Executiva assume em 1º de março no lugar de Marcos Madureira, após sete anos marcados por debates sobre renovação de concessões, sustentabilidade financeira e modernização da distribuição de energia
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou nesta semana a nomeação de Patrícia Audi como nova presidente da entidade. A executiva assume o comando a partir de 1º de março, sucedendo Marcos Madureira, que encerra um ciclo de quase sete anos à frente da principal associação das distribuidoras de energia elétrica do país.
A transição ocorre em um momento decisivo para o segmento de distribuição, diante da renovação das concessões, da abertura do mercado livre para a baixa tensão e da crescente integração de recursos energéticos distribuídos ao sistema elétrico.
Reconhecimento à gestão de Marcos Madureira
Em comunicado oficial, o Conselho de Administração da Abradee destacou o papel desempenhado por Marcos Madureira na consolidação institucional da entidade e na condução de pautas estruturantes para o setor elétrico.
“O Conselho agradece Madureira pela liderança, pelo compromisso com o setor elétrico e pela condução responsável de pautas estruturantes para a distribuição de energia no país, que contribuíram para o posicionamento da entidade como referência técnica e institucional.”
Eleito em maio de 2019 para suceder Nelson Leite, Madureira liderou a associação em um período de profundas transformações regulatórias. Sua gestão foi marcada pela defesa da sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras, pelo acompanhamento da revisão dos contratos de concessão e pela interlocução com o poder concedente em meio a desafios como inadimplência, perdas não técnicas e modernização das redes.
Sob sua coordenação, a Abradee ampliou o debate técnico sobre temas centrais para o futuro da distribuição de energia, como digitalização, qualidade do serviço, combate a furtos e a redefinição do papel das distribuidoras na transição energética, cada vez mais posicionadas como plataformas de serviços e integração de geração distribuída.
Perfil de Patrícia Audi e capital institucional
A nova presidente, Patrícia Audi, chega ao cargo com mais de 30 anos de trajetória nos setores público e privado. Atualmente integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável (CDESS) da Presidência da República, Audi acumula experiência em articulação institucional e formulação estratégica.
Recentemente, atuou como diretora-executiva da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e foi vice-presidente executiva de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Banco Santander. O perfil combina experiência setorial, relacionamento institucional e visão estratégica sobre sustentabilidade e transição energética.
Ao formalizar a escolha da nova liderança, os membros da governança da Abradee registraram a expectativa positiva para o novo ciclo. “O conselho também desejou muito sucesso a Patrícia Audi no novo desafio.”
Desafios regulatórios: concessões e mercado livre
A chegada de Patrícia Audi ocorre em meio a um ambiente regulatório sensível para a distribuição de energia elétrica. A renovação das concessões, tema central para a segurança jurídica e para a previsibilidade dos investimentos, permanece no centro das discussões entre governo, regulador e agentes.
Além disso, a expansão do mercado livre de energia para consumidores da baixa tensão altera estruturalmente o modelo de negócios das distribuidoras. O avanço da abertura de mercado exige revisão de estratégias comerciais, adequação regulatória e fortalecimento da eficiência operacional.
Outro eixo relevante será a modicidade tarifária, especialmente em um cenário de pressão sobre custos setoriais e de necessidade de investimentos em modernização das redes elétricas. A integração de recursos energéticos distribuídos, como geração solar distribuída e armazenamento, também amplia a complexidade operacional e regulatória do segmento.
Distribuição no centro da transição energética
O segmento de distribuição ocupa posição estratégica no processo de transição energética. Além de garantir qualidade e continuidade do fornecimento, as distribuidoras são responsáveis por integrar geração distribuída, veículos elétricos, sistemas de armazenamento e soluções de resposta da demanda.
A nova gestão da Abradee deverá equilibrar a defesa da sustentabilidade financeira das associadas com a necessidade de adaptação ao novo desenho do setor elétrico brasileiro, cada vez mais descentralizado, digitalizado e orientado à eficiência.
Com a posse de Patrícia Audi, a associação inicia um novo ciclo de liderança em um momento em que a agenda da distribuição se conecta diretamente às discussões sobre modernização regulatória, inovação tecnológica e segurança do sistema elétrico nacional.



