Revisão do PMO nesta sexta-feira (13) aponta retração mais acentuada no Sudeste; CMO estabiliza em R$ 309,25/MWh enquanto setor aguarda leilões de reserva de março.
O cenário para o setor elétrico brasileiro em fevereiro de 2026 apresenta uma nova configuração de oferta e demanda. Segundo dados do Programa Mensal de Operação (PMO) divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta sexta-feira (13/02), a carga de energia no país deve recuar 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A estimativa anterior previa uma queda de apenas 1,8%, indicando que o consumo está desacelerando de forma mais rápida do que o mercado antecipava.
Essa retração é puxada quase integralmente pelo subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior do país, que deve registrar variação negativa de 7,5% (47.336 MWmed). Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste mantêm trajetórias de alta, com crescimento estimado em 5,8% e 3,5%, respectivamente.
Reservatórios em alta apesar da estiagem
Um dado que traz alívio relativo ao operador é o nível de armazenamento. Mesmo com chuvas abaixo da Média Longo Termo (MLT) em todo o território nacional, o ONS elevou a previsão para os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste de 57,3% para 59,1% ao final de fevereiro.
A melhora decorre de um ajuste na Energia Natural Afluente (ENA) da região, revisada para 88% da média histórica. O cenário no Sul também mostrou leve recuperação, subindo para 47% da MLT. Entretanto, o sinal de alerta permanece no Norte e Nordeste, onde as projeções hídricas sofreram cortes, com o Nordeste atingindo 91% e o Norte recuando para 58% da MLT.
Despacho térmico e o Custo de Operação
Para garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN), o ONS fixou o despacho térmico total em 8.849 MWmed para a próxima semana operativa (14 a 20 de fevereiro). Desse montante, cerca de 75% corresponde à inflexibilidade das usinas, enquanto 2.139 MWmed serão despachados por ordem de mérito.
O Custo Marginal de Operação (CMO) médio semanal apresenta uma convergência de preços:
- Sudeste, Sul e Norte: R$ 309,25/MWh.
- Nordeste: R$ 325,90/MWh.
O custo total de operação para a próxima semana está estimado em R$ 724,2 milhões, refletindo a necessidade de acionamento do parque térmico para compensar a variabilidade das fontes renováveis e a hidrologia ainda aquém do ideal.
Conexão com os Leilões de Reserva
A atualização dos dados do ONS ocorre em um momento crucial de revisão regulatória. Recentemente, a ANEEL aprovou novos preços-teto para os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) de março de 2026, elevando o Custo Marginal de Referência (CMR) para R$ 2,9 milhões/MW.ano.
A decisão de elevar os tetos das termelétricas existentes para R$ 2,25 milhões/MW.ano busca justamente garantir que o sistema tenha potência disponível e atrativa, assegurando a confiabilidade em momentos de baixa hídrica ou picos de carga, como os monitorados no boletim desta semana.



