CESAR e Lactec unem expertise para blindar Smart Grids contra ameaças da computação quântica

Aliança estratégica entre os Centros de Competência EMBRAPII (CESAR e Lactec) foca na otimização de algoritmos de criptografia pós-quântica (PQC) para Smart Grids e dispositivos IoT com recursos limitados

O avanço acelerado da computação quântica representa uma ameaça existencial aos sistemas de criptografia tradicionais que protegem dados financeiros e infraestruturas críticas em todo o mundo. Diante desse cenário de vulnerabilidade futura, o setor elétrico brasileiro dá um passo decisivo em direção à resiliência cibernética.

O CESAR, por meio de seu Centro de Competência EMBRAPII em Segurança Cibernética (CISSA), e o Lactec, através do seu Centro de Competência EMBRAPII com foco em Hardware para Smart Grids e Eletromobilidade (Future Grid), formalizaram uma aliança estratégica para o desenvolvimento de soluções de defesa de nova geração.

A parceria tem como foco inicial a proteção do Sistema Elétrico de Potência (SEP) contra ataques cibernéticos baseados em computação quântica, que poderiam, teoricamente, quebrar as chaves de segurança atuais e paralisar serviços essenciais.

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O desafio da criptografia leve para Smart Grids

A modernização das redes elétricas (Smart Grids) é fundamental para a transição energética, mas introduz um novo vetor de risco: a dependência de milhares de dispositivos IoT (Internet das Coisas) e sensores distribuídos na rede de transmissão e distribuição. O problema técnico central é que os algoritmos de criptografia pós-quântica (PQC) atuais são extremamente pesados e exigem alto poder de processamento, algo que esses dispositivos de borda, muitas vezes com memória e bateria limitadas, não possuem.

Para resolver esse gargalo, o primeiro fruto desta colaboração é o projeto de P&D intitulado “Otimização de Algoritmos Pós-Quânticos para Plataformas Restritas”. O objetivo é adaptar e otimizar implementações de algoritmos PQC, como ML-KEM e ML-DSA, garantindo que a rede elétrica esteja protegida antes mesmo que os computadores quânticos se tornem uma ameaça comercial e comum.

Ao analisar a necessidade de uma defesa integrada que acompanhe a convergência das infraestruturas críticas, Fábio Maia, Coordenador técnico do CISSA e Principal Technical Manager do CESAR, destacou a criação de um ambiente de teste pioneiro: “A convergência entre os mundos físico e digital nas infraestruturas críticas exige uma nova postura de defesa. Ao unirmos a capacidade do CISSA em criptografia de ponta com o laboratório Ciberlab do Future Grid/Lactec, que simula redes elétricas em tempo real, criamos um ambiente único no Brasil para testar e validar defesas contra ataques que poderiam paralisar serviços essenciais.”

Simulação em tempo real e impacto sistêmico

Um dos grandes diferenciais da parceria é a utilização da infraestrutura compartilhada. O projeto utilizará o Ciberlab do Lactec/Future Grid para realizar simulações de ataques cibernéticos em tempo real, utilizando a metodologia hardware-in-the-loop. Isso permite que os novos algoritmos otimizados sejam validados em cenários reais de automação e controle industrial, tanto na transmissão quanto na distribuição de energia.

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A viabilização dessas defesas quântico-resistentes tem um impacto econômico direto, prevenindo perdas bilionárias decorrentes de interrupções no fornecimento de energia ou sabotagem industrial. A cibersegurança, portanto, deixa de ser um custo operacional para se tornar um elemento central de confiabilidade do sistema.

Nesse sentido, Luciano Carstens, Gerente do Centro de Competência Future Grid do Lactec, enfatizou a complementaridade de competências para o desenvolvimento de inovações duradouras: “A digitalização das redes elétricas e a expansão das infraestruturas inteligentes tornam a cibersegurança um elemento central para a confiabilidade do sistema energético. A colaboração entre o CISSA/CESAR e o Future Grid/Lactec combina competências complementares em segurança digital e sistemas de energia, criando uma base sólida para o desenvolvimento de soluções inovadoras que atendam às demandas futuras do setor elétrico e da indústria.”

O projeto, iniciado em fevereiro de 2025, ganhou reforço estratégico com a integração oficial do Future Grid em janeiro de 2026, consolidando o compromisso de ambas as instituições com a segurança da infraestrutura energética brasileira para a próxima década.

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