Certame para contratação de reserva de capacidade movimenta o setor com foco em térmicas para 2026-2029; preço médio final e custo sistêmico dependem do encerramento de todas as fases.
O mercado de energia acompanha com atenção o desenrolar do 2º Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP). As primeiras rodadas do certame, focadas em produtos termelétricos com entregas escalonadas entre 2026 e 2029, revelaram uma competição acirrada, marcada por deságios discretos e valores que orbitam próximos aos limites superiores estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
O leilão é visto como peça-chave para garantir a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), assegurando potência disponível para momentos de ponta ou intermitência das fontes renováveis.
Dinâmica das rodadas: de 2026 a 2029
A abertura das negociações concentrou-se no Produto Potência Termelétrica 2026. Em uma sessão rápida de pouco mais de 30 minutos, o mercado sinalizou apetite com um deságio de 1,99%. O preço corrente fixou-se em R$ 2.205.220,10/MW.ano, ante o teto de R$ 2,25 milhões definido para usinas existentes.
Já a segunda rodada, voltada ao fornecimento com início em 2027, apresentou um cenário de pressão sobre a oferta. Após 20 minutos de disputa, o preço corrente fechou em R$ 2.249.995,00/MW.ano, uma variação praticamente nula em relação ao teto. O resultado evidencia que os proponentes estão operando na margem máxima permitida para viabilizar seus ativos no horizonte de curto prazo.
Expansão e Novos Empreendimentos (2028-2029)
À medida que o cronograma avançou para os produtos com entrega em 2028 e 2029, a régua de preços refletiu a inclusão de novos projetos (greenfield), que possuem um teto superior de R$ 2,90 milhões/MW.ano para compensar o custo de capital e construção.
Na terceira rodada (2028), o preço corrente atingiu R$ 2,71 milhões/MW.ano. Na sequência, a quarta rodada, referente ao Produto 2029, encerrou com o valor de R$ 2,89 milhões/MW.ano. Estes números reforçam a tendência de que o sistema precisará remunerar a expansão da base térmica em níveis próximos ao limite regulatório para garantir a segurança energética do final da década.
Preço médio vs. Preço corrente: o balizador do leilão
É fundamental que os agentes do mercado e grandes consumidores interpretem os números divulgados com cautela. A organização do certame faz uma ressalva técnica importante sobre a metodologia de precificação durante o evento:
“Os números finais do leilão dependem da conclusão de todas as rodadas vigentes. É importante notar que o preço corrente divulgado em tempo real monitora apenas o teto das ofertas vigentes, ou seja, o valor do ativo mais caro ou do último contratado no lote.”
Dessa forma, a fotografia real do impacto nas tarifas e o benefício econômico da competição, o deságio real, só serão consolidados após a batida final do martelo. A coordenação do leilão reforça que a métrica definitiva para o custo sistêmico é o preço médio:
“O custo final de contratação para o sistema, e o consequente deságio final, somente serão conhecidos após o término de todas as rodadas com a divulgação do preço médio.”



