

Destaques da Semana

ONS, ANEEL e EPE atualizam estudo sobre capacidade de escoamento do SIN para os LRCAP 2026

Atualização técnica atende diretrizes do MME sobre soluções mitigadoras...

TCU deflagra fiscalização em estatais nucleares após AudElétrica apontar fragilidades estruturais

Ministro Walton Alencar autoriza acompanhamento de contratos da ENBPar,...

Leilões de energia renovável podem ir além do menor preço e distribuir riscos de forma mais equilibrada

Especialistas defendem que o desenho dos leilões deve considerar...

Artigos

Últimas Notícias