Solução SmartAssets, da Fu2re, identifica riscos de contato entre árvores e redes elétricas e permite ações preventivas de poda com maior precisão operacional
A intensificação de eventos climáticos extremos, combinada à expansão das redes de distribuição em áreas urbanas densas, tem ampliado um dos principais desafios operacionais das concessionárias de energia: o controle da vegetação próxima à infraestrutura elétrica. Em resposta a esse problema estrutural do setor, a startup brasileira Fu2re passou a incorporar ao seu portfólio uma solução baseada em inteligência artificial capaz de mapear árvores e massas vegetais e antecipar riscos de contato com cabos de energia.
A empresa anunciou a ampliação do escopo do SmartAssets, plataforma que antes era voltada exclusivamente ao mapeamento e inventário de ativos da rede de distribuição e da iluminação pública. A partir de agora, a solução também realiza o mapeamento da vegetação urbana, com foco na prevenção de quedas de árvores e galhos sobre a rede, especialmente em períodos críticos de chuvas intensas e ventos fortes.
Visão computacional aplicada à gestão da rede
A tecnologia do SmartAssets utiliza captura de imagens de alta resolução por meio de veículos equipados com sensores e sistemas de visão computacional. Os dados são processados por modelos de inteligência artificial treinados para identificar objetos, reconhecer padrões e aplicar classificações automáticas, permitindo uma análise técnica detalhada da infraestrutura urbana.
O processo inclui mecanismos de validação e auditoria dos resultados, o que assegura maior confiabilidade das informações geradas e possibilita que as concessionárias utilizem os dados como base para decisões operacionais e planejamento de manutenção.
No novo módulo, a plataforma é capaz de identificar troncos, copas de árvores e massas vegetais localizadas nas proximidades da fiação elétrica. A partir dessas informações, o sistema calcula a distância entre a vegetação e os cabos, gerando relatórios de risco com diferentes níveis de criticidade.
Classificação de riscos e ações preventivas
O SmartAssets classifica as situações em três níveis. O risco moderado indica a necessidade de monitoramento contínuo e controle da vegetação. O risco alto demanda atenção imediata e ações preventivas, como podas programadas. Já o risco crítico aponta situações em que a intervenção deve ser imediata, devido à elevada probabilidade de impacto direto na rede elétrica.
Essa abordagem permite que as distribuidoras antecipem ações de manutenção de forma mais estratégica, reduzindo a ocorrência de falhas causadas por quedas de árvores ou galhos, especialmente durante temporais. Como consequência, há impacto direto na melhoria dos indicadores de continuidade do fornecimento, como DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora).
IA como ferramenta para resiliência do sistema
A proposta da Fu2re é que a tecnologia atue como instrumento de fortalecimento da resiliência das redes elétricas diante de um cenário climático cada vez mais instável. O fundador e managing partner da empresa, André Sih, destaca que a solução foi pensada não apenas para conforto do consumidor, mas como elemento de segurança sistêmica.
“O projeto foi desenvolvido para promover não apenas para o conforto cotidiano, mas principalmente para a estabilidade econômica, a segurança pública e a integridade de serviços essenciais. Nesse primeiro trimestre do ano, o volume de chuvas e ventanias é muito maior, por isso, o SmartAssets desempenha o papel de prever situações que possam se agravar com temporais e colocar a rede elétrica e, consequentemente, a comodidade do cidadão em risco, alertando empresas para que sejam capazes de agir antes de que o pior aconteça”, afirma o executivo.
Segundo a empresa, a plataforma vem sendo continuamente aprimorada para refletir as necessidades reais das distribuidoras, acompanhando tanto a evolução das tecnologias de inteligência artificial quanto a complexidade crescente das redes urbanas.
Vegetação segue como principal causa de interrupções
Apesar dos avanços em engenharia e proteção de redes, a vegetação fora de controle continua sendo uma das principais causas de interrupção no fornecimento de energia no Brasil. Dados da Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo indicam que, apenas em 2025, foram registrados 1.971 caimentos de árvores inteiras na capital paulista, com impacto direto sobre a infraestrutura elétrica.
Em grandes centros urbanos, a combinação entre árvores de grande porte, redes aéreas e eventos climáticos extremos cria um ambiente de risco permanente para o sistema de distribuição. Nesse contexto, soluções digitais capazes de antecipar falhas ganham relevância estratégica, não apenas do ponto de vista operacional, mas também regulatório, já que as concessionárias são penalizadas por descumprimento de metas de continuidade.
Integração com sistemas das concessionárias
A Fu2re informa que o SmartAssets já foi testado por distribuidoras de energia no Brasil e que a solução é compatível com sistemas GIS (Geographic Information System), padrão amplamente utilizado pelas concessionárias para gestão de ativos e planejamento de redes.
Além da integração com plataformas existentes, a empresa também oferece acesso direto ao sistema, ampliando a autonomia das equipes técnicas e facilitando a incorporação da ferramenta aos fluxos de trabalho de manutenção, inspeção e planejamento.
Em um cenário de redes cada vez mais complexas, urbanização acelerada e eventos climáticos mais intensos, a aplicação de inteligência artificial à gestão da vegetação se consolida como uma das frentes mais promissoras para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia e reduzir impactos ao consumidor final.



