Sistema híbrido com baterias e solar leva microgrid para mineração de ouro no Mato Grosso

Projeto híbrido combina 3 MWp de solar e 5 MWh em baterias para reduzir dependência de diesel e garantir economia mensal de R$ 165 mil em operação de ouro.

A mineradora Monte Cristo, localizada em Nossa Senhora do Livramento (MT), está prestes a se tornar um referencial de eficiência para o setor extrativista brasileiro. A GreenYellow anunciou um investimento de R$ 18 milhões para a implementação de uma microgrid que integra geração fotovoltaica, sistemas de armazenamento em baterias (BESS) e geradores a diesel.

O projeto é um dos maiores do gênero no Mato Grosso e visa solucionar um problema crônico da mineração em regiões com redes elétricas instáveis: a interrupção de processos industriais intensivos, como moagem e refino. A solução foi estruturada sob o modelo Energy as a Service (EaaS), permitindo que a mineradora modernize sua infraestrutura sem aporte de CAPEX inicial.

Inteligência de rede: Peak Shaving e Backup

O diferencial técnico do projeto reside na coordenação entre a usina de 3,0 MWp e o banco de baterias de 5 MWh. Essa combinação permite que a unidade desloque o consumo para horários mais favoráveis (load shifting) e reduza a demanda contratada nos períodos de ponta. O Head Comercial de BESS da GreenYellow, Giovanni Milani, detalha as frentes de atuação da tecnologia:

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“Desenvolvemos uma solução para reduzir parcialmente o consumo de diesel no local e diminuir a dependência da distribuidora de energia, especialmente no horário de ponta. Dessa forma, o BESS pode atuar em múltiplas frentes, como backup, load shifting e peak shaving. O projeto deve gerar uma economia de R$ 165 mil por mês, além de reduzir entre 50 e 100 toneladas as emissões de CO₂, a depender do consumo de energia do local”.

Resiliência operacional e gestão digital via EMS

Dada a sensibilidade da operação de refino de ouro, quedas de tensão e oscilações de rede representam riscos diretos à produtividade. Para o CEO da Mineradora Monte Cristo, Vinicius Eduardo Silva, a transição para um modelo híbrido eleva o patamar de segurança da planta:

“Acredito que este seja um passo importante não apenas para a Monte Cristo, mas também para mostrar que é possível fazer mineração no Brasil com mais eficiência, previsibilidade e responsabilidade com o futuro.”

A complexidade de gerir múltiplas fontes de energia em tempo real será endereçada por um Energy Management System (EMS). Giovanni Milani reforça que a automação é o que garante a resiliência do sistema frente às falhas da rede local:

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“Com a automação através de um sistema robusto com EMS [Energy Management System] prevista para o projeto, é possível monitorar e controlar toda a energia gerada e consumida em tempo real, garantindo maior eficiência operacional, integração de fontes renováveis, redução de perdas e custos, e maior resiliência frente a falhas ou interrupções no fornecimento.”

Transição energética e profissionalização do setor

O sistema fotovoltaico projetado terá uma geração estimada em 4,74 GWh por ano, o suficiente para alimentar as cargas industriais e carregar as baterias, reduzindo a queima de combustíveis fósseis. A implementação estratégica do projeto conta com a expertise da Zarzenon, responsável pelo EPC. Para a CEO da empresa, Gabriela F Prates Zarzenon, a iniciativa redefine a operação mineradora no estado:

“Essa energia será suficiente para suprir cargas não atendidas pela rede, carregar o BESS e reduzir significativamente o consumo de diesel. Mais do que instalar baterias, este projeto representa blindagem energética, profissionalização do setor e a transformação da mineração mato-grossense em uma operação corporativa, estruturada e estrategicamente posicionada no cenário nacional.”

Com previsão de entrada em operação para dezembro de 2026, o projeto consolida a tendência de “blindagem energética” para indústrias que buscam combinar sustentabilidade com redução drástica de custos operacionais.

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