Atlas amplia projeto em Minas Gerais e forma corredor de grafite de 11 km com teores entre os mais altos do mundo

Aquisição de novo direito mineral mais que dobra área do projeto da Atlas Critical Minerals e reforça potencial do Brasil na cadeia global de minerais críticos para baterias e energia

A corrida global por minerais críticos para a transição energética ganha um novo capítulo no Brasil. A Atlas Critical Minerals Corporation, listada na Nasdaq sob o ticker ATCX, anunciou a aquisição de um novo direito mineral no nordeste de Minas Gerais que conecta duas áreas já controladas pela companhia e estabelece um corredor contínuo de grafite de aproximadamente 11 quilômetros.

Com a consolidação da nova área, o projeto passa a somar cerca de 2.822 hectares, uma expansão de aproximadamente 124% em relação à configuração anterior. A companhia afirma que os resultados preliminares de exploração indicam teores elevados de carbono grafitizado (Cgraph), com valores que figuram entre os mais altos já reportados para projetos de grafite natural em flocos.

A iniciativa ocorre em um momento de forte expansão da demanda global por grafite natural, impulsionada principalmente pelo avanço da mobilidade elétrica e pelo crescimento das soluções de armazenamento de energia.

- Advertisement -

Teores elevados reforçam potencial geológico do projeto

As campanhas de amostragem realizadas pela companhia indicaram resultados expressivos ao longo do corredor mineralizado. O maior teor registrado até o momento alcançou 19,4% de carbono grafitizado, superando o recorde anterior da própria empresa, de 15,4%.

Além do pico observado, outras amostras apresentaram valores consistentemente elevados, incluindo 15,49%, 15,41%, 13,82%, 13,22%, 12,23%, 11,68% e 10,51% Cgraph. A continuidade desses teores ao longo das áreas mineralizadas sugere a possibilidade de corpos extensos de grafite.

Os dados preliminares também foram corroborados por levantamentos geofísicos de resistividade elétrica realizados na Área 1 do projeto. As medições identificaram anomalias de baixa resistividade associadas à presença de grafite, com continuidade lateral estimada em cerca de 230 metros e profundidade aproximada de até 215 metros.

Grafite estratégico para baterias e tecnologias energéticas

O grafite natural é um dos minerais críticos mais importantes para a indústria de baterias. Nas baterias de íons de lítio utilizadas em veículos elétricos, o material é o principal componente do ânodo, presente em tecnologias como LFP, NMC e NCA.

- Advertisement -

Um veículo elétrico típico utiliza dezenas de quilogramas de grafite em sua composição. Por isso, o crescimento acelerado da mobilidade elétrica tem impulsionado a busca por novos projetos de mineração capazes de suprir essa demanda.

Estimativas da consultoria Benchmark Mineral Intelligence indicam que o mercado global poderá exigir cerca de 97 novas minas de grafite até 2035 para equilibrar oferta e demanda. Já projeções da MarketsandMarkets apontam que o mercado global do mineral pode atingir US$ 36,4 bilhões até 2030, com taxa média anual de crescimento de 15,1%.

Nesse contexto, depósitos de grafite natural com alto teor e boa qualidade metalúrgica são considerados ativos estratégicos para a cadeia de valor da transição energética.

Pureza de nível nuclear amplia potencial de mercado

Outro fator que reforça o potencial do projeto é a qualidade do material obtido nos testes laboratoriais. Amostras do concentrado de grafite foram processadas em laboratório independente nos Estados Unidos e atingiram 99,9995% de pureza em carbono.

Esse nível de pureza atende às exigências técnicas para aplicações nucleares, consideradas entre as mais rigorosas da indústria, e supera os padrões normalmente requeridos para baterias. A companhia avalia que essa característica pode posicionar o projeto em segmentos de maior valor agregado dentro do mercado global de grafite.

“A expansão do nosso Projeto de Grafite, 100% de propriedade da Companhia, combinada com os excelentes resultados de exploração reportados até o momento, reforça nossa visão quanto à qualidade e à escala do ativo, especialmente considerando que o grafite é um mineral crítico fundamental”, afirmou Marc Fogassa, Chairman e CEO da Atlas Critical Minerals. “Uma amostra de pico de 19,4% Cg, somada ao fato de que a vasta maioria das amostras anteriores supera 11% Cg, indica a presença de mineralização de alto teor em múltiplas áreas ao longo do corredor de grafite de 11 quilômetros do projeto. Quando consideramos, ainda, os dados geofísicos sugerindo que a mineralização pode se estender além dos 200 metros de profundidade, e nossa já comunicada capacidade de purificar o concentrado até especificações de grau nuclear — o padrão máximo global de qualidade — vemos uma justificativa clara para acelerar o desenvolvimento do nosso Projeto de Grafite.”

Próxima fase inclui sondagem e definição de recursos

Após a consolidação das áreas minerais, a companhia pretende avançar em um programa mais amplo de exploração para transformar o potencial geológico em estimativas formais de recursos.

Entre as próximas etapas planejadas estão levantamentos de magnetometria terrestre, aerofotogrametria, mapeamento topográfico com LiDAR e campanhas adicionais de amostragem geológica. O projeto também deverá iniciar sondagens com perfuração diamantada, etapa essencial para a futura definição de recursos minerais.

“O próximo passo é transformar esse conceito de corredor em números formais: avançar em sondagem, amostragem sistemática e trabalhos técnicos para publicar uma estimativa de recursos minerais e, na sequência, estudos econômicos preliminares”, explica Fogassa.

Estratégia global em minerais críticos

O projeto de grafite integra a estratégia da Atlas Critical Minerals Corporation de desenvolver um portfólio diversificado de minerais críticos voltados à transição energética, incluindo terras raras, urânio e titânio.

No contexto do grupo empresarial, o ativo também amplia a atuação da controladora Atlas Lithium Corporation, companhia que detém cerca de 21% da Atlas Critical Minerals e busca consolidar presença na cadeia global de matérias-primas para baterias.

“Olhando adiante, a expectativa é que, à medida que os estudos avancem, este seja reconhecido como o principal projeto de grafita do Brasil na combinação de extensão, teor e pureza, com potencial para atender a um mercado que hoje gira em torno de US$ 20 bilhões por ano e pode superar US$ 30 bilhões até 2035”, ressaltou.

Ambiente regulatório é fator-chave para viabilizar investimentos

Além dos avanços técnicos, a viabilidade de projetos minerais de grande escala depende fortemente do ambiente regulatório e institucional.

“Projetos dessa escala exigem previsibilidade regulatória, segurança jurídica efetiva e licenciamento ambiental eficiente. O Brasil hoje conta com um arcabouço legal mais moderno para a mineração, mas esse avanço ainda é frequentemente minado por um ambiente de judicialização excessiva”, destaca Fogassa.

O executivo avalia que disputas judiciais e incertezas regulatórias podem retardar investimentos e reduzir a competitividade do país na disputa global por capital destinado ao desenvolvimento de minerais críticos.

Destaques da Semana

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Artigos

Últimas Notícias