Após ano marcado por prejuízo de R$ 901 milhões e retração na demanda eólica, fabricante de pás estabiliza dívida e foca em novos contratos de fornecimento para 2026.
A Aeris Energy (AERI3) encerrou o exercício de 2025 consolidando um profundo processo de reestruturação operacional e financeira. Em um ano de ventos contrários para a indústria eólica nacional, a companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 901,2 milhões, resultado impactado pela ociosidade produtiva e por um ajuste contábil de impairment no valor de R$ 233,9 milhões. Contudo, o balanço do quarto trimestre (4T25) sinaliza a conclusão do reperfilamento de sua dívida, garantindo fôlego para capturar a retomada do setor.
A receita operacional líquida da fabricante somou R$ 746,0 milhões no ano, o que representa uma retração de 50,8% na comparação com 2024. O desempenho reflete a paralisia de novos investimentos em parques eólicos no Brasil, pressionados por limitações na infraestrutura de transmissão e pelos elevados níveis de curtailment (cortes de geração), que afetaram a atratividade de novos projetos domésticos ao longo de todo o período.
Eficiência financeira e reperfilamento de dívida
Apesar dos números negativos no demonstrativo de resultados, a gestão financeira da Aeris atingiu um marco estratégico ao reestruturar aproximadamente 90% do seu endividamento. A operação permitiu o alongamento de prazos e a melhora no cronograma de amortização, conferindo à empresa uma previsibilidade de caixa necessária para atravessar o ciclo de baixa demanda.
O EBITDA ajustado anual fechou negativo em R$ 115,7 milhões, consequência direta do menor volume de produção e da dificuldade de diluição dos custos fixos. No último trimestre do ano, o indicador ficou negativo em R$ 60,6 milhões, com uma margem de -52,9%, evidenciando o ajuste rigoroso que a companhia precisou fazer em suas linhas de produção, que operaram em conformidade com o nível de demanda atual do mercado.
Sinais de recuperação e pipeline para 2026
O horizonte para 2026, entretanto, começa a apresentar sinais de estabilização. A Aeris destaca avanços comerciais significativos, com a contratação de 1,3 GW em fornecimento de pás eólicas já garantidos. Além desse volume, a companhia monitora um pipeline adicional de 1,0 GW em projetos que se encontram em diferentes estágios de negociação.
A estratégia de sobrevivência e crescimento da fabricante também passou pela diversificação de receitas. Com o mercado interno estagnado, a Aeris expandiu sua divisão de serviços e aumentou a exposição às exportações, buscando mitigar a volatilidade do cenário brasileiro.
Foco em disciplina operacional
Para o próximo ciclo, a diretoria da Aeris mantém a diretriz de preservação de caixa e otimização de custos. A leitura da companhia é de que, com a estrutura financeira saneada, a prioridade será a disciplina operacional para absorver as oportunidades que surgirão com a retomada gradual dos leilões e dos projetos no mercado livre de energia.
O ano de 2025, embora desafiador do ponto de vista contábil, serviu para ajustar o tamanho da Aeris à nova realidade do setor eólico, preparando a base industrial para um novo ciclo de expansão da matriz renovável brasileira.


