Diesel atinge R$ 7,17 e escancara pressão geopolítica sobre a logística nacional

Dados da Veloe/Fipe mostram salto de 18% no combustível em menos de um mês; escalada entre EUA e Irã neutraliza desonerações e subsídios anunciados pelo Governo Federal.

O mercado brasileiro de combustíveis enfrenta uma de suas maiores janelas de volatilidade dos últimos anos. Impulsionado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o preço médio nacional do diesel rompeu a barreira dos R$ 7,17 por litro na segunda semana de março.

O avanço, monitorado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revela a fragilidade das medidas de contenção doméstica diante de um choque de oferta global no mercado de petróleo.

A trajetória de alta é vertiginosa: em 25 de fevereiro, no período pré-conflito, o diesel era negociado a R$ 6,06. Em menos de 20 dias, o insumo base da logística brasileira saltou R$ 1,11 por litro, representando uma valorização de aproximadamente 18,3% no período.

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A sensibilidade estrutural do Diesel

Embora a gasolina e o etanol também tenham registrado variações, passando para R$ 6,64 e R$ 4,78, respectivamente, o diesel demonstra uma elasticidade muito maior aos eventos no Golfo Pérsico. Por ser um derivado com estoques globais mais ajustados e essencial para as cadeias de suprimentos, qualquer ameaça às rotas de escoamento no Oriente Médio atinge o produto de forma imediata.

Ao analisar a dinâmica que diferencia o diesel dos demais combustíveis de ciclo Otto, o CEO da Veloe, André Turquetto, pontuou as razões da exposição acentuada do derivado: “O diesel é um dos derivados mais impactados por movimentos do petróleo, especialmente em cenários de tensão geopolítica, como o atual conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Por ser essencial para transporte e logística e contar com oferta global mais ajustada, suas variações tendem a se refletir de forma mais rápida e intensa nos preços.”

Pacote de socorro e o reajuste da Petrobras

A escalada ocorre a despeito de um robusto pacote de medidas anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo editou um decreto zerando as alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, além de uma Medida Provisória que estabelece subvenção para produtores e importadores.

O Ministério da Fazenda estima que o impacto combinado dessas ações deveria reduzir o preço na bomba em até R$ 0,64 por litro. Contudo, a pressão do barril tipo Brent superou o fôlego da renúncia fiscal. Paralelamente, a Petrobras encerrou um longo período de estabilidade e elevou em R$ 0,38 o preço do diesel A vendido às distribuidoras desde o último dia 14 de março.

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A nova realidade de preços da estatal foi detalhada pela companhia em seu último comunicado ao mercado: “Com o reajuste, o preço médio do diesel A da estatal para as distribuidoras passará a R$ 3,65 por litro, com participação média de R$ 3,10 no preço final do diesel B.”

Perspectivas para o setor de transporte

O impacto estimado do ajuste da Petrobras no diesel B (que contém 15% de biodiesel) é de R$ 0,32 por litro. Na prática, o mercado vive um cabo de guerra: de um lado, o governo tenta injetar R$ 0,64 de alívio via tributos e subsídios; do outro, o reajuste da refinaria e a valorização internacional do óleo bruto já consumiram essa margem e elevaram o custo final ao consumidor.

O movimento marca o primeiro aumento da Petrobras desde fevereiro de 2025, sinalizando que a política de preços da companhia, embora busque evitar o repasse de volatilidade conjuntural, não consegue mais absorver o hiato em relação ao Preço de Paridade de Importação (PPI) diante de um cenário de guerra iminente entre potências globais.

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