AGE marca nova fase após privatização; Carlos Piani assume presidência do Conselho e Sabesp inicia integração estratégica de ativos hídricos e energéticos em São Paulo
A transição de controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) para a Sabesp ganhou contornos definitivos nesta segunda-feira (23/02). Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), os acionistas aprovaram a destituição da maioria dos membros do Conselho de Administração vinculados à gestão anterior, incluindo o investidor Nelson Tanure.
A medida ocorre imediatamente após a conclusão da transferência do controle acionário da companhia para a Sabesp e representa o primeiro movimento concreto de reorganização da governança corporativa da geradora, que detém ativos estratégicos para a gestão hídrica e energética da Região Metropolitana de São Paulo.
Reestruturação do Conselho e nova presidência
A reformulação do colegiado foi proposta diretamente pela nova controladora, com o objetivo de alinhar a Emae à estratégia empresarial e operacional da Sabesp. Além de Nelson Tanure, deixam o Conselho nomes com histórico relevante no setor elétrico, como André Pepitone da Nóbrega, além de Pedro de Moraes Borba, Leonardo José Mattos Sultani, Luiz Gonzaga Rennó Salomon e Marise Grinstein.
Com a mudança, o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, foi eleito presidente do Conselho de Administração da Emae. A nova composição busca equilibrar competências técnicas, financeiras e regulatórias para conduzir a companhia em um novo ciclo de integração entre saneamento e geração de energia.
Também passam a integrar o Conselho Fabio Pinheiro, Marcelo Souza Monteiro, Esther Maria Vicentina Ferreira Assunção de Morais, Fábio Aurélio Aguilera Mendes, Tania Sztamfater Chocolat e Tinn Amado. O colegiado contará ainda com Gyedre Palma Carneiro de Oliveira, eleita como membro independente, reforçando os critérios de governança exigidos para companhias de capital aberto.
Continuidade da representação de minoritários e empregados
Apesar da ampla reformulação promovida pela Sabesp, a estrutura de governança preservou os assentos garantidos por lei e estatuto às classes minoritárias e aos empregados.
Permanecem no Conselho Daniel Alves Ferreira, eleito em separado pelos detentores de ações preferenciais, e José Luiz Fernandes, representante eleito pelos empregados da companhia.
A manutenção dessas cadeiras garante equilíbrio institucional no processo de transição e assegura a fiscalização por parte dos acionistas minoritários, elemento relevante em um momento de integração operacional e redefinição estratégica.
Integração hídrica e energética: mudança de paradigma
A entrada da Sabesp na Emae representa mais do que uma reorganização societária. A Emae detém ativos críticos para o funcionamento do sistema hídrico e elétrico da capital paulista, como a Usina Henry Borden e o controle do sistema de bombeamento dos rios Pinheiros e Tietê, estruturas que exercem papel central tanto na geração hidrelétrica quanto no controle de cheias e na gestão ambiental urbana.
Sob a liderança de Carlos Piani no Conselho, a expectativa do mercado é que a companhia avance na otimização de ativos, na captura de sinergias operacionais e na integração estratégica entre saneamento e geração de energia.
A convergência entre gestão de recursos hídricos e geração hidrelétrica pode representar um diferencial competitivo relevante, especialmente em um contexto de eventos climáticos extremos, necessidade de resiliência urbana e crescente pressão por eficiência na prestação de serviços públicos.
Governança, regulação e impactos no setor elétrico
Do ponto de vista do setor elétrico, a mudança de controle da Emae ocorre em um ambiente de crescente atenção à governança corporativa, segurança jurídica e eficiência operacional de ativos de infraestrutura.
A nova composição do Conselho deverá conduzir decisões estratégicas que impactam tanto a geração de energia quanto a operação de sistemas hidráulicos essenciais para a Região Metropolitana de São Paulo.
Ao assumir o controle da Emae, a Sabesp amplia sua atuação para além do saneamento básico, incorporando ativos energéticos estratégicos e consolidando uma posição singular no ecossistema de infraestrutura paulista.
Para o mercado, o movimento sinaliza um redesenho institucional com potencial de redefinir a governança e a estratégia de uma das principais geradoras estaduais do país, em um momento em que integração de ativos, eficiência regulatória e sustentabilidade ganham centralidade na agenda do setor elétrico brasileiro.



